Projetos de restauração que podem ultrapassar os R$ 250 mil e exemplares clássicos negociados por valores de carros de luxo. Esse cenário, que parece um exagero para muitos, reflete um fenômeno consolidado no mercado automotivo brasileiro: a antiga van de trabalho da Volkswagen se transformou em um cobiçado item de desejo e nostalgia, com preços que não param de subir.
Lançada no Brasil em 1957 e produzida ininterruptamente até 2013, a Kombi faz parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. Ela foi o carro de viagens em família, o veículo de entrega do comércio local e o símbolo de um estilo de vida mais simples e aventureiro. Essa forte conexão emocional é um dos pilares de sua valorização atual.
O que explica essa valorização?
A transformação da Kombi em um ícone cult é impulsionada por diversos fatores. Um dos principais é o movimento restomod, que consiste em restaurar o visual clássico do veículo, mas equipá-lo com mecânica moderna, interior de luxo, sistemas de som potentes e outras tecnologias atuais. Projetos de alto padrão elevam o patamar e o preço do modelo.
O fim de sua produção, há mais de uma década, também desempenha um papel crucial. A legislação brasileira passou a exigir airbags e freios ABS em todos os carros novos, itens que o projeto antigo da Kombi não comportava. Com isso, o modelo se tornou mais escasso, e a lei da oferta e da procura fez seu trabalho: encontrar uma unidade em bom estado de conservação ficou mais difícil e caro.
Além do apelo para colecionadores e entusiastas, a versatilidade da Kombi abriu um novo nicho de mercado. Sua estrutura espaçosa e carismática a tornou a base perfeita para negócios itinerantes, como food trucks, cafeterias, bares móveis, lojas de roupas e até mesmo motorhomes compactos para viagens. Essa nova demanda funcional aumentou ainda mais a procura e, consequentemente, os preços dos exemplares disponíveis no mercado de usados.
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