O CEO da Ford, Jim Farley, avaliou picapes híbridas plug-in de montadoras chinesas durante uma visita à Austrália. O executivo testou modelos como a Shark 6, da BYD, e Cannon Alpha, da GWM — e disse que os veículos são competitivos, mas ainda não substituem as picapes tradicionais voltadas ao trabalho pesado.
Segundo Farley, as caminhonetes chinesas representam uma proposta diferente dentro do mercado. "São animais totalmente diferentes", afirmou ao comentar os testes realizados durante três dias. Para ele, a Shark, por exemplo, tem aparência e proposta de picape, mas não apresenta o mesmo desempenho quando submetida a cargas mais pesadas.
O executivo ilustrou a comparação com um exemplo prático: ao colocar cerca de 500 kg na caçamba, a picape chinesa não entrega o mesmo desempenho de modelos consolidados como a Ford Ranger ou a Toyota Hilux, tradicionais referências globais no segmento de utilitários voltados ao trabalho.
Apesar da crítica, Farley reconheceu que os modelos chineses podem atrair consumidores que não utilizam o veículo para tarefas pesadas no dia a dia. Nesse caso, a combinação de design, tecnologia e eletrificação pode tornar essas picapes “produtos bastante competitivos” no mercado.
Outro ponto destacado pelo CEO é o custo de produção das marcas chinesas. Segundo ele, engenheiros da Ford chegaram a desmontar uma picape da BYD para entender como o modelo é fabricado, mas ainda têm dificuldade em explicar como a empresa consegue manter preços tão competitivos.
As declarações refletem a crescente pressão das montadoras chinesas sobre fabricantes tradicionais no segmento global de picapes médias — historicamente um dos mais lucrativos da indústria automotiva. Com novos modelos eletrificados e preços mais baixos, marcas asiáticas vêm ampliando sua presença em mercados fora da China, obrigando rivais ocidentais a acelerar suas estratégias de inovação.
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