A montadora brasileira Lecar passou a ser investigada pelo Ministério Público Federal por suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira. A apuração também envolve o Ministério da Fazenda e foi motivada pelo modelo de vendas antecipadas adotado pela empresa.
Criada com a proposta de produzir carros elétricos e híbridos nacionais, a Lecar ainda não possui fábrica construída nem veículos homologados para circulação. Mesmo assim, já comercializa modelos por meio de um sistema chamado “compra programada”, no qual o cliente paga parcelas ao longo de anos com promessa de entrega futura.
Segundo análise técnica da Fazenda, o modelo apresenta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta”. Entre os principais pontos levantados estão a venda de um produto ainda inexistente, a dependência da entrada de novos clientes para manter o fluxo de caixa e a cobrança de taxas para que participantes atuem como revendedores.
Outro fator crítico é que a empresa não tem autorização para operar esse tipo de modalidade de venda, semelhante a consórcio, o que pode configurar irregularidade financeira. Além disso, órgãos como a CVM apontam que promessas de ganhos sem base econômica concreta são características comuns de esquemas ilegais.
O fundador da empresa, Flávio Figueiredo Assis, nega qualquer irregularidade. Ele afirma que o projeto ainda está em desenvolvimento, admite atrasos na construção da fábrica e diz que o modelo de negócio é transparente. A investigação segue em andamento para apurar se há fraude ou apenas um projeto industrial ainda imaturo.
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