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DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Sindicato alerta para demissões e fechamentos de fábricas devido a política de Milei

Governo do país quer aumentar a taxação sobre a exportação de veículos e autopeças

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Toyota é uma das várias multinacionais que mantêm fábrica na Argentina
Toyota é uma das várias multinacionais que mantêm fábrica na Argentina Foto: Foto: Toyota/Divulgação

Um dia após trabalhadores de diversos setores da Argentina participarem de uma greve geral contra as medidas econômicas adotadas pelo governo de Javier Milei, centrais sindicais ligadas à indústria automobilística local, conhecidas como autopartistas, emitiram uma nota à imprensa. O documento alerta para a possibilidade de fechamentos de fábricas e a consequente demissão de até 5.000 metalúrgicos.

 

A nota dos sindicatos condena, em particular, um plano anunciado pelo Ministro da Economia, Luis Caputo, no último dia 13 de dezembro. Entre as medidas previstas pelo mandatário da pasta, está o aumento da tributação para exportações de produtos industrializados. Anteriormente, tais bens pagavam uma alíquota de 3%: de acordo com as novas diretrizes governamentais, esse índice subirá para 15%. 

De acordo com o governo de Javier Milei, tal medida se faz necessária para "sanear a economia". Ocorre que, por outro lado, o país é um grande exportador de veículos e autopeças: o setor depende do envio de boa parte da produção a consumidores estrangeiros, até porque o mercado interno não é dos maiores. Atualmente, a Argentina é apenas o terceiro maior mercado da América do Sul, atrás de Brasil e Chile. 

Sindicato fala em "morte de fábricas" na Argentina

Na nota, os sindicatos informam que a indústria automobilística local exporta para 114 países. Só em 2023, esse setor enviou o equivalente a US$ 1,312 bilhão em mercadorias para o exterior, somando veículos, motores, transmissões e autopeças. Ainda assim, o déficit desse segmento soma cerca de US$ 8,7 bilhões. Ao quadruplicar a taxação, o governo pode inviabilizar ao menos parte dessas operações. "O plano vai matar as fábricas", afirma o documento.    

Ainda de acordo com o documento, o setor automobilístico emprega, atualmente, cerca de 48 mil pessoas na Argentina. E o maior destino dos veículos fabricados por lá é justamente o Brasil: o mercado nacional ficou com cerca de  64% dos veículos que o país vizinho exportou em 2023. Vale lembrar que os negócios entre ambos os mercados são, desde 1995, beneficiados pelo acordo de livre comércio do Mercosul.