A greve geral que paralisa a Argentina nesta quinta-feira (19), em protesto contra reformas do governo, acende um alerta em diversos setores da economia brasileira. Para os entusiastas e consumidores de motocicletas, surge uma dúvida importante: a paralisação no país vizinho pode afetar a produção ou a disponibilidade de motos e peças por aqui? O impacto existe, mas se concentra mais na logística do que nas linhas de montagem.
Diferentemente do mercado de automóveis, onde a integração produtiva entre Brasil e Argentina é intensa, o setor de duas rodas possui uma dinâmica distinta. As principais fabricantes instaladas no Brasil, como Honda e Yamaha, têm produção no Polo Industrial de Manaus (AM) e dependem em grande parte de uma cadeia de suprimentos vinda da Ásia.
Onde o problema acontece
O verdadeiro gargalo criado pela greve argentina está na logística. A paralisação afeta portos, aeroportos, estradas e postos de fronteira, criando um obstáculo para qualquer mercadoria que precise transitar pelo território. Isso significa que componentes específicos ou mesmo motos importadas de outras origens, que por ventura utilizem a Argentina como rota de entrada, podem ficar retidos.
Empresas que dependem do transporte terrestre para trazer peças da Argentina ou de países vizinhos, como o Chile, enfrentam atrasos diretos. Embora o volume de componentes de motos provenientes da Argentina seja baixo em comparação com o de carros, qualquer interrupção na cadeia logística pode gerar atrasos pontuais na reposição de peças ou na chegada de lotes específicos de motocicletas importadas.
Efeito para o consumidor
Para o consumidor final, uma paralisação de um dia como esta dificilmente causará um impacto imediato nas concessionárias, seja na forma de falta de produtos ou aumento de preços. As montadoras e distribuidores geralmente trabalham com estoques de segurança capazes de absorver interrupções de curta duração sem grandes sobressaltos.
O principal ponto de atenção, no entanto, é a frequência desses eventos. Caso as greves e paralisações se tornem uma constante na Argentina, a pressão sobre a cadeia de suprimentos do Mercosul pode aumentar. Isso forçaria as empresas a buscarem rotas logísticas alternativas, geralmente mais caras, o que poderia, a médio e longo prazo, refletir nos custos finais dos produtos.
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