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Como comprar carros usados? Veja 10 dicas para fugir de micos

Veículo de segunda mão pode ser vantajoso, mas também causar prejuízo e dor de cabeça: veja como fazer um bom negócio

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Primeiro passo antes da aquisição é definir um orçamento
Leilão acontecerá no dia 17 de novembro Fotos: RM Sotheby’s/Divulgação

No que diz respeito aos automóveis, o mercado de segunda mão é bem maior que o de zero-quilômetro. Porém, muitos consumidores se aventuram nesse segmento sem ter ideia de como comprar carros usados. Consequentemente, após o fechamento do negócio, podem surgir surpresas nada agradáveis.

Para se ter uma ideia, em 2022, nada menos do que 13.297.958 veículos mudaram de propriedade no Brasil, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), enquanto os novos somaram 1.957.699 emplacamentos, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Isso não ocorre por acaso: afinal, os carros usados têm preços bem mais baixos. Por outro lado, enquanto a compra de um veículo novo pressupõe a ausência de ocorrências pregressas e raramente apresenta defeitos, um similar de segunda mão pode ter problemas ocultos, sejam eles legais ou mecânicos.

Como comprar carros usados?

Para evitar que o consumidor entre em uma fria, o VRUM enumerou 10 dicas de como comprar carros usados. São procedimentos simples, mas que podem evitar grandes dores de cabeça no futuro. Confira!

1- Defina seu orçamento

Antes de comprar carros, sejam eles novos ou usados, o comprador precisa ter consciência do quanto pode gastar, bem como manter total respeito a esse teto. O objetivo é evitar endividamentos excessivos e consequentes dificuldades financeiras. A exceção fica apenas para casos em que o comprador tenha reservas para subir o orçamento, sem perder o controle, diante de uma oferta muito vantajosa.

Outro ponto que merece atenção é a forma de pagamento. Negociações à vista, via de regra, são as mais vantajosas, pois dão grande poder de barganha ao comprador. Se não for possível dispor de toda a quantia para a aquisição, o consumidor deve escolher um financiamento com base em determinados critérios: eles estão descritos detalhadamente no próximo item.

2- Não financie o valor total (e calcule bem)

Antes de contratar o financiamento, o comprador deve fazer cotações em diferentes instituições financeiras (Foto: Marlos Ney Vidal/Em/D.A.Press)

Quanto maior a entrada, menores são as taxas de juros. Por isso, o ideal é reservar ou juntar uma quantia para dar de entrada. De acordo com a Mobiauto, para obter condições mais atraentes de financiamento, o comprador deve desembolsar pelo menos 30% do valor total à vista.

Ademais, antes de contratar o financiamento, o comprador deve fazer cotações em diferentes instituições financeiras para escolher a melhor taxa de juros. O valor e a duração das parcelas também precisa ser confortável. O consumidor tem que fazer uma equação, de modo a pagar a menor quantidade possível de prestações, mas sem apertar o orçamento a ponto de não conseguir honrar o compromisso.

3- Pesquise vários carros usados à venda

Ao comprar bens de maior valor agregado, como carros usados, a pressa, mais do que nunca, é inimiga da perfeição. Antes de fechar negócio, o comprador deve pesquisar bastante. E a tecnologia é uma grande aliada: afinal, existem diversos portais de anúncios de carros na internet, de modo que não é mais preciso andar de loja em loja ou procurar classificados nas bancas de jornais.

Enilson Espínola Sales de Souza, presidente da Fenauto, sugere que o comprador sempre faça buscas em portais de grande audiência e de boa governança. "Os sites menos relevantes estão sujeitos a poucas regras de segurança", pontua. E, apesar da facilidade dos classificados na internet, convém visitar algumas lojas ou particulares. Assim, é possível comparar diferentes veículos e condições de pagamento.

4- Desconfie de carros usados baratos demais

Essa dica é até um tanto óbvia, mas muito importante. Afinal, ao procurar carros usados para comprar, o consumidor tem grandes chances de se deparar com estelionatários, que se apresentam como vendedores. Enilton, da Fenauto, aconselha:

"Desconfie de ofertas mirabolantes, principalmente de preços baixos demais: quase sempre, essa é a isca do golpe."

Enilson Espínola Sales de Souza, presidente da Fenauto

O próximo item também é fundamental para escapar de fraudes.

5- Conheça carro pretendido pessoalmente (e faça um test drive)

Enquanto dirige, motorista deve ficar atento a anormalidades no comportamento do veículo (Foto: Marlos Ney Vidal/Em/D.A.Press)

Ao conhecer pessoalmente o carro usado que pretende comprar, o futuro proprietário não apenas se previne de golpes, mas também se certifica de que o bem está exatamente como foi anunciado. Afinal, é comum que fotos e vídeos não mostrem, por exemplo, desgastes no interior, problemas na pintura ou pneus em mau estado.

De acordo com a Mobiauto, o comprador deve aproveitar ainda para fazer todas as perguntas que julgar necessárias para o vendedor. A entidade recomenda até a anotar dúvidas prévias para não correr o risco de esquecê-las. Caso o postulante a comprador não conheça o modelo do veículo pretendido, deve aproveitar para observar a posição de dirigir, a visibilidade e o espaço no banco traseiro e no porta-malas.

Outra medida fundamental é fazer um test drive. Enquanto dirige, o comprador deve observar se o veículo "balança muito" ao passar por irregularidades do solo, o que pode indicar defeito na suspensão, e se ocorrem ruídos anormais, outro indício de problemas mecânicos. Também é importante conferir se todos os equipamentos estão funcionando bem.

Por questão de segurança, caso o carro usado esteja nas mãos de uma pessoa física, a Mobiauto recomenda que o encontro ocorra em local público e movimentado.

6- Dê preferência a carros usados em bom estado

Eis outra dica que pode até soar óbvia, mas que acaba passando batida para alguns compradores. É que o estado de conservação, claro, influencia no valor do bem. Porém, geralmente, vale a pena pagar um pouco a mais por um veículo em perfeitas condições: comprar carros usados com "probleminhas" para tirar proveito de vantagens financeiras imediatas, como descontos, é uma estratégia perigosa.

Um dos critérios para avaliar o uso de um carro é a quilometragem: geralmente, quanto menos rodado for o veículo, maior será o preço. Entretanto, a Mobiauto recomenda a, sempre que possível, optar por veículos com baixa quilometragem. Isso, segundo a entidade, porque os custos com manutenção e com troca de peças costumam ser menores nesses casos.

A quilometragem, contudo, não é um critério absoluto na hora de comprar carros usados: como assim? Boris Feldman explica em vídeo!

https://www.youtube.com/watch?v=9aqSMhCHrSk

Vale lembrar, porém, que é comum encontrar no mercado carros usados com hodômetros adulterados, que mostram quilometragem bem menor que a real. Como saber, então, se os números mostrados no painel são mentirosos ou não? Vá para a próxima dica e descubra!

7- Certifique-se com vistoria ou com mecânico de confiança

O comprador deve se certificar de todas as informações sobre os carros usados que pensa em comprar, a começar por itens básicos, como documentação e histórico de manutenção. Veículos sem registros de revisões podem indicar, além de desleixo do proprietário, adulteração no hodômetro.

Um macete simples para identificar esse golpe é verificar peças como volante, manopla do câmbio e pedais. Se estiverem muito desgastadas, mas a quilometragem do veículo for baixa, é sinal de que há alguma fraude. Alguns proprietários desonestos tentam ocultar esses indícios revestindo o volante ou instalando pedais "esportivos", encontrados no mercado paralelo.

Mesmo se não houver problemas com esses itens, a Mobiauto recomenda que o comprador peça a um mecânico para ver o veículo, ou então a solicite ao vendedor para levá-lo a uma oficina de confiança. Profissionais experientes são capazes de descobrir se há algum problema oculto.

Caso o comprador não conheça profissionais capacitados ou não se sinta seguro para fazer as verificações mais básicas, existe a possibilidade de contratar um vistoriador ou de procurar empresas especializadas em laudos veiculares. Os serviços podem incluir tanto a verificação do carro usado quanto a originalidade da documentação.

Quanto à documentação, em especial, Enilton recomenda redobrar a atenção com veículos que têm impedimento judicial. Nesse caso, será impossível fazer a transferência de propriedade. Inclusive, o presidente da Fenauto lembra que o comprador deve se certificar de que o bem foi, de fato, registrado no próprio nome junto ao Detran.

8- Loja ou pessoa física?

Para a Mobiauto, ambos têm vantagens e desvantagens. Ao comprar carros usados diretamente de uma pessoa física, o preço costuma ser mais atraente, bem como há possibilidade direta de negociação. Ademais, é possível conhecer melhor a procedência do veículo. Por outro lado, não há garantia alguma e, feita a transferência, fica tudo por conta e risco do comprador.

Já ao comprar carros usados em uma loja ou concessionária, o valor é um pouco mais alto, devido aos adicionais, como os referentes a espaço e funcionários. Porém, a grande vantagem é que as lojas são obrigadas por lei a oferecer garantia de 90 dias para carros usados: muitas oferecem coberturas contratuais até maiores, que chegam a 1 ano. Além do mais, o risco de golpe é bem menor.

Enilton destaca que somente em uma relação entre CNPJ e CPF ou CNPJ, o comprador estará coberto pela garantia legal. Caso o consumidor opte por comprar carros usados anunciados por particulares, o presidente da Fenauto aconselha a evitar vendedores que agem como intermediários:

"Nunca negocie com alguém que não seja de uma loja estabelecida ou, comprovadamente, o proprietário do veículo."

Enilson Espínola Sales de Souza, presidente da Fenauto

9- Lembre-se de que existirão custos depois da compra

Após a compra, o proprietário não deve ficar totalmente descapitalizado, para conseguir arcar com os demais gastos (Foto: Governo Federal/Divulgação)

Após comprarem os respectivos carros, sejam eles novos ou usados, os proprietários seguem tendo gastos, como os relativos ao seguro, ao Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e às revisões. E eles podem ser bem maiores que o esperado: por isso, antes de fechar o negócio, é preciso ter consciência de todas as despesas futuras.

Carros de marcas de luxo mais antigos, por exemplo, muitas vezes são colocados à venda por valores acessíveis: podem até ter preços equivalentes ao de modelos populares do mesmo ano. Entretanto, os gastos com manutenção, obviamente, serão muito mais altos. Peças como faróis e para-choques podem ter custos inviáveis.

O consumo de combustível, que geralmente responde pelo maior gasto mensal referente ao veículo, é outro item a ser observado. Despesas com estacionamento e lavagem também entram nos cálculos. Por fim, é prudente realizar, preventivamente, alguns serviços de manutenção após a aquisição, como a troca de fluidos e da correia dentada.

10- Conheça seus direitos (e faça-os valer, se necessário)

Os compradores de veículos têm um grande aliado na hora de fechar o negócio: o Código de Defesa do Consumidor. Essa lei assegura um prazo de garantia de 90 dias para que os consumidores reclamem de problemas em bens comprados de pessoas jurídicas. E essa cobertura inclui todo o carro, e não apenas "motor e caixa", como anunciam algumas lojas.

Enilton, da Fenauto, esclarece que, feita a reclamação, a loja ou a concessionária tem outros 30 dias para reparar o veículo. Se o estabelecimento oferecer um período de garantia maior, após o prazo legal de 90 dias valem as condições que constarem no contrato de compra e venda. Nesse caso, a cobertura pode se restringir a apenas determinados componentes.

Por que os carros usados subiram de preço? Assista ao vídeo e entenda!

https://www.youtube.com/watch?v=DBf1gVmn4sQ