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Não é mais obrigatório?

Sem estepe de fábrica: como a mudança atinge as estradas do Brasil

A precariedade do asfalto nacional gera receio em motoristas que viajam sem estepe tradicional: entenda o movimento do mercado automotivo

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Estepe reduzia a capacidade do porta-malas da versão esportiva para 207 litros
Estepe reduzia a capacidade do porta-malas da versão esportiva para 207 litros Foto: Jorge Lopes/EM/D.A.Press

Abrir o porta-malas de um carro 0km e não encontrar o estepe se tornou uma realidade cada vez mais comum no Brasil. A mudança, impulsionada por montadoras para reduzir peso e custos, gera um dilema para motoristas que enfrentam a má qualidade das estradas do país, transformando um simples pneu furado em um grande transtorno.

A retirada do estepe, prática permitida pela Resolução 540/2015 do Contran, não é um capricho. A decisão está ligada diretamente à necessidade de reduzir o peso dos veículos para atender às novas e rigorosas normas de emissão de poluentes. Cada quilo a menos contribui para um consumo menor de combustível e, consequentemente, para um índice de CO2 mais baixo.

Além do fator ambiental, a ausência da roda sobressalente libera espaço no porta-malas, um argumento de venda valorizado por muitas famílias. Para as fabricantes, a substituição por um kit de reparo também representa uma significativa economia nos custos de produção de cada unidade.

As alternativas ao estepe tradicional

No lugar da tradicional roda extra, as montadoras oferecem duas soluções principais: o kit de reparo e os pneus do tipo run-flat. O kit geralmente é composto por um líquido selante e um pequeno compressor de ar que se conecta à tomada 12V do carro.

Essa solução, no entanto, é limitada. Ela funciona apenas para furos pequenos na banda de rodagem do pneu. Rasgos na lateral ou danos à roda, ocorrências comuns ao cair em buracos nas estradas brasileiras, tornam o kit completamente inútil, deixando o motorista sem opções.

Pneu furado
Pneu furado Foto: Imagem: shutterstock

Outro ponto de atenção é que o selante pode afetar o funcionamento do sensor de monitoramento de pressão (TPMS) em alguns casos e, muitas vezes, inviabiliza um conserto definitivo do pneu, forçando a compra de um novo.

Já os pneus run-flat possuem laterais reforçadas que permitem rodar por distâncias limitadas (que variam entre 50 e 80 quilômetros, dependendo do fabricante) a velocidades reduzidas, mesmo após perder toda a pressão. Embora mais seguros, são consideravelmente mais caros, mais duros e difíceis de encontrar para reposição fora dos grandes centros, também porque o mercado brasileiro para esse tipo de produto ainda é limitado.

Pneu run flat visto de cima no fundo preto
Apesar de parecer prático, pneu run flat não adequado para estradas brasileiras Foto: Internet/Reprodução

Para o motorista brasileiro, a tendência representa uma nova preocupação. A insegurança de viajar por rodovias precárias sem a garantia de uma roda sobressalente já se tornou um fator de decisão na hora de escolher um carro novo. O debate segue ativo no legislativo, com a tramitação do Projeto de Lei 1396/2026 na Câmara dos Deputados, que visa obrigar o fornecimento do item em seu tamanho integral, mostrando que a questão está longe de ser um consenso.

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