A Chery pode estar preparando uma nova frente de disputa no mercado brasileiro. Depois de avançar no segmento de SUVs, a fabricante chinesa deu um passo que pode indicar a intenção de colocar uma picape média à venda no país. A Himla, apresentada aos brasileiros no Salão do Automóvel de 2025, acaba de ter seu desenho registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O documento não significa que a picape já esteja confirmada para as lojas. Também não há, por enquanto, previsão oficial de lançamento. Mas o registro mostra que a Chery se movimenta em torno de um produto que, se vier ao mercado, terá como adversárias algumas das picapes mais tradicionais do país.
A Himla foi mostrada no Salão como uma proposta ainda em avaliação. Naquele momento, não havia confirmação de que o modelo seria comercializado no Brasil. O novo registro muda o estágio da história, ao menos do ponto de vista da propriedade industrial: o desenho da picape passa a estar protegido no território nacional.
Isso não define, porém, qual será o caminho escolhido pela empresa. A própria estrutura do grupo Chery no Brasil torna a questão mais complexa, já que diferentes marcas e operações passaram a ter administrações distintas. O pedido relacionado à Himla foi feito pela Chery Commercial Vehicle, divisão do grupo dedicada aos veículos comerciais.
Projeto foge da receita de uma única motorização
Um dos pontos mais interessantes da Himla é a possibilidade de oferecer diferentes tipos de propulsão. O projeto foi concebido para receber tanto sistemas convencionais quanto elétricos, incluindo uma alternativa a diesel e outra com extensor de autonomia.
Na configuração elétrica, a picape pode ter dois níveis de desempenho. A opção com um motor e tração traseira desenvolve 201 cv e 35,7 kgfm, enquanto a versão com dois motores e tração integral chega a 402 cv e 55 kgfm.
O salto de desempenho é considerável. A configuração mais simples precisa de 8,8 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h. Já a Himla elétrica AWD faz a mesma prova em 5 segundos. O modelo pode utilizar baterias de 66,54 kWh ou 88 kWh, dependendo da versão.
Para quem ainda prefere o diesel, a proposta é um motor 2.3 turbodiesel, com aproximadamente 163 cv e 42,8 kgfm. O conjunto pode ser associado à tração 4x2 ou 4x4 e a câmbios manual de seis marchas ou automático de oito velocidades.
A existência dessas alternativas também coloca a Himla em uma posição diferente daquela ocupada por boa parte das picapes médias atualmente disponíveis no Brasil. Caso a Chery decida trazê-la, terá de definir qual combinação de mecânica, preço e configuração faria mais sentido para o mercado nacional.
Porte conhecido, identidade própria
Embora ainda não exista uma versão brasileira confirmada, a Himla segue a fórmula de uma picape média tradicional. O desenho tem proporções robustas e uma dianteira dominada por uma ampla grade octogonal, com o nome da Chery aplicado em grandes letras.
Os faróis são distribuídos em diferentes níveis da dianteira, enquanto a cabine adota uma solução mais próxima dos SUVs recentes da fabricante. A central multimídia ocupa uma área de destaque no painel e o console central utiliza uma alavanca de câmbio compacta.
O modelo, portanto, combina uma carroceria de perfil convencional para o segmento com uma arquitetura que permite diferentes sistemas de propulsão.
O que falta para virar concorrente de Ranger e Hilux
O registro brasileiro resolve apenas uma parte da equação. Para efetivamente entrar no mercado, a Chery ainda teria de confirmar a comercialização, definir versões, motorização, equipamentos e estratégia de preços.
Também não está definido se a Himla seria vendida pela operação da Chery administrada pela CAOA ou qual seria o formato adotado pelo grupo para um eventual lançamento. Atualmente, a operação brasileira é dividida entre diferentes estruturas, com marcas como Omoda & Jaecoo e iCAUR ligadas diretamente à matriz chinesa.
Por enquanto, a Himla continua sendo uma possibilidade. O registro no INPI, porém, deixa uma pista mais concreta de que a picape não foi apenas uma atração apresentada para medir a reação do público no último Salão do Automóvel.
Se o projeto avançar, a Chery terá pela frente um mercado no qual Ranger, Hilux, Chevrolet S10, Mitsubishi Triton e outras picapes médias já disputam consumidores. E terá ainda que decidir se a aposta será feita no conhecido diesel, na eletrificação ou justamente na possibilidade de oferecer diferentes alternativas para o mesmo modelo.
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