O universo automotivo é repleto de "verdades" que passam de geração para geração, mas muitas delas não se aplicam aos carros modernos. Com o avanço da tecnologia, práticas que eram recomendadas no passado hoje podem ser inúteis ou até prejudiciais.
A seguir, desvendamos quatro mitos sobre o uso e a manutenção de veículos. Entender o que é fato ou ficção ajuda a economizar combustível, prolongar a vida útil dos componentes e garantir uma condução mais segura.
Gasolina aditivada limpa um motor sujo?
Parcialmente, sim. A gasolina aditivada tem dupla função: mantém o motor limpo preventivamente e pode reverter parcialmente o acúmulo de sujeira já existente. Os detergentes e dispersantes presentes em sua fórmula não apenas evitam a formação de novos depósitos de carbono, mas também atuam gradualmente na remoção de resíduos já acumulados nas válvulas, bicos injetores e câmara de combustão.
Se o motor já estiver com um acúmulo significativo de sujeira, o efeito da gasolina aditivada será gradual e pode levar vários tanques para mostrar resultados significativos. Para acúmulos severos, a descarbonização profissional em uma oficina continua sendo a solução mais rápida e eficaz. Portanto, usar aditivada regularmente funciona como uma medida preventiva e também corretiva em casos leves a moderados.
É preciso esquentar o motor antes de sair?
Este é um hábito herdado da época dos carros com carburador, que precisavam de alguns minutos para que o motor atingisse a temperatura ideal de funcionamento. Nos veículos atuais, com injeção eletrônica, essa prática é desnecessária e representa apenas um desperdício de combustível.
O sistema eletrônico ajusta a mistura ar-combustível automaticamente desde a partida. A recomendação dos fabricantes é dar a partida e começar a dirigir de forma suave nos primeiros minutos. Isso permite que não apenas o motor, mas todo o conjunto mecânico, como câmbio e suspensão, aqueçam de maneira gradual e uniforme.
Andar com o carro na "banguela" economiza combustível?
Pelo contrário, essa prática perigosa aumenta o consumo em carros com injeção eletrônica. Quando o veículo desce uma ladeira engrenado, o sistema de injeção identifica que não é preciso acelerar e corta o envio de combustível para o motor, aproveitando o movimento das rodas para mantê-lo girando. O consumo, nesse cenário, é zero.
Ao colocar o câmbio em ponto morto, o motor se desconecta das rodas e precisa injetar combustível para se manter ligado em marcha lenta. Além de gastar mais, a "banguela" sobrecarrega o sistema de freios e diminui o controle do motorista sobre o carro, tornando a condução menos segura.
Motor turbo "vicia" se andar sempre devagar?
Essa é outra crença antiga que não se aplica aos motores modernos. A ideia de que um motor turbo precisa de altas rotações para não "viciar" ou criar borra vem de projetos mais antigos e óleos lubrificantes de qualidade inferior. Hoje, a tecnologia dos motores e dos lubrificantes sintéticos evoluiu muito.
Os motores turbo atuais são projetados para funcionar de forma eficiente em qualquer faixa de rotação. O mais importante para a saúde do turbo é seguir rigorosamente o plano de manutenção, utilizando sempre o óleo especificado pelo fabricante e respeitando os prazos de troca. A durabilidade do componente está ligada à qualidade da lubrificação e do arrefecimento, não ao estilo de condução.
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