A cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, passou a abrigar a única linha de produção do Brasil dedicada à fabricação de injetores para sistemas de injeção direta de gasolina (GDi) capazes de operar a 350 bar de pressão. A nova linha foi inaugurada pela PHINIA durante o evento que celebrou os 35 anos de operação da planta de Piracicaba.
A inauguração da linha faz com que a fábrica brasileira se junte às unidades da empresa no México, China e Romênia que produzem essa tecnologia. Até então, os injetores utilizados em alguns veículos comercializados no mercado nacional eram fornecidos pela unidade da empresa no México.
Segundo Giovani Benato, diretor-geral da planta da PHINIA em Piracicaba, a chegada da nova tecnologia demonstra a confiança da companhia na operação brasileira. "Estamos trazendo para o Brasil uma tecnologia extremamente sofisticada. A escolha pelo Brasil demonstra confiança na capacidade técnica, industrial e de engenharia da nossa operação local", afirmou.
A tecnologia de injeção direta tem ganhado espaço na indústria automotiva por contribuir para ganhos de eficiência energética e redução de emissões. Enquanto sistemas convencionais de injeção trabalham com pressões que variam entre 3 e 5 bar, os novos injetores operam com até 350 bar. Essa diferença permite uma pulverização mais fina do combustível diretamente na câmara de combustão, favorecendo a queima mais eficiente da mistura.
Segundo a empresa, os componentes produzidos em Piracicaba utilizam uma tecnologia capaz de gerar gotículas de combustível significativamente menores do que as observadas em sistemas tradicionais. Os microfuros responsáveis pela pulverização possuem dimensões inferiores à espessura média de um fio de cabelo humano, exigindo processos industriais de alta precisão.
Para viabilizar a produção, a unidade recebeu uma sala limpa climatizada de 1,5 mil metros quadrados, equipada com sistemas de controle ambiental, monitoramento dimensional, inspeção automatizada e rastreabilidade dos componentes fabricados.
A chegada da nova tecnologia coincide com os 35 anos de operação da unidade paulista. Inaugurada em 1991, a unidade acompanhou algumas das principais transformações da indústria automotiva brasileira nas últimas décadas.
Para Benato, a trajetória da planta reflete a evolução tecnológica da própria indústria automotiva nacional. "Ao longo desses 35 anos, a planta evoluiu continuamente em tecnologia, qualidade, competitividade e pessoas", disse.
Durante os anos 1990, participou da expansão dos sistemas de injeção eletrônica no país, incluindo soluções voltadas ao uso de etanol. Também esteve envolvida na introdução de componentes como radiadores de alumínio e baterias seladas livres de manutenção.
Nos anos 2000, a fábrica ampliou sua atuação no desenvolvimento de tecnologias voltadas aos motores flex fuel, que se consolidaram como uma das principais características do mercado brasileiro.
Atualmente, a unidade emprega cerca de mil trabalhadores, opera em três turnos e produz aproximadamente 11 milhões de componentes automotivos por ano. Parte dessa produção atende montadoras instaladas no Brasil, enquanto outra parcela é destinada a programas automotivos em mercados da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia.
Além da produção industrial, a fábrica abriga iniciativas voltadas à capacitação técnica de profissionais do setor automotivo, incluindo centros de treinamento e programas educacionais desenvolvidos em parceria com instituições de ensino.
• Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!