A imagem de um carro patrulhando as ruas como viatura policial pode ser uma das propagandas mais eficientes que uma montadora poderia desejar. Nesta semana, a Citroën viu seu SUV Aircross ganhar os holofotes ao ser adotado pela Polícia Militar de Minas Gerais, levantando uma questão clássica no mercado: essa associação com as forças de segurança realmente impulsiona as vendas para o consumidor comum?
A resposta curta é que, na maioria das vezes, sim. A escolha de um modelo para integrar a frota policial funciona como um selo extraoficial de resistência e confiabilidade. É uma espécie de "validação", onde o público tende a interpretar que, se o veículo aguenta o uso severo do patrulhamento diário, com perseguições e longas horas de funcionamento, ele certamente dará conta do uso cotidiano de uma família.
Essa percepção não é de hoje. Modelos como o Renault Duster e o Jeep Renegade construíram parte de sua fama de robustez enquanto serviam à polícia em diversas partes do Brasil. Ver um carro desses em ação constante cria uma familiaridade e uma imagem de durabilidade que nenhuma campanha publicitária consegue replicar com a mesma eficácia.
A vitrine das ruas
Para as montadoras, vencer uma licitação para fornecer viaturas é um negócio vantajoso em duas frentes. Além da venda de um grande volume de unidades de uma só vez, que neste caso representou um investimento de cerca de R$ 9 milhões, a marca ganha uma exposição massiva e gratuita. O carro passa a ser visto por milhares de pessoas todos os dias, associado a uma imagem de autoridade e preparo para qualquer situação.
No caso do Citroën Aircross, foram adquiridas 69 unidades do modelo, que foram adaptadas com cela no porta-malas e equipamentos de comunicação. A escolha se baseia em atributos que a própria marca promove ao consumidor: amplo espaço interno, versatilidade e uma suspensão elevada, ideal para enfrentar as irregularidades do asfalto brasileiro.
Claro que a versão policial é diferente da vendida nas lojas. Geralmente são modelos de entrada ou intermediários, com modificações específicas para o serviço. Ainda assim, a essência do projeto é a mesma, e é essa validação de resistência no “teste final” das ruas que pode influenciar positivamente a decisão de compra de muitos motoristas que buscam um carro forte e confiável.
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