Na hora de escolher um carro novo ou usado, a maioria dos motoristas avalia a marca, os equipamentos e até a cor. No entanto, um fator fundamental e muitas vezes subestimado pode ditar o tamanho do prejuízo na hora da revenda: a motorização do veículo. A escolha entre um motor 1.0, 1.6 ou 2.0 tem um impacto direto e significativo na curva de desvalorização.
O mercado de seminovos e usados no Brasil tem uma lógica própria, fortemente influenciada pelos custos de manutenção e pelo consumo de combustível. É por isso que, de forma geral, carros equipados com motores menores tendem a preservar mais o seu valor. A alta procura por modelos econômicos garante maior liquidez e uma desvalorização mais suave.
Motor 1.0: a escolha mais racional
Os veículos com motor 1.0, especialmente os equipados com turbo, são os campeões de revenda. A popularidade se deve à combinação de baixo consumo de combustível, menor custo de seguro e impostos mais acessíveis, como o IPVA. A demanda por eles é constante, o que facilita a venda e segura os preços.
Com a chegada dos motores 1.0 turbo, que entregam desempenho similar ou até superior a antigos 1.6 aspirados, essa preferência se consolidou. O consumidor consegue aliar a economia de um motor pequeno com uma performance que não decepciona na estrada, tornando essa a opção mais segura contra a desvalorização acentuada.
Motores 1.6: o equilíbrio que perdeu força
Houve um tempo em que os motores 1.6 eram vistos como o ponto de equilíbrio ideal entre desempenho e consumo. Contudo, esse cenário mudou drasticamente. Com a evolução tecnológica dos propulsores 1.0 turbo, os motores aspirados de cilindrada intermediária perderam muito de seu apelo.
Hoje, um modelo 1.6 aspirado frequentemente consome mais e anda menos que um 1.0 turbo moderno. Essa percepção fez com que a procura por eles diminuísse no mercado de usados, resultando em uma desvalorização mais rápida. Eles acabam ficando em um limbo, sem a economia dos 1.0 e sem o desempenho superior dos 2.0.
Motores 2.0: o preço do desempenho
Carros com motor 2.0 ou superior costumam ser os que mais perdem valor. O motivo é simples: o custo para mantê-los é significativamente mais alto. O consumo de combustível elevado, somado a apólices de seguro mais caras e peças de manutenção com preços maiores, afasta grande parte dos compradores de usados.
A não ser que se trate de um modelo esportivo ou de um nicho específico com alta procura, um sedã ou SUV com motor 2.0 tende a sofrer uma desvalorização bem mais acentuada que suas versões com motores menores. O prazer de dirigir proporcionado pela potência extra tem um custo alto na hora de passar o carro adiante.
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