Enquanto a Ford anuncia na Europa a nova Transit City elétrica, uma van compacta e moderna para o transporte urbano, o mercado brasileiro de veículos comerciais leves elétricos segue a passos lentos. A realidade por aqui é um contraste gritante: pouquíssimas opções, preços elevados e uma série de desafios que travam a eletrificação das frotas comerciais no país.
Apesar da promessa de custos operacionais mais baixos, com economia em combustível e manutenção, a transição para furgões e vans elétricas esbarra em barreiras práticas para a maioria das empresas e autônomos. Entender esses obstáculos é fundamental para compreender por que vemos tão poucos desses veículos nas ruas.
Custo elevado é o principal obstáculo
O principal fator que impede a popularização dos comerciais elétricos no Brasil é o preço de aquisição. Modelos disponíveis no mercado, como o Peugeot e-Expert, Citroën ë-Jumpy, Renault Kangoo E-Tech e BYD eT3, têm valores que partem de aproximadamente R$ 260 mil, podendo ultrapassar os R$ 350 mil.
Esses valores são significativamente mais altos que os de seus equivalentes a diesel. Um furgão de porte similar com motor a combustão tem um custo de aquisição significativamente mais baixo, o que torna o investimento inicial inviável para grande parte dos negócios. A conta do retorno financeiro a longo prazo simplesmente não fecha para quem precisa de capital para outras áreas da operação.
Infraestrutura e oferta limitada
A infraestrutura de recarga, embora em expansão, ainda é um ponto de atenção. Para uma empresa com frota, a solução é instalar carregadores em seu próprio pátio para recargas noturnas. No entanto, para o profissional autônomo ou para rotas mais longas e imprevisíveis, a dependência de eletropostos públicos pode gerar insegurança operacional.
Essa combinação de alto custo e infraestrutura em desenvolvimento resulta em uma demanda baixa, o que, por sua vez, desestimula as montadoras a ampliar a oferta de modelos no país. O mercado fica preso em um ciclo: sem demanda, não há mais opções; sem opções e preços competitivos, a demanda não cresce.
A ausência de incentivos fiscais mais robustos, direcionados especificamente para a compra de veículos comerciais elétricos por pessoas jurídicas, também contribui para manter o segmento restrito a um nicho. Assim, enquanto a Europa acelera, o Brasil continua a ver a eletrificação de suas frotas comerciais como uma realidade distante.
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