FALA, BORIS!

Big Boss da Ford preocupado com o terremoto que abala o setor

Mr Farley expõe a reviravolta de conceitos com profundas e inesperadas modificações no comportamental da indústria

Jim Farley presidente da Ford big boss terno azul
Jim Farley, presidente da Ford, comentou em recente entrevista que o setor não passa apenas por modificações, mas por um “terremoto” Bill Pugliano/AFP

O setor dos automóveis sempre passa, como todos os outros, por transformações que interferem diretamente no relacionamento e na postura de seus integrantes. Uma completa reviravolta, desde os processos de manufatura até as linhas de montagem que foram automatizadas e fábricas de autopeças que se instalaram sob o mesmo teto ou em suas proximidades.

O relacionamento fábrica/concessionário virou de ponta-cabeça e ninguém imaginava – 30 anos atrás – que um grupo econômico pudesse distribuir diversas marcas de automóveis. Nem que tantas fabricantes que concorriam ferozmente entre si viriam a se tornar mesma família sob uma única holding. E mais: até o conceito de concessionária está sendo questionado, principalmente com o definitivo ingresso da internet, que interfere no comércio de novos e usados. E na manutenção dos automóveis. Já se duvida até da real necessidade de uma rede de revendas autorizadas nos moldes atuais.

Durante dezenas de anos, as indústrias norte-americana e europeia comandaram o carshow até se curvarem diante do desenvolvimento dos países asiáticos.

Jim Farley, presidente da Ford, comentou em recente entrevista que o setor não passa apenas por modificações, mas, no momento, por um “terremoto”, tantos os novos conceitos que atingem toda sua infraestrutura.

A eletrificação é o principal destaque no tabuleiro destas movimentações, com foco no desenvolvimento de motores e baterias e na radical transformação das linhas de montagem. Acompanhada da proliferação de startups que vão marcando presença em cada atividade do setor e a introdução da inteligência artificial em decisões estratégicas.

Alguém imaginou, até um passado recente, que o consumidor pudesse colocar na balança a posse ou o uso de um automóvel? Pois, muitos fazem as contas e, preto no branco, se decidem pelo carro por assinatura. O pagamento mensal elimina investir no produto e perder em sua desvalorização. E numa fábula de despesas com impostos, taxas, seguros e manutenção. Além de contar com o rendimento mensal do capital poupado. E estar sempre ao volante de um carro zero quilômetro.

No mercado mundial, assim como japoneses e coreanos conquistaram espaço em algumas dezenas de anos, os chineses repetiram o processo numa velocidade muito maior e vão fincando bandeira em importantes mercados, inclusive no nosso: fábricas chinesas desembarcam por aqui, principalmente com veículos eletrificados, onde são pioneiros mundiais. (Elon Musk à parte…).

CEO da Ford fala também em guerra de preços

Mr. Farley, big boss da Ford, previu estar próxima uma guerra de preços entre os veículos elétricos e que sua empresa iria a curto prazo oferecê-los a partir de U$ 25 mil. Ela veio muito mais rápida: dias depois, a GM anunciou a venda de um novo Bolt, o mais barato elétrico do mercado, por US$ 26 mil, um desconto de U$ 6 mil em relação ao modelo anterior. Também no Brasil estão surgindo elétricos mais acessíveis: dois já anunciados são o Renault Kwid e Caoa Chery iCar, na faixa dos R$ 140 mil.

Até a comunicação do setor passa por uma convulsão com a mídia digital e redes sociais alterando rapidamente o processo de informar o mercado. A mídia impressa (jornais e revistas) está em plena decadência e cedeu espaço para a eletrônica. Jornalistas especializados tiveram de aderir ao digital para se manterem na ativa.

E ainda disputam espaço hoje com os “influencers”, pessoal sem nenhuma formação técnica ou preocupação com a credibilidade, mas que atingem milhões de seguidores em seus twitters e tik-toks da vida. Responsáveis pelas verbas publicitárias das fábricas acompanham surpresos esta rápida modificação da mídia, mas ainda sem uma definição objetiva de onde nem como aplicá-las.

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Mas um terremoto sempre vem acompanhado de outros: dá para imaginar a intensidade do golpe que será provocado com a chegada do carro autônomo? Ele irá muito além de quebrar as auto-escolas: os abalos mencionados por Mr Farley, da Ford, serão rebaixados (na Escala Richter) para leves tremores.

Melhor as empresas do setor revisarem e reforçarem a resistência de seus alicerces para evitar que a casa venha abaixo.