Nem todo seminovo disponível no mercado tem a mesma facilidade para encontrar um comprador. A diferença está na liquidez, conceito que mede a velocidade com que um carro consegue ser negociado. Em alguns casos, um veículo recebe propostas em dias, enquanto outro semelhante leva meses.
O cenário atual favorece esse movimento. Em julho, 1,75 milhão de veículos trocaram de proprietário, uma alta de 10,7% em relação a junho e de 2,6% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a julho, foram 10,83 milhões de transferências, crescimento de 7,7% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Fenauto.
Miguel Henrique Souza, CEO da Vaapty, explica que entender os fatores que determinam a liquidez é importante tanto para quem vende quanto para quem compra. "Liquidez é resultado de uma combinação de fatores. Não basta o veículo ser bom, ele precisa estar dentro de uma faixa de preço que tenha demanda, ter características valorizadas pelo consumidor e transmitir segurança", afirma.
SUVs entre os preferidos
A preferência do consumidor é um dos primeiros fatores. Atualmente, os SUVs ganharam espaço no mercado brasileiro, enquanto hatches e sedãs continuam atendendo consumidores que buscam economia, espaço ou baixo custo de manutenção. Entender a procura pelo tipo de veículo ajuda a definir a estratégia de venda.
“Um veículo que atende a uma necessidade muito comum do consumidor tende a ter um público maior. Mas mesmo dentro de uma categoria com bastante procura, é preciso considerar preço, conservação, versão e histórico”, explica o CEO.
Preço alinhado ao mercado
O preço é um dos principais fatores de liquidez. Um veículo anunciado muito acima de concorrentes semelhantes tende a permanecer mais tempo disponível. Por isso, o proprietário deve comparar carros considerando ano, versão, quilometragem e estado de conservação.
Para quem tem urgência, a intermediação profissional pode ser uma alternativa. “A intermediação reduz obstáculos que podem atrasar uma negociação. Existe um trabalho de vistoria, precificação, divulgação e suporte. Para quem não tem experiência, pode tornar a venda mais rápida”, afirma Souza.
Idade, quilometragem e conservação
A idade do veículo também influencia sua procura. Seminovos mais recentes costumam atrair quem busca características de um carro novo por um preço menor. A quilometragem, porém, não deve ser analisada isoladamente. Um carro com mais quilômetros rodados, mas com manutenção comprovada, pode ser mais interessante que outro com baixa quilometragem e histórico desconhecido.
“Hoje o consumidor consegue pesquisar muito antes de visitar um veículo. Por isso, conservação, histórico e transparência passaram a ter um peso ainda maior”, diz Souza.
Manutenção e peças
O custo para manter o veículo após a compra pode acelerar ou dificultar a venda. Carros com manutenção conhecida, ampla disponibilidade de peças e maior oferta de profissionais especializados tendem a gerar menos insegurança para o consumidor.
Segurança na negociação
A forma como a negociação é conduzida interfere no tempo para fechar o negócio. Empresas especializadas podem assumir etapas como anúncios, contatos, avaliação do veículo e documentação, conectando o vendedor ao comprador certo.
"Não se trata apenas de colocar o carro à venda. É preciso encontrar o comprador certo, no momento certo e com uma condição que faça sentido para os dois lados. A intermediação ajuda justamente a conectar essas duas pontas", explica o CEO da Vaapty.
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