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Renault Kwid 2027 fica mais moderno, mas mantém velhas limitações

Subcompacto ganhou painel digital, central multimídia maior e melhorias no acabamento, mas mantém motor 1.0 aspirado e espaço interno limitado

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Renault Kwid 2027
Renault Kwid 2027 Foto: RODOLFO BUHRER

O Renault Kwid chegou à linha 2027 com uma atualização importante para continuar competitivo entre os carros mais baratos do Brasil. Depois de quase dez anos de mercado, o subcompacto recebeu mudanças no visual, uma cabine completamente renovada e mais equipamentos de tecnologia. A principal evolução está justamente onde o modelo mais precisava melhorar: no interior. A mecânica, por outro lado, permanece a mesma, assim como algumas limitações que acompanham o carro desde seu lançamento, em 2017.

A versão avaliada é a Techno, intermediária da gama, que tem preço promocional de R$ 75.990. A configuração ocupa uma posição interessante na linha, ficando entre a Evolution, de R$ 71.090, e a Outsider, de R$ 84.890. Os valores são referentes à campanha de lançamento, enquanto os preços de tabela são de R$ 85.890 para a Techno. A Renault, portanto, tenta manter o Kwid como uma alternativa acessível para quem procura um carro zero-quilômetro, mesmo em um mercado no qual os preços dos modelos de entrada já ultrapassaram os R$ 70 mil.

Renault Kwid 2027
Renault Kwid 2027 Foto: RODOLFO BUHRER

Design e acabamento

A mudança mais evidente na parte externa está na dianteira. O Kwid 2027 ganhou um novo para-choque, com linhas mais marcadas, grade redesenhada e acabamento em preto brilhante, seguindo a identidade visual mais recente da Renault. O resultado é um visual um pouco mais robusto, que reforça a proposta de pequeno aventureiro adotada pelo modelo desde sua chegada ao Brasil.

Na traseira, as alterações são mais discretas. As lanternas mantiveram o formato original, mas agora contam com lentes transparentes e acabamento escurecido. A antena convencional também deu lugar a uma peça do tipo barbatana de tubarão. As mudanças não alteraram as proporções da carroceria, que continua com 3,72 metros de comprimento e 2,42 metros de entre-eixos. Ainda assim, a atualização foi suficiente para deixar o conjunto mais atual.

Renault Kwid 2027
Renault Kwid 2027 Foto: RODOLFO BUHRER

É no interior, porém, que a Renault realmente conseguiu fazer diferença. O painel foi redesenhado e agora abriga duas telas que mudam completamente a apresentação da cabine. O quadro de instrumentos digital tem 7 polegadas e está presente desde a versão de entrada. Já a central multimídia de 10,1 polegadas aparece a partir da Techno, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

A central, inclusive, é a mesma utilizada pelo Kardian e representa um salto considerável em relação ao equipamento anterior. A interface é mais moderna, a tela tem boa dimensão e a conectividade sem fio elimina a necessidade de manter o celular conectado por cabo durante todo o trajeto. O console central também foi reorganizado, com dois porta-copos e espaços mais bem aproveitados para guardar pequenos objetos. Há ainda duas entradas USB-C para os ocupantes.

Renault Kwid 2027
Renault Kwid 2027 Foto: Divulgação/Renault

O acabamento continua simples, com predominância de plásticos rígidos no painel e nas portas. Não seria razoável esperar materiais macios em um carro dessa categoria, mas a Renault conseguiu melhorar a percepção de qualidade com novas texturas, combinações de cores e detalhes decorativos. Na Techno, os bancos têm revestimento de tecido com desenhos em relevo e o nome da versão bordado. Uma faixa colorida atravessa o painel e aparece também em detalhes das portas, quebrando a predominância do preto. É uma solução simples, mas que deixa o ambiente menos básico.

Motorização e desempenho

Se por dentro o Kwid mudou bastante, debaixo do capô a história é outra. O modelo continua utilizando o motor 1.0 SCe flex de três cilindros, aspirado, com 999 cm³. São 71 cv de potência e 10 kgfm de torque com etanol, enquanto com gasolina os números caem para 68 cv e 9,4 kgfm. O câmbio é manual de cinco marchas e a tração é dianteira.

O conjunto não impressiona pela potência, mas o baixo peso do carro ajuda a compensar parte dessa limitação. Com apenas 818 kg em ordem de marcha, o Kwid consegue entregar respostas razoáveis no trânsito urbano. Nas arrancadas e em situações que exigem pequenas mudanças de velocidade, o motor dá conta do recado, principalmente quando o carro está com poucos ocupantes.

Renault Kwid 2027
Renault Kwid 2027 Foto: RODOLFO BUHRER

A situação muda quando há mais passageiros ou bagagem. Em subidas, retomadas e ultrapassagens, os 71 cv deixam claro que não há muita sobra de desempenho. É necessário reduzir marchas e manter o motor em rotações mais altas para conseguir respostas melhores. O câmbio manual de cinco velocidades acaba sendo bastante utilizado, especialmente em trajetos com aclives ou quando é preciso ganhar velocidade rapidamente.

Segundo a Renault, o Kwid acelera de zero a 100 km/h em 14 segundos e alcança velocidade máxima de 159 km/h. São números compatíveis com a proposta de um carro urbano, mas que também mostram por que o modelo não é a melhor opção para quem costuma viajar com frequência ou precisa de desempenho em rodovias.

Dinâmica e consumo

A Renault não promoveu alterações na estrutura ou no conjunto de suspensão para a linha 2027. Na dianteira, o Kwid utiliza sistema independente do tipo McPherson, enquanto a traseira conta com eixo de torção. A direção continua sendo elétrica, mas recebeu uma nova calibração, com um pouco mais de peso no volante. A mudança ajuda a transmitir uma sensação maior de firmeza quando o carro está em movimento, sem prejudicar as manobras em baixa velocidade.

Um dos pontos favoráveis do projeto é a altura livre do solo de 185 mm. A característica, combinada às dimensões compactas, permite enfrentar lombadas, valetas e ruas esburacadas sem grandes preocupações. A suspensão tem acerto relativamente firme, mas consegue lidar bem com as irregularidades mais comuns do asfalto brasileiro.

Na estrada, entretanto, o comportamento exige um pouco mais de atenção. A carroceria estreita e o baixo peso deixam o Kwid mais suscetível aos ventos laterais e ao deslocamento de ar provocado por caminhões e ônibus. Em velocidades mais elevadas, também fica evidente o esforço do motor, que trabalha em rotações altas e transmite mais ruído para a cabine. Acima dos 120 km/h, o isolamento acústico e a própria proposta do conjunto deixam claro que o subcompacto se sente mais à vontade na cidade.

O consumo continua sendo um dos principais argumentos de compra. No consumo o Kwid 2027 registou uma média de 12,4 km/l na cidade e 15,6 km/l na estrada com gasolina. O sistema Start & Stop, que desliga automaticamente o motor durante as paradas, também ajuda a reduzir o gasto de combustível no trânsito urbano.

Conforto, espaço e porta-malas

As dimensões reduzidas são uma vantagem na hora de circular por ruas estreitas e encontrar vagas, mas também cobram seu preço no espaço interno. O Kwid tem uma cabine estreita e acomoda melhor quatro ocupantes do que cinco. No banco traseiro, dois adultos conseguem viajar com um nível razoável de conforto, mas a presença de um terceiro passageiro compromete bastante a acomodação de todos.

O espaço para as pernas e para a cabeça é aceitável considerando o tamanho externo do carro, mas a largura é o principal limitador. Na dianteira, a posição de dirigir elevada ajuda na visibilidade e reforça aquela sensação de estar em um carro maior do que ele realmente é. Os bancos, entretanto, seguem uma construção simples, sem grandes possibilidades de ajustes ou recursos de conforto.

O porta-malas é um dos pontos positivos dentro da categoria. São 290 litros de capacidade, um volume interessante para um automóvel de apenas 3,72 metros de comprimento. Com os encostos traseiros rebatidos, a capacidade pode chegar a 1.100 litros. É o suficiente para as compras do supermercado, mochilas e bagagens menores, embora viagens com quatro ou cinco ocupantes exijam uma organização maior.

Segurança e equipamentos

A linha 2027 também trouxe melhorias importantes na lista de equipamentos. Todas as versões contam com quatro airbags, sendo dois frontais e dois laterais, além de controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas e monitoramento da pressão dos pneus.

A versão Evolution já oferece ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, sensor de estacionamento traseiro e painel digital de 7 polegadas. A Techno acrescenta câmera de ré, retrovisores elétricos, comandos de áudio no volante, central multimídia de 10,1 polegadas e duas entradas USB-C.

No topo da linha, a Outsider adiciona rodas de liga leve de 14 polegadas, barras de teto, molduras de proteção na carroceria, detalhes exclusivos de acabamento e acendimento automático dos faróis. A configuração tenta reforçar o visual aventureiro do Kwid, embora não traga alterações mecânicas em relação às demais versões.

Veredito

O Renault Kwid 2027 é uma evolução importante de um carro que já precisava de uma atualização na cabine. O novo painel, as duas telas, a conectividade sem fio e os detalhes de acabamento deixam o interior muito mais agradável e conectado. A Renault também conseguiu preservar os principais atributos do modelo, como baixo peso, consumo reduzido e facilidade de condução no trânsito urbano.

O problema é que a atualização não resolveu todas as limitações do projeto. O motor 1.0 continua tendo desempenho bastante modesto, o espaço interno é restrito e o acabamento ainda é simples. São características que fazem parte da proposta de um carro de entrada, mas que ficam mais difíceis de ignorar quando o preço da versão intermediária chega aos R$ 85.890 na tabela oficial.

Por R$ 75.990 na campanha de lançamento, a Techno se torna uma opção mais interessante, principalmente para quem procura o primeiro carro ou precisa de um automóvel econômico para o uso diário. O Kwid está mais moderno e equipado do que nunca, mas a Renault ainda tem trabalho pela frente para fazer seu subcompacto parecer tão competitivo por trás do volante quanto agora parece diante do painel.