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Mercedes-AMG SL 63 S: dirigir este conversível é uma experiência visceral

Conversível de R$ 1,75 milhão combina acabamento de altíssimo nível, tecnologia inspirada na Fórmula 1 e um V8 biturbo que entrega uma experiência difícil de explicar

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Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

O Mercedes-AMG SL 63 S é daqueles carros que praticamente dispensam apresentações. Ele fala por si só. Basta aparecer na rua para chamar atenção, principalmente pelo desenho baixo, largo e elegante de um verdadeiro Gran Turismo conversível. E olha que eu já dirigi carros interessantes, mas esse foi meu primeiro contato com um modelo realmente superesportivo e também um dos automóveis mais caros que já passaram pelas minhas mãos.

Hoje, o SL 63 S parte de R$ 1.755.900. É dinheiro suficiente para comprar um apartamento de luxo na cidade de São Paulo. E esse valor ainda pode subir bastante com a lista de personalizações e opcionais oferecidos pela Mercedes-AMG, que permite escolher diferentes cores de carroceria, rodas e combinações para o interior.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

Confesso que, quando fui buscar o carro, até pensei que não tinha roupa adequada para dirigir uma máquina dessas.

Um Gran Turismo que chama atenção

O SL 63 S tem aquele tipo de desenho que não precisa de exageros para ser percebido. É baixo, comprido e musculoso, mas mantém uma elegância típica dos grandes Gran Turismo europeus.

Com a capota aberta, então, fica ainda mais difícil passar despercebido. No meu caso, ela praticamente ficou aberta o tempo inteiro. E acho que combina muito com a proposta do carro. Você não está apenas dirigindo um esportivo, está vivendo a experiência de estar em um conversível.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

A posição de dirigir ajuda bastante nessa sensação. É um dos carros mais baixos que já dirigi. Você praticamente senta no assoalho e fica com a sensação de que o seu bumbum está a poucos centímetros do asfalto.

É uma posição extremamente esportiva e que eu particularmente gosto bastante.

Por dentro, o preço começa a fazer sentido

Se por fora o SL impressiona, por dentro ele mostra que não está tentando ser apenas um carro rápido.

O acabamento é digno de um automóvel desse preço. Forros de porta revestidos em couro, materiais de ótima qualidade e até o carpete em tom creme ajudam a criar aquela sensação de estar dentro de algo muito especial.

Os bancos também são um capítulo à parte. Além das memórias de posição, eles têm uma série de ajustes que permitem configurar praticamente tudo, desde o apoio lombar até a extensão para as coxas.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

E existe uma função que achei especialmente interessante por se tratar de um conversível: o sistema que joga ar quente na região do pescoço.

Pode parecer um detalhe, mas faz bastante sentido. Você está com a capota aberta, recebendo vento no rosto e no corpo, mas consegue manter o pescoço aquecido. É aquele tipo de equipamento que parece frescura até você experimentar.

O SL também é um 2+2, mas vamos combinar: os bancos traseiros estão muito mais para um espaço emergencial do que para levar adultos. Uma criança de até uns 10 anos consegue ocupar o espaço, mas não espere conforto para uma viagem longa.

Tecnologia até no volante

O painel é totalmente digital e trabalha em conjunto com a central multimídia, que oferece Apple CarPlay sem fio. Mas o mais interessante é que boa parte dos comandos importantes está literalmente nas mãos do motorista.

No volante existem comandos que permitem alterar os modos de condução e diferentes parâmetros do carro. É possível deixar a suspensão mais macia ou mais firme, por exemplo.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

Também dá para acionar o sistema de elevação da dianteira, levantando alguns centímetros a carroceria para encarar rampas e entradas de garagem sem raspar a frente.

E tem um botão que, para mim, é um dos mais divertidos: o controle do sistema de escapamento. Você pode abrir ou fechar as válvulas do escape. No meu caso, não preciso nem dizer qual foi a escolha. Andei com o difusor aberto praticamente o tempo inteiro.

Um V8 que faz os pensamentos tremerem

Mas nada disso é o grande protagonista do SL 63 S. O grande astro está debaixo do capô.

O conjunto é formado por um V8 biturbo 4.0 associado a um motor elétrico. O V8 entrega 612 cv e 86,7 kgfm de torque, enquanto o motor elétrico acrescenta 204 cv e 32,6 kgfm. A bateria tem 6,1 kWh e faz parte de um sistema híbrido de alta performance que utiliza tecnologias desenvolvidas pela Mercedes-AMG para a categoria máxima do automobilismo.

Tudo isso é aliado a um câmbio que faz as trocas de marcha mais rápidas do que o nosso pensamento.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

No modo Comfort, o SL consegue ser quase comportado demais para tudo o que tem debaixo do capô. O sistema híbrido permite que ele rode utilizando apenas o motor elétrico em determinadas situações e velocidades, chegando a algo próximo dos 70 ou 80 km/h dependendo das condições.

Você olha para aquele carro, sabe que existe um V8 biturbo ali e pensa: "É isso mesmo?" Até encostar um pouco mais o pé no acelerador, aí o V8 acorda, e acorda enfurecido!

O V8 acorda e acaba a brincadeira

O ronco é uma das primeiras coisas que impressionam. Com o escape aberto, o grave do V8 entra no ouvido de um jeito que chega a fazer você sentir a vibração no corpo.

Foi meu primeiro contato com um carro dessa potência e, de primeira, assusta. Não vou mentir. São números que impressionam no papel, mas que fazem muito mais sentido quando você está sentado atrás do volante.

O SL 63 S faz de 0 a 100 km/h em cerca de 2,9 segundos. Ou seja, estamos falando de um carro que consegue sair da imobilidade e chegar aos três dígitos em menos de três segundos.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

O launch control é simplesmente visceral. A patada de torque é tão grande que você realmente sente o corpo sendo empurrado contra o banco. É como se seus órgãos fossem para trás junto com você.

E o mais interessante é que essa brutalidade não aparece somente no launch control.

O motor elétrico ajuda muito na saída, entregando torque instantâneo. Conforme a velocidade aumenta, o V8 começa a entrar cada vez mais forte no jogo. Quando o giro passa dos 4.000 rpm e as duas turbinas começam a trabalhar intensidade, a conversa muda completamente.

Aí é salve-se quem puder!

A sensação é de estar em cima de um cavalo desgovernado, correndo a todo vapor, mas com a diferença de que você ainda consegue controlar a situação. É uma ligação muito abrupta. Uma coisa de outro mundo.

De confortável a praticamente um carro de pista

Outra coisa que me chamou muito a atenção foi o trabalho da suspensão.

No Comfort, ela poderia tranquilamente passar por uma suspensão de um carro convencional. Absorve bem as irregularidades e não transforma cada buraco em um evento traumático.

Mas basta colocar no modo Sport para a história mudar. Ela fica bem mais firme e você começa a sentir muito mais o que acontece no asfalto. No Sport+, então, a conversa é outra.

Mercedes-AMG SL 63 S
Mercedes-AMG SL 63 S Foto: Enrico Paladino/Vrum

A suspensão fica praticamente com comportamento de carro preparado para pista. É muito firme e transmite uma quantidade enorme de informação para quem está dirigindo.

A sensação que eu tinha era de que, se eu passasse por cima de uma formiga, provavelmente sentiria a formiga no volante.

E isso pode parecer exagero, mas é justamente essa comunicação que torna o carro tão interessante quando você começa a explorar suas capacidades.

Direção que aponta exatamente para onde você manda

Apesar de ser um carro relativamente grande, o SL 63 S transmite uma sensação de agilidade que surpreende. O comportamento é muito direto. Você vira o volante e ele aponta.

Não existe aquela sensação de o carro estar demorando para responder ao comando ou de você precisar ficar fazendo aquelas pequenas correções no volante para colocar a dianteira na trajetória. Ele simplesmente vai.

A direção conversa muito bem com o restante do conjunto e ajuda a criar uma sensação de que o carro tem entre-eixos muito menor do que realmente tem.

É um daqueles carros em que você começa a entender que não são apenas os números de potência e aceleração que fazem um esportivo ser especial.

Afinal, o que é o SL 63 S?

Essa é talvez a pergunta mais interessante depois de alguns quilômetros ao volante.

O Mercedes-AMG SL 63 S consegue ser um carro extremamente confortável quando você quer. Pode rodar no modo Comfort, usar a propulsão elétrica em determinadas situações, manter a suspensão mais macia e simplesmente passear com a capota aberta.

Mas também consegue se transformar completamente.

Você sai do modo Comfort, deixa o escape aberto, endurece a suspensão e coloca o pé no acelerador. Aí entram em cena os mais de 800 cv do conjunto e toda a tecnologia híbrida deixa de parecer um recurso voltado à eficiência para se transformar em uma máquina de entregar desempenho. E talvez seja justamente isso que mais tenha me impressionado.

O SL 63 S não é apenas um conversível de luxo e também não é simplesmente um superesportivo com capota que abre. Ele consegue ser os dois.

É um carro capaz de desfilar tranquilamente pela cidade, chamando atenção por onde passa, mas que também consegue entregar uma experiência de aceleração que realmente assusta.

E, depois de dirigir um carro desses pela primeira vez, fica difícil olhar para os números da ficha técnica da mesma maneira.

Porque 2,9 segundos de 0 a 100 km/h são apenas números. Sentir isso no banco é outra história!

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