Quem nunca viu um carro raro na rua e teve vontade de sacar o celular para tirar uma foto? A Toyota quer eliminar justamente esse movimento. Uma nova patente da montadora prevê um sistema capaz de descobrir para onde o motorista está olhando e usar as câmeras do próprio veículo para fotografar aquilo que chamou sua atenção.
O pedido de patente registrado nos Estados Unidos, identificado como US 2026/0261754 A1, combina uma câmera voltada para o motorista com os equipamentos instalados do lado de fora do carro. A primeira acompanha os movimentos dos olhos e da cabeça, enquanto as demais registram o ambiente ao redor.
Na prática, o sistema tenta cruzar as duas informações para descobrir qual objeto está no campo de interesse do condutor. Se um carro clássico aparecer no acostamento e chamar sua atenção, por exemplo, a tecnologia poderá identificar o veículo como o alvo do olhar.
Motorista não precisaria apontar o celular
Depois de identificar o objeto, a captura poderia ser acionada por meio de um botão ou comando de voz. A fotografia seria feita por uma das câmeras externas do veículo, sem que o motorista precisasse segurar ou apontar o celular.
A proposta também prevê que o arquivo seja enviado para um dispositivo móvel pareado ao automóvel. Dessa forma, a imagem poderia chegar diretamente ao smartphone do motorista em vez de permanecer armazenada no sistema do veículo.
A Toyota ainda imagina diferentes níveis de personalização. O usuário poderia estabelecer regras para determinados tipos de objetos, fazendo com que o sistema registre automaticamente aquilo que corresponda às suas preferências.
Carro pode descobrir o que interessa ao motorista
É nesse ponto que a patente fica mais complexa. Além de acompanhar o olhar, o sistema poderia levar em conta comportamentos anteriores e outras informações para tentar determinar o que é relevante para cada pessoa.
Entre os exemplos descritos no documento estão o histórico de imagens capturadas e dados obtidos a partir do celular. A patente chega a mencionar informações como histórico de navegação e registros relacionados à saúde como possíveis fontes para identificar interesses do usuário.
A possibilidade levanta uma discussão importante sobre privacidade. Quanto mais dados forem utilizados para definir o que o carro deve fotografar, maior será a quantidade de informações pessoais envolvidas no funcionamento do recurso.
Tecnologia usa recursos que já estão nos carros
A proposta não parte necessariamente de um conjunto completamente novo de equipamentos. A Toyota já trabalha com câmeras internas capazes de monitorar o comportamento e a atenção do motorista.
A patente utiliza essa tecnologia com outra finalidade. O rastreamento do olhar, combinado às câmeras externas usadas em sistemas de assistência à condução, serviria para localizar objetos observados pelo motorista e direcionar a captura para eles.
Além da praticidade, a justificativa está ligada à segurança. A ideia é evitar que uma cena interessante leve o condutor a pegar o celular, abrir a câmera e tentar enquadrar o objeto enquanto dirige.
Por enquanto, porém, o recurso está apenas no papel. O registro da patente não significa que a Toyota tenha decidido colocá-lo em produção, e a montadora não confirmou nenhum modelo equipado com o sistema.
• Assista aos vídeos do VRUM no YouTube e no Dailymotion!