Aquela nota de cinco estrelas em segurança que você vê na ficha técnica de um carro novo não surge por acaso. Ela é o resultado de um processo rigoroso, que envolve colisões controladas e uma análise detalhada feita por organizações independentes, como o Latin NCAP, o programa de avaliação para a América Latina e o Caribe.
Esses institutos compram os veículos de forma anônima em concessionárias, garantindo que o modelo testado seja exatamente o mesmo que o consumidor encontra nas lojas. O objetivo é simular os acidentes mais comuns e avaliar como a estrutura do carro e seus sistemas de segurança protegem os ocupantes e também os pedestres.
Como funcionam os testes?
Os carros são submetidos a uma série de colisões em laboratório, com velocidades e condições padronizadas para permitir a comparação entre diferentes modelos. Dentro deles, são posicionados manequins de teste, conhecidos como "dummies", repletos de sensores que medem as forças G e os possíveis danos em partes críticas do corpo.
Os principais ensaios incluem:
Impacto frontal: o veículo colide a 64 km/h contra uma barreira deformável, atingindo 40% da parte dianteira. Esse teste avalia a integridade da cabine e a eficácia de itens como airbags e cintos de segurança.
Impacto lateral: uma barreira móvel, pesando 1.400 kg, atinge a lateral do carro a 60 km/h. Aqui, a proteção oferecida pela estrutura das portas e pelos airbags laterais e de cortina é fundamental.
Impacto lateral de poste: considerado um dos testes mais severos, o carro é lançado de lado contra um poste a 32 km/h em um ângulo de 75°. Ele simula a colisão contra uma árvore ou poste e é crucial para avaliar a proteção da cabeça dos ocupantes.
Proteção de pedestres: são realizados testes de impacto em pontos específicos do capô e do para-choque para medir os danos que seriam causados na cabeça e nas pernas de um pedestre em caso de atropelamento.
Além da lataria: a era da tecnologia
Hoje, a resistência estrutural do veículo é apenas uma parte da equação. Os sistemas de assistência ao motorista (ADAS) ganharam um peso enorme na avaliação final. Itens como o controle eletrônico de estabilidade (ESC) e, principalmente, a Frenagem Autônoma de Emergência (AEB) são essenciais para uma boa nota.
Um carro pode ter uma estrutura robusta, mas se não oferecer tecnologias capazes de evitar ou mitigar um acidente, sua pontuação será limitada. A nota final, expressa em estrelas (de zero a cinco), é uma média ponderada de quatro áreas: proteção para ocupante adulto, ocupante infantil, proteção de pedestres e sistemas de assistência à segurança.
Os critérios de avaliação são atualizados periodicamente para acompanhar a evolução da segurança veicular. Em 2026, o Latin NCAP implementou um protocolo mais rigoroso com testes mais severos, e os dados apresentados nesta reportagem refletem essas novas exigências. Essa atualização constante significa que um carro cinco estrelas de anos atrás poderia não alcançar a mesma nota hoje, incentivando uma melhoria contínua na indústria.
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