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E se uma supertempestade solar atingisse a Terra? Os carros parariam?

Eventos solares extremos inspiram cenários de ficção, mas a ciência aponta para outros riscos. Entenda o que aconteceria com os veículos em um evento histórico

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Sem energia elétrica, até mesmo abastecer carros a combustão se torna impossível em caso de apagão generalizado.
Sem energia elétrica, até mesmo abastecer carros a combustão se torna impossível em caso de apagão generalizado. Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

Imagine o cenário: uma tempestade solar com a intensidade do histórico Evento de Carrington, de 1859, atinge a Terra. Seria o fim da mobilidade como a conhecemos? Embora alertas sobre atividade solar sejam comuns, é crucial separar a ficção científica da realidade.

O que realmente acontece em uma tempestade solar severa?

Diferente do pulso eletromagnético (PEM) gerado por uma explosão nuclear, que pode de fato fritar circuitos eletrônicos, uma tempestade solar severa causa outro fenômeno: as Correntes Geomagneticamente Induzidas (GIC). Essas correntes de baixa frequência percorrem longos condutores, como linhas de transmissão de energia e oleodutos.

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O principal risco, portanto, não é para os componentes eletrônicos do seu carro, mas para a infraestrutura que o sustenta. Eventos históricos, como a tempestade de 1989 que causou um apagão em Quebec, no Canadá, mostraram que o alvo principal são os grandes transformadores da rede elétrica. A eletrônica automotiva, por ter circuitos curtos e ser relativamente isolada dentro de uma estrutura metálica (gaiola de Faraday), possui uma proteção natural contra os efeitos diretos das GICs.

O verdadeiro colapso: a falha da infraestrutura

Se os carros não seriam “desligados” instantaneamente, qual o problema? O caos viria de forma indireta. Um apagão generalizado e prolongado, causado pela queima de transformadores, paralisaria a sociedade moderna.

  • Postos de combustível: As bombas de gasolina são elétricas. Sem energia, não há como abastecer carros a combustão.

  • Veículos elétricos: Sem rede elétrica para recarga, se tornariam inúteis assim que suas baterias acabassem.

  • Sistemas de navegação: Tempestades solares podem danificar satélites, afetando severamente os sinais de GPS.

  • Trânsito: Sem semáforos, as cidades enfrentariam um colapso logístico imediato.

Nesse cenário, tanto um Fusca de 1970 quanto um moderno carro elétrico enfrentariam o mesmo destino: ficariam parados por falta de combustível ou energia. A discussão não é sobre qual carro sobreviveria ao pulso inicial, mas sobre como nossa sociedade dependente de uma rede elétrica vulnerável manteria qualquer tipo de mobilidade. A verdadeira lição das supertempestades solares é a fragilidade não dos nossos veículos, mas da infraestrutura que os alimenta.