Saiba o que a Renault fez para melhorar a nota da família Sandero no Latin NCAP

Sandero, Logan e Stepway fabricados até 10 de dezembro ganharam apenas uma estrela na proteção aos adultos, mas marca fez modificações no projeto e ampliou a nota para três estrelas, o que ainda está longe do ideal

Saiba o que a Renault fez para melhorar a nota da família Sandero no Latin NCAP Sandero, Logan e Stepway fabricados até 10 de dezembro ganharam apenas uma estrela na proteção aos adultos, mas marca fez modificações no projeto e ampliou a nota para três estrelas, o que ainda está longe do ideal

 

Impacto frontal dos modelos fabricados a partir de 10 de dezembro de 2019: a proteção oferecida à cabeça e ao pescoço do motorista e do passageiro foi boa. O peito do motorista mostrou proteção marginal e o do passageiro, adequada. Os joelhos do motorista apresentaram proteção marginal, pois sofrem risco de impactar com estruturas perigosas na área atrás do painel. Os joelhos do passageiro mostraram proteção boa a marginal, pois apresentam risco de impacto com estruturas perigosas na área atrás do painel. A área dos pés é estável e mostrou deformação insignificante. A estrutura do habitáculo foi considerada instável

O Latin NCAP (Programa de Avaliação de Veículos Novos para a América Latina e o Caribe) divulgou os resultados de mais uma rodada de testes de impacto. O mais curioso envolve os modelos Renault Sandero, Logan e Stepway, que, em um primeiro teste, alcançaram a pontuação de uma estrela (de cinco possíveis) para a proteção a adultos e quatro estrelas para a proteção infantil. O desempenho foi uma surpresa negativa, já que os modelos trazem de série airbags frontais e laterais, além de controle de estabilidade (no caso das unidades testada pelo Latin NCAP).

A partir do primeiro resultado, a Renault aperfeiçoou o projeto dos veículos para uma segunda bateria de testes, quando obteve a não muito melhor avaliação de três estrelas para adultos e quatro para crianças. E tem mais polêmica. É que, além do Brasil, esses modelos são produzidos na Argentina e na Colômbia, que ganharam a mesma nota dos veículos brasileiros. Porém, segundo o instituto de segurança, com base no teste de colisão, os veículos fabricados na Colômbia oferecem mais proteção aos ocupantes.

De acordo com o Latin NCAP, existem três diferenças principais entre os modelos Mercosul e os colombianos. O primeiro é o tamanho e forma dos airbags laterais, que no caso dos veículos colombianos trazem volume de 22 litros e maior área de cobertura, oferecendo uma proteção mais robusta em comparação com os airbags das versões produzidas na Argentina e no Brasil, que têm 18 litros e área mais restrita. A segunda diferença constatada foi que os veículos fabricados na Colômbia mostraram uma intrusão estrutural um pouco menor no teste de impacto lateral. “É provável que os motivos se devam a diferenças de materiais e/ou diferenças nos processos de produção”, afirma o Latin NCAP.

Impacto lateral dos modelos fabricados a partir de 10 de dezembro de 2019: o veículo mostrou uma grande intrusão, oferecendo boa proteção para a cabeça, proteção adequada para a pelve e abdome e fraca para o tórax

A versão fabricada na Colômbia ainda traz uma estrutura diferente dos bancos dianteiros que, na análise do Latin NCAP, aparentam maior robustez. “Os veículos fabricados na Colômbia oferecem uma cópia dos sistemas de retenção de impacto lateral do modelo europeu (Dacia), enquanto os sistemas de retenção de impacto lateral dos veículos fabricados no Mercosul são uma versão modificada, com pior proteção”, afirma o comunicado do instituto de segurança veicular, que ainda questiona a necessidade da Renault ter uma estrutura diferente e desenvolvimento de sistemas de retenção para carros produzidos no Mercosul, “quando eles estavam cientes de que a versão de retenção para veículos fabricados na Colômbia demonstrou sistemas robustos de retenção para melhor proteção”.

Impacto lateral de poste dos modelos fabricados a partir de 10 de dezembro de 2019: o veículo apresentou boa proteção para a cabeça e pelve, marginal para o abdome e pobre para o peito

O QUE MUDOU? De acordo com a Renault, o sistema de segurança da família Sandero 2020 passou por evoluções sutis, que não se referem a estrutura nem aos airbags laterais que já vinham sendo utilizados. Em relação às especificações técnicas entre o modelo produzido na Colômbia e no Brasil, o fabricante esclarece que as pequenas diferenças existentes são em função dos fornecedores locais de cada país, como é prática de vários fabricantes. “É importante ressaltar que tais diferenças não alteram os resultados de proteção aos ocupantes, que são os mesmos independentemente da locação produtiva”, afirmou em nota o fabricante.

De qualquer maneira, após sua reestilização, lançada no Brasil no fim de julho, a família Sandero 2020 tem duas notas de segurança: os modelos produzidos no Brasil até 10 de dezembro (com VIN até 93Y5SRZ85LJ319432) são extremamente mal avaliados (uma estrela para adultos e quatro para crianças) pelo Latin NCAP, o que pode comprometer seu desempenho no mercado de usados, transformando-se no temido mico. A partir desse VIN e data, os resultados são um pouco melhores, três estrelas para adultos e quatro para crianças.

RESULTADOS Comparando os diagramas de danos dos dummies dos veículos que receberam uma estrela de proteção aos adultos com os veículos que receberam três estrelas, constatamos que existem apenas duas diferenças, mais precisamente no crash lateral: uma leve melhoria da proteção ao peito do ocupante, que foi de "pobre" para "fraco"; e a proteção à pelve, que caiu de "bom" para "adequado". Questionamos o Latin NCAP a respeito dessa discreta evolução, que elevou a avaliação do modelo em duas estrelas.

No primeiro crash lateral, proteção ao peito teve classificação ‘pobre’, o que significa níveis mais graves de lesão e risco de vida
No segundo crash lateral, a proteção foi ‘fraca’, mudança pequena, mas que permitiu elevar a classificação para três estrelas

De acordo Alejandro Furas, Secretário Geral do Latin NCAP, essa mudança do peito de vermelho para marrom é uma mudança dramática. “Um peito vermelho é um peito que mostra níveis mais graves de lesão do que a ONU permite, e significa alta probabilidade de lesões, com risco de vida. Já um peito marrom está abaixo do número máximo de lesões permitidas pela ONU”, explica Fujas. Sobre as estrelas de clasificação, no protocolo do Latin NCAP, caso qualquer parte do corpo considerada crítica (peito, pescoço, cabeça, abdômen ou pelve) estiver vermelha, a classificação máxima será de uma estrela, independentemente da pontuação.