Rodas e argolas: conheça curiosidades na relação entre carros e Olimpíadas

Londres já está pronta para as Olimpíadas, que começam sexta-feira. Embora sejam associados ao máximo que o potencial humano pode chegar, os Jogos reservam opções para aqueles que não quiserem gastar muitas calorias. Como outras Olimpíadas, o evento londrino não deixará de usar uma enorme frota de automóveis. E não é que tem tudo a

Londres já está pronta para as Olimpíadas, que começam sexta-feira. Embora sejam associados ao máximo que o potencial humano pode chegar, os Jogos reservam opções para aqueles que não quiserem gastar muitas calorias. Como outras Olimpíadas, o evento londrino não deixará de usar uma enorme frota de automóveis. E não é que tem tudo a ver? A coluna Rolimã deste domingo traz algumas curiosidades que existem na relação entre veículos e Olimpíadas.

FUMACÊ PROIBIDO Em Londres, a BMW vai colocar uma frota de modelos elétricos e híbridos para auxiliar no evento. Por incrível que pareça, os carros elétricos fazem parte da tradição olímpica há cerca de 40 anos. A própria BMW usou um do tipo nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972, evento marcado por um atentado terrorista. Os maratonistas foram dos poucos que respiraram aliviados: um BMW 2002 elétrico foi o carro madrinha, graças ao uso de um jogo extra de baterias para ampliar a autonomia. Os atletas deram sorte de os Jogos terem sido realizados na Alemanha Ocidental. Imaginem só se fosse na porção oriental e se um Trabant tivesse sido escolhido para a mesma função. Haja fôlego.

MODA DAS ANTIGAS? Claro que, quando se pensa em Olimpíadas, não é difícil vir à mente o símbolo das argolas entrelaçadas, que fazem sucesso também na grade dos Audis. Só que a marca alemã não foi arrebatada pelo espírito olímpico, como bem provam as quatro argolas alinhadas de forma diferente do original, surgido 20 anos antes, com cinco argolas. Os círculos unidos simbolizam a Auto Union, criada em 1932 com a união das marcas Audi, DKW, Horch e Wanderer. Foram-se os outros dedos do grupo, mas ficaram as argolas.

JOGADA DE MARKETING Isso não quer dizer que outras marcas não estejam associadas ao espírito olímpico. Como todo evento repleto de cotas e mais cotas de patrocínio, os Jogos são repletos de patrocinadores sobre rodas. A BMW é a bola da vez e foi escolhida por atender os requisitos dos organizadores, que desejavam uma frota de baixas emissões. Esperta, a marca alemã vai aproveitar para propagandear a sua nova linha i, de baixas emissões. E, de quebra, vai fazer o lançamentos de bicicletas elétricas e scooters. A frota terá cerca de quatro mil carros elétricos, híbridos e a diesel. Mas a moda é antiga. A Opel, em 1935, lançou o Olympia, cujo nome remetia de cara aos polêmicos Jogos de Berlim de 1936, em pleno regime nazista. Fez sucesso, com mais de 150 mil carros vendidos até a paralisação de 1940. Os marqueteiros já faziam sucesso na época.

EDIÇõES LIMITADAS Nos próprios Jogos de Munique, a BMW apresentou um conceito criado especialmente para a ocasião: o Turbo, o belo cupê de portas do tipo asa de gaivota. Porém, as séries especiais são mais comuns. Até no Brasil. Em 1984, em homenagem às Olimpíadas de Los Angeles, a Volkswagen criou uma série especial do Voyage com o nome da cidade. Era uma época mais conturbada. Em razão da invasão do Afeganistão pela URSS, os Estados Unidos de Jimmy Carter e um grupo de países se recusou a participar das Olimpíadas de Moscou de 1980. Para convencer a Alemanha a participar, o governo soviético pensou em dar para o chanceler germânico um Lada Niva.

 

 

 

Será que convenceria um cara acostumado a carros só um “pouquinho” melhores? O fato é que a Alemanha participou dos Jogos russos, só que a URSS passou os Jogos de Los Angeles. Em pensar que, quando a Chevrolet lançou o Monza Barcelona referente ao evento espanhol de 1992, a União Soviética já tinha dado adeus em 1991. A VW ainda lançaria o Gol e Parati Atlanta em 1996. E não é nem preciso dizer que os Jogos do Rio de 2016 vão botar os departamentos de marketing dos fabricantes para trabalhar.

CARRINHO QUE NADA  Achou o máximo os carros criados especialmente para os Jogos? Ainda não viu nada. A despeito da indústria automotiva já fortalecida no período, o Japão achou que um automóvel não seria suficiente. Ao menos diante do veículo que eles estrearam na época das Olimpíadas de Tóquio de 1964. Pouco antes do evento, o país colocou nos trilhos o primeiro Shinkansen, o famoso trem-bala. Naquela época, os trens já iam da capital até Osaka a até 210km/h, mas não demorou muito para o limite subir. Para se ter uma ideia, a linha de trens de levitação magnética de Xangai, China, já chegou aos 431km/h. Só mesmo um Bugatti Veyron SS para segui-lo. O japonês lançou moda e está aí até hoje, em versões aperfeiçoadas.