De São José dos Pinhais (PR) - O Clio Sedan nunca chegou a ser um sucesso de vendas no Brasil. Mas, nos últimos anos, vinha perdendo muito terreno para os concorrentes. Em 2008, foram vendidas apenas 4.421 unidades. Embora tenha uma boa base mecânica, o modelo recebia muitas críticas pelo seu design, com linhas pouco equilibradas entre a frente e a traseira. Como solução, a Renault então resolveu criar outro modelito para o sedã, com ar mais moderno e integrado à nova filosofia de design da marca, mas mantendo o bom conjunto mecânico, tão elogiado na linha Clio e em outros modelos Renault. O resultado é o Symbol, que assim como o Clio Sedan, também é produzido na fábrica de Córdoba, na Argentina, e exportado para outros países latino-americanos. O carro também é vendido na Europa oriental e na Ásia.

Roupa nova
Como o Clio Sedan não tem visual arrebatador, a Renault resolveu optar pelo caminho mais longo, o de criar uma nova carroceria, do que partir para uma simples reestilização (mudanças de faróis, grade, lanternas e para-choques), como as montadoras fazem na maioria das vezes. E, embora use praticamente a mesma plataforma do antecessor, o Symbol tem carroceria totalmente nova. A ideia era aproveitar para dar também um ar mais sofisticado ao carro e deixá-lo com o DNA da marca. Isso fica evidente na barra cromada, acima da grade frontal. Os faróis espichados, entrando pelo para-lama, lembram os do Sandero, mas são um pouco diferentes. Com a parte da frente pintada de preto, a tomada de ar parece maior do que é.
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Esticando
De perfil, fica mais fácil perceber a herança do Clio Sedan. Como o Symbol tem o mesmo entre-eixos (2,47m), e a Renault queria criar um modelo um pouco maior, a solução foi "esticar" o carro em comprimento (4,26m), deixando-o com maior balanço (a sobra da carroceria que fica depois de cada eixo). A largura (1,67m) e a altura (1,43m) permanecem praticamente as mesmas. Por isso, o importante foi a mudança de estilo: a linha do teto tem uma caída um pouco mais suave e a área envidraçada ficou maior. Com a ajuda de retrovisores de bom tamanho, a visibilidade é boa em todas as direções. De lado, ainda se destacam as rodas de liga, com desenho bem bonito e atual, mas só disponíveis para a versão Privilège. A traseira também segue o ar mais sóbrio, com lanternas que remetem ao Mégane, o sedã topo de linha da marca no Brasil. O espaço interno é o mesmo do Clio Sedan (banco traseiro acomoda com conforto apenas dois adultos), assim como o porta-malas (de 506 litros), que perdeu apenas quatro litros, e continua com bom espaço, mas com profundidade que o torna pouco prático.
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Interior
O acabamento tem o mesmo padrão Renault, misturando diversos tons de cinza com preto e alguns detalhes de plástico imitando metal (como a barra no painel do lado do passageiro). O painel tem novo desenho, mais moderno e funcional. Os controles dos vidros dianteiros agora estão na posição certa (no descansa-braço da porta), mas os de trás continuam numa posição ruim (no final do console). Volante de três raios tem boa pega e coluna de direção regula apenas em altura. Mas, com a regulagem de altura do banco, o motorista encontra fácil uma boa posição de dirigir. Pontos negativos: porta-copo não tem altura para comportar uma garrafa de água mineral; e falta apoio de cabeça central no banco traseiro.
Mesma base
Um dos pontos positivos do carro é, com certeza, o motor: é o mesmo 1.6 16V Hi-Flex do Clio e desenvolve 110 cv (gasolina) e 115 cv (álcool). Aliado ao mesmo câmbio, que tem relações de marcha bem definidas e engates precisos, o propulsor, mesmo sendo multiválvulas, tem bom torque em baixa, o que possibilita boas retomadas de velocidade e evita constantes trocas de marcha. Mas o nível de ruídos de funcionamento é um pouco alto, e incomoda acima das 4.000 rpm. A suspensão também é a mesma, e recebeu apenas nova calibragem, em função da mudança de carroceria e do peso (1.045 quilos). A direção é um pouco dura em manobras. Dados de fábrica: velocidade máxima de 186 km/h (gasolina) e 187 km/h (álcool); e aceleração até 100 km/h em 10,1s (gasolina) e em 9,9s (álcool).
Preços
O Symbol chega amanhã às concessionárias e será vendido em duas versões, Expression (R$ 41.190) e Privilège (R$ 44.490), ambas com airbag duplo, ar-condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos de série. Freios ABS estão disponíveis como opcional para as duas versões, ao preço de R$ 1.500. Detalhe: preços com redução do IPI, que pode acabar este mês.
(*) Jornalista viajou a convite da Renault do Brasil