Renault Kwid ganha nota zero em segurança

Compacto que será fabricado no Brasil tira nota zero em teste de colisão do Global NCAP, mostrando que o projeto destinado a mercados emergentes é frágil

Renault Kwid ganha nota zero em segurança Compacto que será fabricado no Brasil tira nota zero em teste de colisão do Global NCAP, mostrando que o projeto destinado a mercados emergentes é frágil
O primeiro Kwid jogado contra a parede na Índia não tinha airbags e a estrutura demonstrou fragilidade absurda

Confirmado para o Brasil na última sexta-feira 13 (olha a data!), o compacto Renault Kwid acaba de ter sua qualidade estrutural questionada. O modelo foi submetido a testes de impacto pelo Global NCAP e os resultados foram péssimos. De cinco estrelas possíveis, o modelo obteve nota zero para proteção aos adultos e nota dois para as crianças. Ainda que esses resultados sejam válidos apenas para o mercado indiano, liga-se um alerta quanto à segurança do modelo que será fabricado no Brasil a partir de 2017.

Para o teste de colisão foram usadas três unidades do Kwid: duas sem airbags e uma equipada com bolsa inflável apenas para o motorista. Nos modelos sem airbag, a proteção para cabeça e peito do motorista foi classificada como pobre. Para o passageiro a preocupação é com a região do tórax. Uma estrutura do painel compromete a proteção aos joelhos de ambos os ocupantes. No veículo equipado com airbag, a melhoria se deu apenas para a cabeça e pescoço do condutor, mantendo-se os demais resultados ruins. Na proteção às crianças, o alerta fica para o passageiro de três anos, cujo assento se deslocou muito. A análise biomecânica aponta que os danos a esse passageiro seriam graves.

A avaliação estrutural após o impacto mostrou que a carroceria é instável. Há pouco mais de um ano à venda no mercado indiano, o Kwid já passou por três modificações. Um dos modelos que participaram do teste é o primeiro comercializado na Índia (justamente o mais vendido), que não teve qualquer melhoria estrutural. Nesse veículo é possível observar a fragilidade da carroceria, com danos evidentes na porta, soleira e coluna A. Já os outros dois veículos que foram jogados contra a parede receberam duas modificações, ambas visando a melhoria da estabilidade estrutural. Ainda que a carroceria desses veículos tenha sido avaliada como instável, é possível constatar um avanço.

A segunda unidade usada no crash teste, com bolsa inflável, melhorou a proteção para cabeça e pescoço do motorista

NO BRASIL De acordo com a Renault do Brasil, o Kwid que será fabricado aqui passa por um desenvolvimento voltado para o mercado local no Renault Technology America. “A estratégia da Renault prevê a utilização de plataforma mundial em seus modelos, mas com desenvolvimentos específicos para cada mercado”, afirma a marca francesa. O fabricante garante que, em termos de segurança, o modelo atenderá à legislação brasileira, trazendo de série equipamentos como freios ABS e airbags frontais. O que preocupa é que a Renault não falou nada sobre aprimorar a estrutura do veículo, que é primordial para a segurança dos ocupantes. Não adianta ter airbags e freios ABS se o habitáculo permite a intrusão de algum objeto.