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Recreação - Na estrada, sem sair de casa

Motorhome é opção para viagens longas e seus usuários têm opção de alternar roteiro durante percurso. Pouco difundido no Brasil, legislação limita quem pode dirigi-lo

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Motorhome é composto basicamente por sala, cozinha, banheiro e quarto de casal

João Montsserrat - Estado de Minas

Viajar é sinônimo de liberdade. Quem não se lembra do filme Easy Rider - Sem Destino, em que dois motoqueiros de mochila nas costas, ou melhor, na garupa da moto, saem em busca de aventura e auto conhecimento pelos Estados Unidos no auge da contracultura? Entretanto, se hoje as motos são pouco utilizadas para esse tipo de aventura, ou até se tornaram obsoletas, pois limita o número de viajantes em no máximo dois, um tipo de veículo que é muito usado pelos estadunidenses e europeus, porém ainda pouco difundido no Brasil, pode garantir a diversão de toda a família ou galera. Trata-se do motorhome, veículo recreacional que pode levar um número significativo de pessoas para um mesmo lugar, ou diversos, proporcionando aos viajantes a experiência de não sair do aconchego do lar. É, literalmente, uma casa sobre rodas.

De acordo com Luiz Edgar Tostes, diretor da Associação Brasileira de Campismo (Abracamp), que desde 1972 dirige trailer, já teve três, e motorhomes - está com seu segundo -, o veículo recreacional é encontrado nos mais diversos tamanhos e preços. Basicamente, um motorhome é composto de sala, logo na entrada, cozinha, um banheiro e um quarto de casal e pode acomodar, confortavelmente, de quatro a seis pessoas. Nos maiores, varia a disposição interna, mas, normalmente, contam também com uma sala de refeição e ainda outro espaço com sofá ou duas poltronas. Dependendo da distribuição, o espaço interno também fica maior ou menor. Tostes afirma ainda que por menor que seja o motorhome, todos eles são completos, variando apenas o valor, de acordo com o tamanho. "Tem de todo preço. Os dos novos variam de R$ 60 a R$ 230 mil. Usado, mais antigo, é possível achar até por R$ 30 mil", afirma.

Queixa
Uma das queixas do diretor da Abracamp é a legislação de trânsito brasileira, que, segundo ele, atravanca a popularização dos motorhomes no país. "A legislação impõe que para dirigi-lo é preciso ter carteira C ou D, que é a de motorista de ônibus", explica. Tostes diz ainda que em localidades como Estados Unidos, Canadá e na Europa, que não fazem restrições para direção de motorhomes como as feitas no Brasil, o uso do veículo recreacional é hábito comum, tanto para os habitantes locais como por turistas. "Para se ter uma idéia, na última Copa do Mundo - Alemanha, em 2006 -, que foi realizada em julho, em janeiro já não tinha mais motorhome para alugar. As pessoas se locomoviam para os locais dos jogos. Com a limitação de carteira, não tem empresa de locação no Brasil. Nos Estados Unidos tem empresa que tem 3 mil motorhomes e a locação é principalmente para estrangeiro. Aqui não tem como, porque eles não têm esse tipo de carteira. Pode alugar com motorista, mas quem quer alugar com motorista? Isso cria limitações, mas o mercado está crescendo", avalia.

Incomparável
Para Tostes, viajar de motorhome não pode ser comparado a nenhuma outra forma, seja carro, trem ou avião. "Dá liberdade, acho isso muito importante. É uma forma de viajar que une a família. Cada um tem uma atividade e faz-se tudo junto. É uma grande confraternização, um estilo de vida completamente diferente de viajar normalmente", afirma. Ele avalia também que, seja a viagem de curta ou longa duração, o motorhome é pau para toda obra. "É uma casa rodante. A forma de organizar a viagem é que é diferente", finaliza.