Comprar um carro médio a preço de compacto? Pode parecer uma proposta pouco realista mas, com alguma pesquisa, é possível encontrar boas ofertas. Não se trata de nenhum negócio da China. O que ocorre é uma distorção. Como os compactos são as grandes vedetes do mercado nacional, as montadoras fazem várias versões ou disponibilizam um grande número de opcionais. Na outra ponta, boa parte dos médios já sai de fábrica com o famoso trio “ar, vidro e direção”, os equipamentos mais cobiçados no mercado nacional.
Para verificar a diferença, simulamos, nas páginas da internet das próprias montadoras, o preço de modelos médios e compactos com o mesmo nível de equipamento. Os carros foram cotados com pintura sólida, ar-condicionado, vidros e travas elétricos e direção hidráulica. Quando algum desses equipamentos não equipa o modelo médio, foi acrescentado como opcional. Caso o modelo de base do carro médio tivesse mais equipamentos, mesmo na versão mais básica, os mesmos itens foram acrescentados aos compactos.
Quase igual
Os carros da Chevrolet foram os que tiveram a menor diferença na tabela. A versão mais barata do Astra, a Advantage, custa R$ 46.490 na carroceria hatch quatro portas e R$ 49.450, o sedã. Ambos são equipados com motor 2.0 flex, que desenvolve 121 cv com gasolina ou 128 cv com álcool. Como o modelo vem com rodas de liga leve, a comparação foi feita com a versão Premium do Corsa, que também tem rodas de alumínio de série. Os preços são R$ 45.583 e R$ 47.907, para o Corsa hatch e sedã, respectivamente, uma diferença de apenas R$ 907 para o hatch e de R$ 1.543, no caso do três volumes.
Na seqüência, a menor diferença está nos preços da Ford. No Focus GL 1.6, vidros e travas são opcionais, e o preço do hatch com os equipamentos é de R$ 44.420. O Fiesta 1.6 flex, com nível semelhante de itens, sai por R$ 41.230. No caso do sedã, a diferença é maior porque a versão mais básica do Focus três volumes é a GLX, mais equipada, inclusive com rodas de liga, e custa R$ 48.380. O Fiesta sedã igualado em equipamentos sai por R$ 43.920. O Focus, feito na Argentina, não tem motor flex e, apesar de ambos serem 1.6, perde ligeiramente na potência, são 103 cv contra 105 cv com gasolina e 111 cv com álcool, respectivamente.
Fiat e Peugeot já apresentam diferenças de preço significativas. O Stilo 1.8 e Palio 1.8 HLX usam o mesmo motor flex que produz 114 cv com álcool e 112 cv com gasolina e têm equipamentos parecidos. Nesse caso, a diferença chega a mais R$ 10 mil (R$ 49.620 para o Stilo e R$ 39.430 para o Palio). O Peugeot 307 1.6 Presence custa R$ 53.400. É o mais caro entre os modelos pesquisados, mas também é o único que, além do pacotão básico, já é equipado de série com airbag e ABS. O pequeno 206 Presence 1.6, com o mesmo motor e equipamentos (inclusive ABS e airbag, que são cobrados à parte), custa R$ 44.950.
Distância
A maior diferença está nos modelos da Volkswagen. Mas isso é mais função do alto preço do Golf no seu segmento, pois o Fox está na média da concorrência. Outro fator que prejudica o desempenho do Golf na comparação é a política de vendas casadas da montadora.
O Golf 1.6 custa a partir de R$ 48.860, mas não é equipado com ar-condicionado ou vidros elétricos. O refrigerador pode ser acrescentado individualmente, mas vidros e travas são parte do pacote Conveniência que, por tabela, exige a inclusão de outro pacote, o módulo Sportline, que inclui itens de aparência como maçanetas das portas na cor do veículo e máscara negra nos faróis. O resultado é um carro de R$ 57.590, o mais caro entre os analisados. Isso sem airbag, ABS ou rodas de liga. Com esse preço, os R$ 40.890 pedidos pelo Fox 1.6 Plus parecem pouco. Ambos são equipados com o mesmo motor. No entanto, há uma série especial do Golf 1.6, a Flash, que inclui vidros e travas elétricos, ar, rodas de liga e acabamento em couro, por R$ 52.860.
Mas os preços de tabela contam apenas parte da história. Um caso típico é o do Ford Focus, que tem grandes descontos nas concessionárias, mas pode não ser revendido rápido como usado. “O compacto quase nunca encalha como usado, mas, por mais equipado que seja, os opcionais não aumentam muito o valor na hora de passar para frente, apesar de ser mais rápido de vender”, expica Ricardo Machado, consultor de vendas da multimarcas Informauto. Outro alerta que faz Ricardo é sobre os custos para manter o veículo maior. “Tem gente que faz pesquisa, mas alguns ficam seduzidos pelo status, facilidade no parcelamento, e esquecem que IPVA, seguro e peças vão custar mais”, alerta.