Ford abre mão de modelos de luxo para sair do impasse na América do Norte

(AFP) Ao se livrar da Jaguar e da Land Rover, seus dois prestigiosos, mas pouco lucrativos modelos britânicos, a Ford deu continuidade a sua grande reestruturação, para se centralizar na recuperação de suas atividades na América do Norte, que vêm puxando a construtora para baixo há três anos. A Ford vendeu nesta quarta-feira (26/03) suas

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(AFP)

Ao se livrar da Jaguar e da Land Rover, seus dois prestigiosos, mas pouco lucrativos modelos britânicos, a Ford deu continuidade a sua grande reestruturação, para se centralizar na recuperação de suas atividades na América do Norte, que vêm puxando a construtora para baixo há três anos.

A Ford vendeu nesta quarta-feira (26/03) suas duas marcas de luxo ao grupo indiano Tata por 2,3 bilhões de dólares, mas concederá 600 milhões ao fundo de aposentadoria dos funcionários, o que reduz seu lucro para 1,7 bilhão. A construtora americana havia comprado a Jaguar em 1989 por 2,5 bilhões de dólares, e a Land Rover em 2000 por 2,6 bilhões de dólares.

Trata-se para a Ford de uma decisão lógica, num momento em que o mercado dos carros de luxo está em baixa: nos primeiros meses de 2008, as vendas da Jaguar caíram 33% e as da Land Rover 13% na Europa e nos Estados Unidos, segundo a corretora Soleil Securities.

Os analistas elogiaram a eliminação de um “foco de distração” que impedia o grupo de se concentrar em seu principal problema: a recuperação de suas atividades nos Estados Unidos, seu maior mercado.

A estratégia começou no ano passado, com a venda da Aston Martin por cerca de 900 milhões de dólares. Agora, a Ford possui apenas uma marca estrangeira, a Volvo.

O destino da Ford está agora exclusivamente na América do Norte, onde a construtora vem gastando há três anos bilhões de dólares para uma reorganização radical, com fechamentos de usinas, cortes de produção e supressões de milhares de empregos, com o objetivo de voltar a ser superavitária em 2009.

Em 2006, a Ford havia registrado uma perda líquida de 12,6 bilhões de dólares. Em 2007, a perda líquida ficou em 2,7 bilhões. Para 2008, a construtora prometeu uma perda líquida ainda menor. Desde o início de sua reestruturação, em 2006, a Ford já suprimiu mais de 40.000 empregos na América do Norte, e pretende cortar mais 12.000 este ano. Ela também diminuiu constantemente sua produção.

Esta grande reorganização enfraqueceu a empresa, em um mercado automobilístico americano já esfriado por uma economia em processo de estagnação: as vendas da Ford caíram 12% em 2007, e a construtora perdeu, pela primeira vez desde 1931, sua posição de número dois nos Estados Unidos, para a japonesa Toyota.

As outras grandes montadoras americanas, que adotaram a mesma estratégia que a Ford, foram alcançadas pelas asiáticas. Juntas, Ford, General Motors e Chrysler possuíam apenas 50% do mercado americano em 2007. As três empresas perderam, juntas, 25 bilhões de dólares desde 2005.

A principal aposta da Ford é agora o “crossover”, um veículo de lazer dotado de um motor mais econômico. A idéia é seduzir os consumidores que passaram a rejeitar os 4×4 e os “trucks” (caminhonetes) – os carros-chefes da construtora – por causa do aumento do preço da gasolina.