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Evolução - O futuro é azul

Mudança no paradigma das cores automotivas é reforçada pelas tendências ecológicas mas, no Brasil, tons de prata ainda dominam, com o preto, que absorve muito mais calor

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Ka brasileiro representa a tendência nacional e tem leve tom azul metálico...

A urgência em tornar os automóveis menos poluentes está na ordem do dia de grande parte dos fabricantes em todo o mundo. Carros com combustíveis limpos são desenvolvidos e aos poucos chegam ao mercado. Entretanto, tão importante quanto não poluir, acreditam alguns fabricantes, é deixar isso expresso na cor. O resultado é que cores ligadas ao meio ambiente, como o azul, ganham popularidade pelo mundo. Recentes levantamentos divulgados por duas fabricantes de suprimentos automotivos revelam que o azul é apontado como a cor do futuro.

Segundo a PPG, fabricante de tinta, o prata ainda permanece como a principal cor de carros no mundo (20% na América do Norte, 35% na Europa e 37% na Ásia), mas o azul cresce na América do Norte (13% da preferência), Europa (12%) e Ásia (11%). Além disso, a pesquisa da PPG também informa que pelo segundo ano consecutivo o azul foi a cor favorita em uma pesquisa feita com 1.200 potenciais compradores de carro no Naias, o Salão Internacional do Automóvel de Detroit.

A DuPont chegou à mesma conclusão e também constatou que o azul está ganhando popularidade. Com exceção da América Latina, em que o prata, cinza, preto e branco dominam o mercado, todas as outras regiões do mundo percebem tendência pelo azul. Na Ásia, a preferência é pelo azul escuro metálico. Na América do Norte, o azul claro é que ganha espaço, enquanto na Europa o azul é a mais importante cor cromática (diferentes de prata, branco e preto, consideradas acromáticas), superando o vermelho.

...enquanto na Europa o azul é a mais importante cor cromática, como no Ka europeu


O gerente de desenvolvimento de tintas automotivas da Basf no Brasil, Lino Martini Neto, explica que o apego brasileiro por cores como prata e preto é muito grande, mas que a tendência mundial se manifesta em variações do prata um pouco azulados e esverdeados. "São cores com apelo ecológico e que passam a idéia de paz com o meio ambiente", teoriza Lino. Um exemplo das diferenças entre Brasil e Europa é o Ford Ka, que é vendido na cor azul metálica no Brasil, e na Europa, em sua nova versão, já foi apresentado como azul.

Levantamento feito pela DuPont no Brasil constata que as cores pouco mudaram no último ano. Em 2007, 34% dos automóveis eram prata e neste ano o volume é de 32%. Os pretos cresceram um pouco (23% para 25%), cinzas também (15% para 16%), enquanto brancos (12% para 11%) e vermelhos (9% para 8%) caíram um pouco. Em seguida estão azuis (mantiveram 3%), beges (2% para 3%) e verdes (mantiveram 2%).

De acordo com a fabricante, cores acromáticas (branco, preto, prata, cinzas) são a tendência mundial, ficando para as cromáticas uma pequena participação. Um detalhe do mercado brasileiro é a grande quantidade de veículos pretos, o que não é recomendado por causa das altas temperaturas. A DuPont mediu a temperatura de um carro ao sol e em um veículo preto a temperatura chegou a 85°C, enquanto no prata não passou dos 65°C. Isso ocorre porque fatores como o valor de revenda influenciam mais na escolha da cor do que o clima.