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Deu branco geral

Preferência pela cor cresce de forma significativa no Brasil, principalmente entre modelos mais sofisticados e de grife, modificando um pouco a paisagem cinza

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Participação de carros brancos, como o S3, no mix de importação da Audi subiu de 5%, em 2008, para 15%, no ano passado

 

Há alguns poucos anos, se uma pessoa dissesse que tinha um modelo da Audi, BMW ou Mercedes-Benz, você podia facilmente apostar que adivinharia a cor em três tentativas: o carro era preto, prata ou chumbo. Atualmente, o apostador corre risco maior de errar, ou seja, de perder aquela caixa de cervejas, pois a cor branca vem ganhando espaço de forma significativa no Brasil, principalmente entre os modelos mais sofisticados, mesmo aqueles produzidos por marcas que não são consideradas de grife. O crescimento acontece mesmo em capitais em que a cor está associada a táxis, como Belo Horizonte e São Paulo.

No caso da BMW, a cor branca vem tomando espaço da preta e da cinza. De acordo com Celso Fogaça, gerente de vendas da marca no Brasil, em 2008, a cor preta respondia por 55% do mix; a prata, por 39%; e a branca, por apenas 6%. No ano passado, esse quadro mudou bastante, pois a branca já tinha abocanhado 27% do total, deixando a preta com 45% e a prata com 29%. Celso acredita que essa tendência, pelo menos nos próximos dois anos, é irreversível. A marca aposta tanto nisso que todos os modelos expostos no Salão Internacional de São Paulo, em outubro, eram na cor branca, e recomenda para todos os concessionários a exposição de modelos nessa cor em seus showrooms.

Nos show-rooms e nas ruas, a cor branca ganha espaço entre os modelos da BMW



ALEMÃES O fenômeno também é observado nos concorrentes Audi e Mercedes-Benz. Na primeira, o percentual de carros brancos no mix de importação para o Brasil subiu de 5%, em 2008, para 15%, no ano passado. “Nas clínicas que fizemos, nossos clientes acham que a cor branca permite visualizar melhor as linhas do modelo e realça os faróis com luzes de LED”, explica Thiago Lemes, gerente de produto da Audi Brasil. Na opinião do designer Peter Fassbinder, do Centro Estilo Fiat da América Latina, o branco coloca algumas partes em evidência, como vidros e lanternas. Para a marca da estrela de três pontas, o branco está associado à esportividade: do total de 6% do mix em 2010, quatro modelos puxam a média para cima: CLS (15%), SL (14,6%), SLS (14,2%) e SLK (7,8%).

QUENTE Além da sofisticação e da ecologia, a questão da temperatura interna no habitáculo é outro motivo para a escolha do branco. De acordo com Klaus Mello, gerente de engenharia de veículos da Ford, diferença entre a temperatura interna de dois modelos idênticos, mas em cores claras e escuras, deixados sob um sol escaldante, pode variar de 3°C a 5°C. Na carroceria, a temperatura pode chegar a 90°C nas cores escuras, enquanto esse pico nas mais claras chega apenas a 60°C (veja ilustração), como afirma Tikashi Arita, gerente de marketing e vendas da DuPont (fabricante de tintas automotivas). A BMW, por exemplo, trabalha com uma boa expectativa de modelos na cor branca nas novas concessionárias de Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT), já que são lugares bastante quentes.

TENDÊNCIA Outras marcas, como Ford, Chrysler e Kia, também vêm registrando boas vendas nessa cor. No mix do sedã Fusion, que vem do México, a participação chega a 12%; e o crossover Edge, recém-reestilizado, já tem a opção do branco. No grupo Chrysler (incluindo Jeep e Dodge), o crescimento foi de 75%, de 2009 para 2010. Entre os modelos da marca coreana, chama a atenção o desempenho do Sportage, que teve 300 unidades vendidas no ano passado, em contraste com as 113 de 2009. Já outros fabricantes, como a Honda, não acreditaram muito nessa tendência e agora dão o braço a torcer. “Notamos um aumento da demanda no modelo CR-V, que terá essa opção de cor em breve”, admite Alberto Pescumo, gerente comercial da marca japonesa no Brasil.