UAI

Combustível - Diesel com dendê?

Óleo vegetal em lugar do diesel é alternativa ao petróleo. Biodiesel ou H-Bio são obtidos a partir de plantas oleaginosas e há testes com mamona, soja e dendê

Publicidade
Foto:

Na primeira fase do projeto, iniciada em 2003, foi adicionado biodiesel produzido a partir da soja no Citroën Picasso e na etapa seguinte serão avaliados também os óleos obtidos de outras plantas

Na semana passada, o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel), do núcleo de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), anunciou o início da segunda fase de testes do biodiesel num projeto que tem o apoio principal da PSA Peugeot Citroën e de diversas outras empresas brasileiras.

Esta nova etapa está inscrita no programa do governo federal e seus resultados serão utilizados oficialmente no projeto de incentivos ao uso dos combustíveis alternativos.

Na primeira fase do projeto, iniciada em 2003, foi adicionado o biodiesel produzido a partir da soja em dois veículos da PSA, um Peugeot 206 e um Citroën Xsara Picasso. Na segunda fase, além da soja, serão testados também os óleos obtidos a partir da mamona e da palma (dendê). A obtenção do biodiesel resulta de um processo de transformação do óleo vegetal (transesterificação) usando 15% de etanol (produzido a partir da cana), ou seja, 100% vegetal, biodegradável e renovável.

Para a segunda fase, serão usados seis veículos da PSA, todos com o novo motor HDI 2.0 de 90cv: um Peugeot 206, um Citroën Picasso, dois Peugeot Partner e dois Citroën Berlingo.

Nesta etapa, o biodiesel será acrescentado ao diesel metropolitano na proporção de 30% e, por isso, é chamado de B30. O percentual permitido pelo governo brasileiro hoje (opcionalmente) ao diesel é de 2% de biodiesel. A partir de 2008, esta adição será obrigatória e os percentuais serão aumentados a partir dos resultados dos testes.

Peugeot 206 terá adição de 30% de biodiesel ao diesel metropolitano e será denominado B30


Mais limpo

Na Europa, o biodiesel é obtido a partir de outra planta, a colza (canola, nabo). E o álcool usado no processo de transesterificação é o metílico (derivado do petróleo), ao contrário do brasileiro, o etílico (que vem da cana). A PSA, que realiza testes também na França, estima que até o percentual de 30% é possível a adição do biodiesel sem nenhuma modificação nos motores.

Os testes com os veículos brasileiros (foram cerca de 100 mil quilômetros rodados com o Peugeot 206 e o Citroën Picasso) revelaram uma redução de 23% nas emissões particuladas, 11% de hidrocarbonetos (HC) e de 11% nas emissões de monóxido de carbono (CO).

O único aumento de emissões foi considerado marginal, de apenas 5% de Nox (óxido de azoto). E o biodiesel tem uma outra vantagem, pois o crescimento das plantas absorve o CO2 da atmosfera.

E o H-Bio?

Além do biodiesel, o governo brasileiro está desenvolvendo também uma outra alternativa, o H-Bio. A Petrobras está testando a possibilidade de usar o óleo vegetal no processo de refino do diesel, obtendo como resultado um mistura homogênea a que chamou de H-Bio. Embora ainda não haja resultados definitivos, já foi registrado neste novo combustível uma sensível redução de enxofre e outros componentes nocivos presentes no diesel tradicional.

Ainda não está estabelecida, nem testada, a adição do biodiesel ao H-bio, mas todas estas alternativas estão sendo desenvolvidas pelo governo federal, que criou a Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel. O Ladetel é o órgão técnico (dirigido pelo professor Miguel Dabdoub) encarregado das pesquisas, a PSA Peugeot Citroen (com fábrica em Porto Real, no Rio de Janeiro) está contribuindo para a experiência com automóveis e motores e o laboratório Lactec (de Curitiba) realiza os ensaios para medir a redução das emissões de poluentes com o biodiesel a cada 20 mil quilômetros rodados e testes de bancadas com motores semelhantes aos usados pelos automóveis.

(*) Viajou a convite da PSA Peugeot Citroën