Com queda de 31,6%, produção de veículos no Brasil alcança patamar de 2016

Para 2021, Anfavea projeta aumento de 25% na produção, 15% no licenciamento e 9% na exportação. Em Minas, queda nos licenciamentos ficou acima da média nacional

Com queda de 31,6%, produção de veículos no Brasil alcança patamar de 2016 Para 2021, Anfavea projeta aumento de 25% na produção, 15% no licenciamento e 9% na exportação. Em Minas, queda nos licenciamentos ficou acima da média nacional

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresentou um panorama do setor do ano de 2020, que foi fortemente abalado pela pandemia do coronavírus. Em comparação com 2019, a produção de autoveículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) sofreu uma queda de 31,6%, de 2,9 milhões de unidades para 2 milhões, voltando a patamares do ano de 2016. A ociosidade da capacidade instalada da indústria alcançou 3 milhões de veículos.

Já o mercado interno de autoveículos caiu 26,2%, de 2,8 milhões de unidades em 2019 para 2,1 milhões em 2020, números também parecidos com os de 2016, auge da última crise econômica brasileira. Já as exportações de autoveículos tiveram retração de 24,3%, de 428,2 mil unidades em 2019 para 324,3 mil em 2020. Somando também as máquinas agrícolas e rodoviárias, o valor das exportações caiu 24,6%, de 9,8 bilhões de dólares em 2019 para 7,4 bilhões de dólares em 2020.

O estoque de veículos no fechamento de 2020 era de 96,8 mil veículos, sendo 82,8 mil nas concessionárias e 14 mil nos pátios das fábricas. Este número é o suficiente para atender a apenas 12 dias, o menor índice já atingido, mas compatível com a situação atual. A indústria de veículos fechou 2020 com uma redução de 4% dos funcionários diretos, caindo de 125,6 mil empregos no fim de 2019 para 120,5 mil no término de 2020.

OUTROS A produção de caminhões foi 19,9% inferior a 2019, enquanto o mercado interno retraiu 11,5%. Com a queda nas viagens, o cenário para os ônibus foi ainda pior: -33,5% de produção e -33,4% de licenciamentos. O setor de máquinas agrícolas e rodoviárias foi o que registrou menor queda na produção, -9,8%. Já no mercado interno, o segmento registrou alta de 7,3% em relação a 2019, reflexo do crédito disponível para aquisição e o bom preço das commodities.

MINAS Quando comparada à média do mercado brasileiro, a queda no setor de autoveículos em 2020 foi maior em Minas Gerais. De acordo com a Anfavea, no ano passado houve uma retração nos licenciamentos do Estado na casa dos 33%, enquanto a média nacional foi de 26%. Na análise, Minas Gerais ficou atrás apenas do Estado do Rio de Janeiro, onde os emplacamentos de veículos despencaram 38%.

MUNDO De acordo com dados preliminares fornecidos pela Anfavea, com a produção de 2020, o Brasil caiu da oitava para a nona colocação mundial, perdendo a posição para a Espanha (o ranking de produção é liderado pela China, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, México, Índia e Espanha). Já o mercado interno brasileiro se manteve na sexta colocação, atrás de China, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Índia.

Também houve retração do mercado interno de veículos leves em outros países: Espanha, -32%; Reino Unido, -29%; Itália e México, -28%; Argentina, -26%; França, -24%; Alemanha, -20% (até novembro); Estados Unidos, -15%; Japão, -11%; China, -2%. Mesmo com a pandemia, a Coreia do Sul fechou 2020 com aumento de 5% de licenciamentos de veículos leves.

PROJEÇÃO Para 2021, a Anfavea planeja um crescimento de 15% no licenciamento de autoveículos, 9% nas exportações e 25% na produção. “Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano, pois temos uma neblina à nossa frente desde março, quando começou a pandemia. Infelizmente, observamos uma segunda onda da Covid-19 em países do hemisfério norte, que parece ter chegado também ao Brasil. E sabemos que uma imunização pela vacina será um processo demorado, que tomará quase todo o ano, impedindo uma retomada mais rápida da nossa economia. Some-se a isso a pressão de custos, as necessidades urgentes de reformas e surpresas desagradáveis como o aumento do ICMS paulista, e temos diante de nós um quadro que ainda inspira muita cautela nas nossas previsões”, avaliou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.