Cinema dos Anos 80 prestigia carrões adorados pelos yuppies

“Sem licença para dirigir” (1988) Os anos 1980 foram de excessos. Enquanto músicas sintetizadas dominavam a cena, roupas com ombreiras espalhafatosas eram consideradas estilosas. O lance era ser um profissional urbano jovem e bem pago – daí surgiu o termo yuppie, que condensa as palavras young urban professional. Nessa era consumista, os carrões voltaram à

“Sem licença para dirigir” (1988)

Os anos 1980 foram de excessos. Enquanto músicas sintetizadas dominavam a cena, roupas com ombreiras espalhafatosas eram consideradas estilosas. O lance era ser um profissional urbano jovem e bem pago – daí surgiu o termo yuppie, que condensa as palavras young urban professional. Nessa era consumista, os carrões voltaram à moda depois de perder força nos anos 1970. O cinema não poderia deixar esse apelo de lado e se valeu dos possantes em filmes adolescentes, repetidos à exaustão nas reprises da televisão brasileira. Reunimos algumas das estrelas de sempre nesse Rolimã.

PURA ENCRENCA Pegar ou não o carro do pai? Muitos adolescentes já passaram por esse dilema. Menos Joel, personagem de Tom Cruise em Negócio arriscado, de 1983. Seus pais saem em meio a muitas recomendações, mas o pai se preocupa, acima de tudo, com o seu Porsche 928, proibindo o filho de dirigir o cupê V8. Nem é preciso dizer que o garotão desobedece a tudo à risca e, numa noitada com um amigo e uma bela garota de programa, o esportivo alemão leva a pior. Mas até lá, Joel fica feliz com a liberdade e, entre arrancadas e manobras ousadas, diz que “não há nada como um Porsche”.

DUPLA DA PESADA Mesmo tendo como principal modelo um carro dos anos 60, a Porsche estava toda prosa. Não foram poucos os filmes que rasgaram seda para a marca alemã. Em 1987, foi lançado outro clássico das reprises brasileiras, o filme Atraídos pelo perigo, com Charlie Sheen e D.B. Sweeney. Sweeney fazia o papel de um policial que se infiltrava em uma quadrilha especializada em furtar Porsches, liderada por Sheen. O ex-astro de Two and a half man crava no filme uma frase que Tarantino até reciclou em Kill Bill: “Ferrari é lixo italiano”. Que maldade, como bem provariam outros filmes.

TURMINHA MUITO LOUCA Você deve estar estranhando: cadê Curtindo a vida adoidado? Claro que não poderia faltar o clássico de 1986, do diretor John Hughes, a quem devemos outros filmes, como Clube dos cinco, A garota de rosa-shocking ou Mulher nota mil. O filme conta a história do dia de “folga” de Ferris Bueller (Matthew Broderick), que se une à namorada, Sloane (Mia Sara), e ao amigo do peito Cameron (Alan Ruck). Cameron, coitado, é vítima recorrente de carros italianos: dono de uma Alfa Alfetta ou Sport Sedan nos Estados Unidos, o jovem sofre com a falta de atenção do pai, que só tem olhos para a sua clássica Ferrari 250 GT California. Pelo menos ele se vinga em parte, mas não vale contar o filme, afinal, alguém pode ter perdido uma das centenas de reprises. (Crédito: Paramount Pictures/Divulgação)

DE OUTRO MUNDO Todos esses carrões eram estrelas, porém não chegavam a cobiçar o papel principal. A coisa muda com a trilogia De volta para o futuro, iniciada em 1985. Embora Michael J. Fox (Marty McFly) e Christopher Lloyd (doutor Brown) sejam inesquecíveis, o que pessoal quer levar para casa mesmo é o DeLorean DMC-12. Ao ser perguntado sobre a opção, o doutor logo replica: “Do jeito que vejo a coisa, se você vai construir uma máquina do tempo sobre um carro, por que não fazer com algum estilo?” Bem escolhido, doutor.

RÉPLICA DO BARULHO Quem não tem carrão, caça com réplica. Essa foi a tônica do filme Com qual das duas?, de 1988. Na história, o jovem Travis (George Newbern) está para se casar com Stephanie (Leslie Hope). Pouco antes, ele acaba cedendo à sua paixão por supercarros e vai a uma loja especializada em réplicas do Lamborghini Countach, renomeado como Trovare. Em suma, ele compra gato por lebre. Uma trama na medida para os enredos dos anos 1980.

 

 

MUITA CONFUSÃO A dupla Corey Haim e Corey Feldman fez sucesso nos anos 1980, mas poucos filmes representam melhor a dupla do que o clássico nada educativo Sem licença para dirigir (1988). Haim interpreta Les Anderson, um rapaz doido para tirar sua habilitação e sair para passear com o Audi 5000 da sua mãe ou o belo BMW 633 CSi do paizão. Nada dá certo, nada de carteira ou carro alemão. O que não o manteve em casa, de qualquer jeito. A película é um desfile de automóveis. Só a página do filme no site Internet Movie Car Database ocupa duas telas.

 

 

NÃO VAI SER MOLEZA Os anos 1980 não seriam nada sem os grandes astros da ação. Sylvester Stallone se desdobrou em vários papéis de durão, incluindo três filmes da série Rambo e duas sequências de Rocky, além de capitalizar em cima do próprio nome em Stallone: Cobra. Mas em nenhum deles ele dirigiu algo tão brutal quanto o caminhão Autocar A64 B de Falcão (1988). Vá lá que o cara era especialista em queda de braço, mas haja força para tocar esse antigo Autocar! Valeu como treino.

O CARA ERRADO Se fazer de bonzão com esses carros é fácil. Por isso mesmo, Arnold Schwarzenegger não fez por menos em Comando para matar, de 1985. O seu personagem, o coronel John Matrix, é durão até no nome. Na hora de dirigir, não tem para ninguém: mesmo sem contar com o motor da sua Chevrolet Blazer, John consegue alcançar os vilões montanha abaixo. Depois dessa façanha, as coisas ficam até sem graça para os outros filmes.