O cupê esportivo Audi TT ainda não é considerado um clássico, mas apenas devido à sua relativa juventude. Desde que foi apresentado como carro-conceito, no Salão de Frankfurt de 1995, o carro chamou a atenção da imprensa especializada e do público. A versão de produção em série, lançada em 1998, incorporou tantos elementos quanto possíveis do conceito, não decepcionou e se transformou em uma espécie de ícone do belo design, o que se tornou depois uma marca da Audi.
A segunda geração, apresentada no ano passado, que chega agora ao Brasil, conseguiu atualizar as linhas do seu antecessor, sem ter que abrir mão de elementos que se incorporaram à linguagem de estilo da marca. Pode-se dizer até que o carro ficou mais bonito, principalmente porque o vidro traseiro é mais inclinado e se integra melhor ao conjunto, com o arco formado pelo porta-malas. O aerofólio escondido, que se levanta a 120 km/h, também contribui para o efeito. Tudo trabalhando em sintonia, para resultar em um desenho mais harmônico, que confere ao carro uma aparência mais aerodinâmica. Na frente, a grade superdesenvolvida, separada apenas por um elemento preto, também está presente. Há quem goste, há quem deteste.
Interior
Por dentro, o mesmo bom gosto teutônico, sem muitos detalhes, mas com tudo muito funcional, como sempre se encontra nos Audi. O nível do acabamento é de primeira, com materiais agradáveis ao toque e ajustes milimétricos. Os bancos de couro têm controles elétricos. O volante é do tipo funcional, e conta com ajuste de profundidade e altura. Mas um efeito colateral do belo desenho é a falta de espaço. Na frente, motorista e carona de estatura mais elevada terão dificuldades para se sentir confortáveis. Atrás, os assentos só servem mesmo para crianças, pois adultos não se acomodam nem em emergências. Melhor usar como espaço para compras.
Mas não foi só na aparência que o Audi TT mudou. Com 4,18 m de comprimento, 1,84 m de largura e 1,35 m de altura, o veículo cresceu em todas as dimensões. Mas ficou mais leve. Isso foi possível graças ao uso abundante de alumínio, tanto no monobloco quanto nas estampas. Os elementos que conservaram a construção em aço se encontram próximos ao eixo traseiro, para melhorar a distribuição de peso e o comportamento dinâmico. Com a diminuição da massa, a potência do motor 2.0 de quatro cilindros ficou em 200 cv (na geração anterior era de 225 cv), mas sem prejudicar o desempenho. O fabricante declara uma aceleração de 0 a 100 km/h em 6,4 segundos e velocidade máxima de 240 km/h.
Dirigindo
Ao volante, o TT surpreende pelo comportamento extremamente dócil. Quando o motorista pisa fundo, o funcionamento do motor é progressivo, e não explosivo, como se poderia esperar de um propulsor com turbocompressor. Boa parte dessa docilidade pode ser atribuída ao câmbio S tronic. A caixa de seis velocidades é do tipo manual com modo automático robotizado (para trocar manualmente, deve-se usar as borboletas no volante ou mudar a alavanca da posição D para a esquerda), e não uma caixa automática com possibilidade de trocas manuais. Além disso, o câmbio conta com o sistema DSG, com dupla embreagem. Ou seja, quando uma marcha é selecionada, a seguinte já está pré-engatada. Além de permitir trocas mais rápidas, o sistema diminui os momentos de indecisão do câmbio, o que não é raro em veículos automáticos.
As suspensões também são menos rígidas do que se poderia esperar, mas, se o motorista abusar, o sistema ESP de controle eletrônico de estabilidade salva os mais afoitos. O conforto de marcha só fica prejudicado pelos pneus de perfil baixo, que passam boa parte das irregularidades do piso, e pelo ronco do motor em aceleração. Mas, para os apaixonados, ronco do motor é melhor que música. O novo TT custa a partir de R$ 219 mil. A Audi espera vender cerca de 100 unidades do TT por ano no Brasil, apenas na versão 2.0. A opção com motor V6 3.2 e tração integral não será importada.
(*) Jornalista viajou a convite da Audi do Brasil