Anfavea registra queda de 84% na produção de veículos em maio, comparado com mesmo mês em 2019

Afetada pela crise da COVID-19, a produção de veículos até cresceu em relação a abril, mas continua em queda em relação aos números do ano passado

Anfavea registra queda de 84% na produção de veículos em maio comparado com mesmo mês em 2019 Afetada pela crise da COVID-19, a produção de veículos até cresceu em relação a abril, mas continua em queda em relação aos números do ano passado

O número de produção de automóveis previsto em janeiro de 3,05 milhões passou para 1,6 milhão

 

Os efeitos da crise imposta pelo novo coronavírus ainda continuam afetando profundamente a produção de veículos no Brasil. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou seu relatório mensal informando que a produção de veículos (leves e pesados) em maio até cresceu em relação a abril, mas sofreu uma queda de 84% se comparada com o mesmo mês de 2019. Apesar da retomada gradual da produção na maioria das montadoras, o setor ainda reage com cautela, fazendo projeções pessimistas para o fechamento do ano.

De acordo com o relatório da Anfavea, foram produzidos em maio 43,1 mil veículos, volume que representa uma alta de 2.232,4% em relação a abril, quando foram fabricadas 1,8 mil unidades, o menor índice desde 1957. Mas quando comparado com a produção de maio de 2019, o volume representa uma queda de 84%. No acumulado do ano até maio, foram produzidas 630,8 mil unidades, o que significa uma redução de 49,2% sobre o mesmo período do ano passado.

A Anfavea informou ainda que foram vendidos 62,2 mil veículos em maio, uma alta de 11,6% sobre abril, mas quando comparado ao mesmo mês de 2019, registra-se queda de 74,7%. No acumulado do ano, foram licenciados 676 mil veículos, que representa queda de 37,7% em relação a igual período de 2019. Já as exportações continuam em queda, com 3,9 mil unidades em maio, 46,3% a menos que o número registrado em abril e 90,8% menor que em maio de 2019. De janeiro a maio, foram exportados 100,1 mil veículos, queda de 44,9% comparado a igual período do ano passado.

Para Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, as projeções para o setor em 2020 não são otimistas. Ele revelou que estudo da associação prevê queda de 7% a 7,5% do PIB, com taxa de juros (Selic) girando em torno de 2,5%, dólar oscilando entre R$ 5 e R$ 6, inflação a 1,75% e índice de confiança em baixa. Com isso, o número de produção de automóveis previsto em janeiro de 3,05 milhões passou para 1,6 milhão. Já o segmento de veículos pesados (caminhões e ônibus) deve fechar o ano com a produção de 75 mil unidades, volume próximo da crise de 2017. No total, somando veículos leves e pesados, a expectativa é de que o ano seja encerrado com a produção de 1,7 milhão, o que representa uma queda de 40%.

“O segundo trimestre ainda será muito traumático para o setor, com números ainda em baixa em julho. Mas no terceiro trimestre a expectativa é de que as coisas comecem a melhorar”, afirma o presidente da Anfavea. Questionado sobre o auxílio prometido pelo governo às montadoras, Luiz Carlos disse que as conversas entre o setor público e o privado estão evoluindo e que a Anfavea negociou linhas de crédito para auxiliar os bancos das montadoras, que já estão em tratativas com o Banco Central. “A ideia é que os bancos tenham mais flexibilidade para negociar os estoques das montadoras, com uma linha de crédito especial para o consumidor”, afirmou.

Para socorrer fornecedores e concessionárias, parceiros imprescindíveis das montadoras, a Anfavea espera que o governo faça valer a MP 975, que contempla um programa emergencial de acesso ao crédito para pequenas e médias empresas, garantindo até 80% de cada operação. “Os bancos têm uma responsabilidade muito grande para a ajudar a economia a sair desse buraco. A partir do momento em que o governo disponibiliza mecanismos para diminuir os riscos, os bancos têm de assumir responsabilidades. E não pode demorar. Tem de ser pra já. Se isso não acontecer, teremos problemas seríssimos”, afirma Luiz Carlos.

PESADOS Em relação ao segmento de veículos pesados, a Anfavea afirma defender duramente a bandeira da renovação da frota de caminhões, que está diretamente ligada à eficiência operacional e a segurança no transporte de cargas no país. Estudo da entidade revela que existem mais de 475 mil veículos pesados com idade superior a 25 anos de uso na frota brasileira, o que pode representar um prejuízo enorme com acidentes e custos com o SUS. Para a Anfavea é preciso uma linha de crédito especial para ajudar o caminhoneiro a comprar um veículo mais novo, não necessariamente um zero-quilômetro.
Já o setor de máquinas agrícolas tinha fechado os meses de março e abril com queda na produção, e maio foi considerado o pior na série histórica desde 2000. Para a Anfavea, as projeções neste segmento dependem muito do Plano Safra, que pode oferecer condições de juros atrativos, aquecendo o setor.

Com relação às exportações, Luiz Carlos disse que a situação na Argentina tem preocupado, pois há mais de 10 mil carros parados nos portos aguardando as negociações entre os governos. “As montadoras têm alertado sobre a importância de manter o fluxo entre os dois países. É fundamental manter a integração. Mas acredito que com diálogo, governo e indústria vão encontrar a solução”, disse o presidente da Anfavea.

CUIDADOS Sobre as ações de prevenção ao novo coronavírus, a Anfavea informou que as montadoras estão retomando a produção gradativamente, respeitando um protocolo mínimo de saúde. “Montadoras e concessionárias estão operando com todo o cuidado com os funcionários, respeitando as normas impostas por governos estaduais e municipais”, disse Luiz Carlos. Ele acrescentou, ainda, que “é possível atender consumidores em concessionárias com todo o cuidado que eles merecem”.
O presidente da Anfavea revela que as montadoras e concessionárias já estão mapeando o novo perfil do consumidor depois da pandemia da COVID-19. Por isso, cuidados com na entrega dos carros vendidos no showroom e nas oficinas passam a ser observados de forma mais rigorosa. “Vamos ter uma transformação na indústria. Tem muita gente pensando nisso e em breve teremos soluções para todos os problemas”, disse.