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vai dar ruim?

Concessionárias da Jaguar em choque com a mudança radical para elétricos

Reposicionamento para elétricos de alto luxo, com preços na casa dos R$ 700 mil, deixa concessionárias apreensivas

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Novo logo da Jaguar
Novo logo da Jaguar Foto: Divulgação/Jaguar

A Jaguar enfrenta um momento de forte tensão com sua rede de concessionárias após a decisão de romper com os modelos tradicionais a combustão e reposicionar a marca como 100% elétrica a partir de 2026.

Segundo relatos da imprensa europeia, parte dos revendedores está em estado de alerta e ameaça abandonar a marca diante da incerteza comercial criada pela estratégia e do salto expressivo nos preços dos futuros modelos elétricos.

Parte lateral externa do Jaguar Type 00
Parte lateral externa do Jaguar Type 00 Foto: Divulgação: Jaguar

O plano da Jaguar prevê a substituição do portfólio atual por apenas três veículos elétricos de luxo, com posicionamento muito mais elevado do que o histórico da marca. Com isso, vários modelos já tiveram suas vendas encerradas em mercados importantes, como o Reino Unido, deixando concessionárias com pouca ou nenhuma oferta de produtos novos até a chegada da nova geração de EVs.

A situação é especialmente delicada para revendas que operam exclusivamente com a Jaguar. Concessionários que dividem estrutura com a Land Rover conseguem amortecer o impacto com a venda de SUVs da marca irmã, mas aqueles dependentes apenas da Jaguar relatam dificuldades para manter a operação, diante da queda abrupta no volume de vendas e da ausência de lançamentos no curto prazo.

Jaguar Type 00
Jaguar Type 00 Foto: Divulgação/Jaguar

Outro ponto de preocupação é o reposicionamento de preço. Os novos elétricos da Jaguar são esperados com valores iniciais na casa dos US$ 130 mil, o equivalente a cerca de R$ 700 mil, patamar que aproxima a marca de fabricantes como Bentley e Ferrari lá fora, mas que reduz drasticamente o potencial de volume. Internamente, a expectativa seria de vendas anuais em torno de 10 mil unidades, bem abaixo das cerca de 60 mil unidades por ano comercializadas anteriormente.

Embora a Jaguar defenda a estratégia como um passo necessário para se tornar uma marca de luxo elétrico ultrasseletivo, o movimento levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da rede de concessionárias durante o período de transição e sobre a capacidade da empresa de manter relevância no mercado sem produtos acessíveis ou disponíveis no curto prazo.