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Economia

Pix já supera metade das transações e aproximação avança no Brasil

Novas soluções, regras antifraude e projetos do Banco Central mostram como o mercado de pagamentos digitais deve evoluir nos próximos anos

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Mudanças nos hábitos de consumo impulsionam novas tecnologias e ampliam as formas de pagar e receber no país
Mudanças nos hábitos de consumo impulsionam novas tecnologias e ampliam as formas de pagar e receber no país Foto: Magnific

O Pix se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado do Brasil e já responde por mais da metade de todas as transações realizadas no país, segundo as Estatísticas de Pagamentos de Varejo do Banco Central. Nas compras presenciais, o pagamento por aproximação se tornou o padrão, presente em cerca de 74% das operações com cartão, de acordo com a Abecs. Juntas, as duas tecnologias redesenharam a forma como brasileiros pagam e recebem.

Os números mais recentes do Banco Central ajudam a dimensionar essa transformação: no segundo semestre de 2025, o sistema de pagamentos brasileiro registrou 78,4 bilhões de transações, alta de 12,9% sobre o mesmo período do ano anterior, com volume financeiro de R$ 68,2 trilhões, crescimento de 14,1%.

O avanço foi puxado principalmente pelo Pix, que cresceu 24,3% no período.

Cartões seguem relevantes, mas com regras diferentes por setor

Apesar da expansão dos pagamentos instantâneos, os cartões continuam ocupando fatia expressiva do mercado. Crédito e débito somados representam cerca de 30% do total de transações, com 23,8 bilhões de operações registradas em um único semestre.

Os dados indicam que o crescimento do Pix não ocorreu apenas por substituição direta dos cartões, mas acompanhou a expansão do próprio volume total de pagamentos no país, movimento que corre em paralelo à trajetória de preços acompanhada nos indicadores de inflação e ao comportamento do consumo das famílias.

O leque de meios aceitos, porém, deixou de ser o mesmo em todos os setores. No segmento dos cassinos ao vivo e on-line, a regulação do mercado de apostas restringiu o uso do cartão de crédito por razões de segurança e rastreabilidade. Na prática, cada transação precisa partir de conta bancária do mesmo titular cadastrado na plataforma, o que elimina intermediários, e ser concluída em até duas horas. O desenho reforça o papel do Pix como meio central nesse tipo de operação.

Pagamento por aproximação: de nicho a padrão em cinco anos

Poucas tecnologias de pagamento cresceram tão rápido quanto o contactless no Brasil. Segundo a Abecs, associação que reúne as empresas de cartões e serviços, a modalidade saltou de 5,4% das transações presenciais em dezembro de 2020 para 73,6% em dezembro de 2025, tornando-se a inovação de maior crescimento entre os meios de pagamento digitais no período.

O método permite concluir a compra encostando cartão, celular ou relógio inteligente no terminal, sem inserir o cartão nem digitar senha em parte das operações. A adoção ganhou força durante a pandemia, quando o formato foi adotado para reduzir o contato com superfícies, e se consolidou depois como comportamento padrão no ponto de venda.

Pix Automático e biometria apontam a próxima fase

Entre as tendências estruturais do setor estão o Pix Automático, voltado a pagamentos recorrentes como assinaturas e mensalidades, e a confirmação biométrica de transações, que adiciona uma camada de autenticação sem atrito para o usuário.

Análise da Okto Payments projeta que os métodos instantâneos sigam ampliando sua participação nas transações do país, com ganho de escala em comércio eletrônico e plataformas digitais, onde a confirmação imediata reduz falhas de processamento e inadimplência. Por partir de uma fornecedora de infraestrutura de pagamentos, a projeção tem caráter de leitura setorial, e não de estatística oficial, mas converge com a trajetória registrada pelo Banco Central nos dados de varejo.

Agenda do Banco Central: uso internacional, pagamento offline e crédito

O Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central, apresenta um balanço do sistema e a agenda de desenvolvimento para os próximos anos. Em 2025, o Pix registrou quase 80 bilhões de transações e movimentou mais de R$ 35 trilhões, alta de 33,6% sobre o ano anterior. O sistema foi utilizado por 148 milhões de pessoas, o equivalente a 86% da população adulta, e por 12,8 milhões de empresas, segundo balanço divulgado pela Agência Brasil.

Entre os projetos em estudo estão a interligação do Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países e a hubs multilaterais, ampliando as possibilidades já disponíveis para quem usa o Pix em viagens ao exterior por meio de acordos específicos. A agenda inclui ainda o pagamento por aproximação em modo offline, o uso de fluxos futuros de recebimento como garantia em operações de crédito, o pagamento de duplicatas escriturais via Pix e a adequação do sistema ao recolhimento de tributos em tempo real, no chamado split tributário, frente ligada à Reforma Tributária conduzida pelo Ministério da Fazenda.

O relatório também trata do uso indevido do campo de mensagens das transferências que, segundo o Banco Central, vem sendo empregado para envio de conteúdo ofensivo ou intimidatório, frequentemente associado a transações de valor irrisório. Um grupo de trabalho foi criado no âmbito do Fórum Pix para avaliar o tema.

Regras antifraude em evolução contínua

A segurança segue como prioridade permanente da agenda regulatória. O Banco Central vem atualizando de forma recorrente as medidas de combate a fraudes em transferências instantâneas, ajustando prazos de implementação quando as instituições financeiras precisam de mais tempo de adaptação.

Uma das mudanças mais relevantes foi a ampliação do prazo de contestação de devoluções suspeitas de fraude, que passou de 30 para 80 dias. A regra consta do Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) e da Instrução Normativa BCB nº 766, e vale para quem recebeu um Pix e desconfia que a devolução acionada pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) foi indevida. O prazo de 80 dias já se aplicava a quem enviou a transferência e solicita o mecanismo.

O reforço das regras ocorre em meio à persistência de golpes envolvendo transferências instantâneas, entre eles os que usam comprovantes falsos de Pix para simular pagamentos não realizados. Para consumidores e empresas, a leitura é direta: quanto mais o Pix se torna a infraestrutura padrão de pagamentos do país, mais a segurança, a autenticação e os mecanismos de devolução tendem a evoluir junto com ele.