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Yamaha YZF-R3 World GP 60TH Anniversary Edition na pista

Edição especial comemora os 60 anos do fabricante em GPs; mesmo modelo que circula pelas ruas também compete nas pistas.

Yamaha YZF-R3 World GP 60TH Anniversary Edition de frente
Pintura em branco decorada com o “speed block” em vermelho faz alusão ás motos de corrida da Yamaha Foto: Yamaha/Divulgação

Depois de produzir sua primeira motocicleta em 1955, o modelo YA-1, a marca japonesa Yamaha desembarcou no Brasil em 1970 ainda como importadora. Em outubro de 1974, inaugurou sua primeira fábrica fora do Japão, em Guarulhos (SP), produzindo a RD 50. Atualmente, toda a linha de montagem de 16 diferentes modelos está concentrada em Manaus (AM).

Inclusive a Yamaha YZF-R3 comemorativa dos 60 anos da primeira corrida da marca em Grandes Prêmios, com estreia no GP da França em 1961. De lá para cá, são mais de 500 vitórias, com nomes como Giacomo Agostini, Valentino Rossi e o atual campeão da MotoGP, Fabio Quartararo.

Em edição especial, a YZF-R3 será produzida até dezembro de 2022, com pintura semelhante às pioneiras, em branco e decorada com o característico “speed block” em vermelho, mesma cor do pára-lama dianteiro e das faixas sobre o tanque e nas laterais da rabeta.

A Yamaha YZF-R3, edição comemorativa dos 60 anos de disputas em Grandes Prêmios, tem ainda “number plate” amarelo, selo comemorativo sobre o tanque, emblema alusivo na tampa da caixa do filtro de ar e rodas e bengalas douradas. O preço sugerido, sem frete, é de R$ 31.902.

Mecânica da Yamaha YZF-R3

As características técnicas e mecânicas da Yamaha YZF-R3 comemorativa, entretanto, permanecem inalteradas em relação ao modelo de série. O desenho, contudo, tem inspiração na superesportiva YZF-R1, que, por sua vez, é baseada na YZR-M1 que compete no Mundial de MotoGP. Especialmente a carenagem, com tomada de ar frontal em forma de “M”.

Exatamente este mesmo modelo também compete na Copa R3 (Yamalube R3 bLU cRU Cup Brasil) e no Mundial de SuperBike 300 na Europa. O motor é um dois cilindros em linha com 321 cm³, equipado com duplo comando, quatro válvulas por cilindro, pistões forjados em alumínio e arrefecimento líquido.

A potência é de 42,01 cv a 10.750 rpm, e o torque, de 3,02 kgfm a 9.000 rpm. O quadro da Yamaha YZF-R3 tem arquitetura diamond em aço, com dupla trave superior, proporcionando um peso, já abastecida, de 171 kg.

A suspensão dianteira é invertida, com 130mm de curso, e a traseira, mono, em balança assimétrica de aço, com 125 mm de curso e sete regulagens na pré-carga. Para frear, a dianteira tem um discão de 298 mm, ventilado e flutuante, com pinças de duplo pistão, enquanto a traseira tem disco de 220 mm. Ambos com ABS.

Um dia de piloto na Yamaha YZF-R3

Com algumas arrobas acima do peso e a carcaça envergada pelo tempo, aceitei o convite de pilotar uma Yamaha YZF-R3 oficial, em uma das etapas da Copa R3. Com medo de “pagar mico”, até ensaiei uma rigorosa dieta e também uns abdominais, prontamente abandonados logo depois.

Para aumentar o frio na barriga, a pista seria a do Circuito dos Cristais, em Curvelo (MG). É a mais técnica do Brasil, com extensão de 4.420 metros, 18 curvas, sendo 11 para a esquerda e 7 para a direita em sentido anti horário, com desnível de 30 metros e reta principal de 815 metros.

Só para aterrorizar, o traçado também tem a descida do “adeus mamãe”, as curvas da “cauda da onça, de três raios, orelha, da cabeça, ferradura, anzol e vitória”. Algumas delas, ainda por cima, são cegas.

A Copa R3, disputada em paralelo com o Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, reúne cerca de 40 motos e faz parte do programa bLU cRU (algo como Tripulação Azul) de incentivo ao esporte e revelação de novos talentos. Os vencedores recebem apoio técnico e financeiro para disputar os principais torneios, como o Mundial de SuperBike 300 e o R3 European Cup, por exemplo, alavancando na carreira internacional.

As motos

Sob o comando de Alan Douglas, tetracampeão das 500 milhas Brasil, a equipe AD78 faz a preparação das Yamahas YZF-R3 rigorosamente iguais, para serem sorteadas entre os participantes a cada rodada. Mecânicos, manutenção, telemetria, gasolina, óleo, macacão, transporte, pneus e estrutura de box são subsidiados.

A decoração também é padronizada e segue o desenho dos modelos do Mundial de MotoGP. O conjunto mecânico é original, porém os supérfluos são retirados, como espelhos, setas, descanso, farol, pedaleiras traseiras, suporte de placa, etc, em uma redução de cerca de 20 kg, Painel e partida elétrica ficam.

São incluídos novos escapes mais leves e menos restritivos (cerca de 3 cv a mais) protetor de manete de freio, pedaleira de câmbio invertida (pedaleiras mais altas), ajustes nas suspensões (mais rígida e baixa) e mangueiras com aeroquips (sem o sistema ABS), além pneus Diablo Supercorsa mais leves e super aderentes.

Hora da onça

A Yamalube R3 bLU cRU Cup está aberta para pilotos a partir de 12 anos. É desde cedo que se torce o pepino: foi o que constatei no briefing antes da prova, ao perguntar ao “concorrente” do lado qual era o peso dele. A resposta, na lata, secou ainda mais a minha boca: “43 quilos”.

Este mesmo piloto ainda deu valiosas dicas, como a importância do vácuo na reta. Porém, era eu quem proporcionava o vácuo. Com as motos exatamente iguais, o “braço” faz a diferença.

Também aprendi a relevância da soma dos pequenos detalhes e do “sangue nos olhos”. Coisa que não falta nos pilotos mirins, futuros campeões. Tirar uma casquinha naquela zebra, derrapar um pouco naquela curva, para não perder a outra, eram exemplos de como derrotar o cronômetro.

É quase inacreditável a agilidade e a capacidade de carregar velocidade nas curvas dos pilotos da Copa R3. A tal ponto que, nos trechos mais travados, eles eram quase tão rápidos como as Superbikes 1000 do Campeonato Brasileiro.

Sem conseguir um acordo razoável com as leis de Newton, pude “assistir” de dentro, o espetáculo e ir aprendendo mais. Um pneu dianteiro perdendo pressão fez as curvas mais quadradas. Porém, não desisti (herança do fora de estrada), o que me rendeu uma advertência. Poderia colocar os outros competidores em risco.

Para a segunda prova, pneus novos e também novo curso de pilotagem e uma certeza. A maior competição monomarca da América do Sul é uma usina de talentos.

Veja a Yamaha YZF-R3 World GP 60TH Anniversary Edition em ação no vídeo: