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Kawasaki Ninja ZX-14 - Avião sem asa

Essa moto é um verdadeiro míssil, com 200 cv, que também pode ser usada de forma mais suave em baixas velocidades, conciliando conforto e esportividade

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Foto:

O visual é sóbrio, com destaque para a bateria de faróis na dianteira

A Ninja ZX-14, lançada em março, disputa o título de moto de série mais potente e rápida do mundo. Um verdadeiro avião terrestre que atinge 300 km/h e só vai além porque tem o fabricante teve bom-senso de equipá-la com limitador eletrônico de velocidade. O responsável pela façanha é um motor de quatro cilindros em linha, de 1.352 cm³, refrigerado a água, 16 válvulas, alimentado com injeção eletrônica que fornece 190 cv a 9.500 rpm, que saltam para 200 cv, em altas velocidades, com o efeito da pressurização do ar, que funciona como um turbo, com enorme tomada no bico da carenagem.

Pilotar a ZX-14, porém, não requer nenhum brevê de aviação. A engenharia da montadora conseguiu a proeza de deixar a moto surpreendentemente suave em baixas velocidades, permitindo rodar domingueiramente graças a um megatorque de 15,7 kgfm a 7.500 rpm e de uma posição de comando mais confortável, misto entre o esportivo e o touring, ou Sport Touring, como prefere a montadora. Dessa forma, a moto só assusta e intimida antes de andar. Em movimento, a Ninja ZX-14 transmite segurança e sensação de controle.

A pilotagem confortável não perde esportividade. O painel conserva o velocímetro e o conta-giros analógicos, mas tem tela digital


Decolando

Entretanto, a porção furiosa do modelo está sempre alerta, pronta para entrar em ação, se o piloto desejar. Basta torcer o acelerador e testar o juízo. Essa dualidade de caráter deixa o modelo bastante interessante e também mais versátil, já que é possível rodar de modo comportado, com um banco confortável e uma ergonomia que não castiga a coluna do piloto, ou esportivamente, negociando curvas e retas, em uma tocada prazerosa, com direito a overdose de adrenalina.

Já que a moto arranca como um dragster e mantém altas velocidades, o conjunto de freios foi projetado para corresponder. Na dianteira, dois discos tipo margarida de 310mm, mordidos por pinças (Nissin) de quatro pistãos, e fixação radial, além do opcional sistema ABS. Na traseira, um disco simples de 250mm e pinça de dois pistãos. Os freios funcionam bem de forma progressiva sem serem ‘borrachudos’, proporcionando confiança. Item fundamental em uma pilotagem esportiva.

Visual

O destaque é a carenagem, com grande área frontal. De forma mais achatada, tem uma espécie de colar de faróis. São quatro lâmpadas e mais duas lanternas circundando a enorme tomada de ar como um sorriso. Nas laterais, os frisos lembram o desenho da Ferrari Testarossa. Os frisos também estão presentes na proteção aerodinâmica das canelas da suspensão dianteira e nas hastes dos retrovisores. Os escapes são convencionais, com saídas laterais. Na traseira, o farolete com leds, tem desenho assimétrico.

Outro destaque, fica escondido. O quadro não é convencional. Feito em alumínio, trata-se de uma espécie de manta, que cobre e abraça o motor e faz a ligação com os outros elementos. O painel tem velocímetro e conta-giros analógicos e grande tela digital com todas as outras informações. A suspensão dianteira é invertida, com tubos de 43mm e a traseira, mono. Ambas são reguláveis. As rodas, de aros 17 polegadas, são calçadas com pneus 120/70 na dianteira e 190/50 na traseira. O peso a seco é de 215kg. O modelo avaliado pode ser encontrado na Moto Company (31) 3297-2206, por R$ 78 mil.