Uma tecnologia que prometia durabilidade e silêncio se tornou uma fonte de preocupação para donos de alguns dos carros mais vendidos no Brasil. A correia dentada banhada a óleo, presente em motores de marcas como Ford, Chevrolet e Stellantis, tem gerado relatos de falhas prematuras e custos de reparo elevados, acendendo um alerta no mercado.
Diferente da correia seca tradicional, este componente trabalha dentro do motor, em contato direto com o óleo lubrificante. A proposta era unir a durabilidade de uma corrente metálica com o funcionamento silencioso de uma correia de borracha. No entanto, o sistema se mostrou sensível a manutenções inadequadas.
O principal problema ocorre quando a correia começa a se degradar. Pequenos fragmentos de borracha se soltam e podem ser levados pela circulação do óleo, entupindo o pescador de óleo e galerias internas. Com a lubrificação comprometida, o motor pode sofrer danos severos, levando em muitos casos à sua perda total.
Quais carros usam (ou usaram) a correia banhada a óleo?
A lista de veículos que utilizam essa tecnologia no Brasil inclui modelos populares, alguns já descontinuados mas ainda muito presentes no mercado de usados. Saber se o seu carro está nela é o primeiro passo para adotar os cuidados necessários. Confira os principais:
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Ford: A tecnologia foi usada nos motores 1.0 Ti-VCT de três cilindros que equiparam modelos como Ka, New Fiesta e EcoSport, que já saíram de linha. Também está presente em versões da Ranger (motor 2.0 turbodiesel) e da van Transit (2.0 EcoBlue).
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Chevrolet: Presente em toda a linha com motores 1.0 e 1.2 Turbo, como Onix, Onix Plus, Tracker e Montana. Após polêmicas sobre a durabilidade, a GM anunciou em novembro de 2024 uma garantia estendida de 240 mil km, sem limite de tempo, para a correia de veículos fabricados a partir de 2020.
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Stellantis (Fiat, Peugeot, Citroën): Na Stellantis, a tecnologia foi utilizada nos motores 1.2 PureTech, presentes em gerações anteriores de modelos da Peugeot e Citroën no Brasil. Os atuais motores 1.0 Turbo 200 da família Firefly utilizam corrente de comando.
Como evitar problemas e o que fazer?
O cuidado mais importante é o uso rigoroso do óleo lubrificante com a especificação exata recomendada pela montadora no manual do proprietário. Produtos fora da especificação podem acelerar o desgaste da correia e iniciar o processo de contaminação do motor.
Seguir o plano de manutenção preventiva é fundamental. A troca da correia deve ser realizada dentro do prazo estipulado pelo fabricante, sem adiamentos. A inspeção visual do componente, embora mais complexa por ser interno, também é recomendada em revisões periódicas.
Fique atento a qualquer sinal de alerta no painel, especialmente a luz de pressão do óleo. Caso ela acenda, pare o veículo imediatamente em um local seguro e chame um reboque. Insistir em rodar com baixa pressão de óleo pode levar a um dano irreversível ao motor em poucos minutos.
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