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Veículos comerciais valorizaram até 50% nos últimos três anos

Mas tome muito cuidado, carro não é investimento; quando a situação se normalizar no setor automotivo, os preços dos usados voltarão à realidade de antes

Kia Bongo comercial leve branco carroceria baú
O Kia Bongo foi o veículo comercial que mais valorizou, com alta de 48,9% no mercado de usados Kia/Divulgação

Ganhar dinheiro com investimento financeiro não é pra qualquer um. Mesmo com informações privilegiadas, com uma boa assessoria e com muita sorte, quem acreditaria que o dólar, por exemplo, teria um aumento de 40% nos últimos três anos? Dólar, ouro e ações na Bolsa de Valores tiveram valorizações nessa ordem. Quem investiu, ganhou dinheiro. Agora, imagine se você pudesse investir num negócio, numa ferramenta com a qual pudesse ganhar dinheiro e depois de três anos essa ferramenta valesse mais do que quando você a comprou? Acredite se quiser: isso aconteceu no mercado de veículos usados, no segmento de comerciais leves.

Fiat Fiorino furgão vermelho modelo 2018
O Fiat Fiorino teve valorização de 22% no mercado de usados nos últimos três anos

O Selo Maior Valor de Revenda Veículos Comerciais 2022 revelou que alguns modelos tiveram valorização de até 50% nos últimos três anos. O estudo comparou o preço do veículo zero quilômetro, vendido em junho de 2019, com esse mesmo modelo, em maio de 2022, ou seja, após três anos de uso.

Dos 139 modelos pesquisados – caminhões e utilitários –, apenas 10 não tiveram índices positivos. Todos os outros valorizaram. O Kia Bongo foi o utilitário que mais valorizou, com alta de 48,9%, mas a maioria dos modelos teve altas expressivas, como o Renault Master (39,8%), o Fiat Fiorino (22%) e a Mercedes-Benz Sprinter (22,3%), ganhadores do Selo Maior Valor de Revenda em suas categorias. O setor de caminhões teve aumentos ainda mais brutais: modelos como o Volkswagen Delivery (50,4%) e o Mercedes-Benz Atego (50,9%) aumentaram mais de 50%.

Mercedes-Benz Sprinter furgão branca
A valorização da Mercedes-Benz Sprinter foi de 22,3%, de acordo com a pesquisa

O setor de veículos comerciais teve incremento ainda maior por causa da expansão das entregas em domicílio nos centros urbanos, provocadas pela pandemia do coronavírus. Mas o mercado de carros de passeio segue na mesma toada, situação agravada pela falta de componentes na indústria, que provoca aumento de preços no carro zero e, como consequência, sobem os preços dos usados.

Claro que, como falamos aqui na semana passada, carro não é investimento, portanto, não entenda esse panorama como oportunidade para comprar agora e vender “com lucro” mais tarde. Nada disso. O mercado de carros vive um momento excepcional, uma deturpação dos preços em função da falta de produto. Com a normalização da produção, prevista para o ano que vem, os preços devem retomar ao patamar anterior à crise.

Confira o vídeo da picape Fiat Strada, modelo que tem boa valorização entre os comerciais leves

Manutenção mais cara para veículos comerciais e automóveis

A cesta de Serviços de Oficina (revisão, balanceamento, alinhamento etc) foi a que mais encareceu entre os itens da Inflação do Carro em maio. O custo de rodar e manter o automóvel subiu 0,91% no mês, mas os preços dos serviços aumentaram 4,5%. O custo de mão de obra de oficina no mês somou R$ 327,31, o que representa 15,8% do total de gasto do motorista com o uso e a manutenção do carro. O levantamento leva em conta a manutenção preventiva, ou seja: a troca das peças antes de quebrar. O total de gasto do motorista em maio foi de R$ 2.065.

Moto vira uma boa opção para quem quer gastar menos

Assim como o aumento dos preços de carro zero e seminovo empurrou o consumidor para o segmento dos velhinhos (carros com mais de 14 anos), levou também boa parte de consumidores para a motocicleta, que tem menor custo de manutenção, além de ser um investimento mais baixo.

As vendas tiveram crescimento expressivo este ano: foram 600 mil unidades de janeiro a maio, contra 463 mil no mesmo período do ano passado, um crescimento de 22,9%. O avanço dos serviços de entrega e o maior uso da motocicleta nos deslocamentos urbanos estão entre os fatores que fazem a demanda pelo veículo continuar em alta e não exatamente o “desejo de empreender”, como é denominado o subemprego.