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UAI
Fernando Calmon

Carro popular e bateria de sódio são temas em ampla discussão

Coluna desta semana aborda debates sobre eletrificação da frota brasileira e uso de inteligência artificial na hora de decisão de compra

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Baterias de sódio prometem reduzir custos de produção de carros elétricos
Baterias de sódio prometem reduzir custos de produção de carros elétricos Foto: Reprodução

Na recente edição do evento Future Mobility realizado na capital paulista, híbridos e elétricos, conectividade, sustentabilidade e inovação foram motivo de discussões aprofundadas. Reuniu fabricantes, fornecedores, empresas de tecnologia e especialistas que informaram e debateram soluções para os próximos anos.

Uma das pautas mais interessantes foi apresentada pelo consultor Murilo Briganti, executivo operacional-chefe da Bright Consulting. Ele chamou atenção para o desaparecimento paulatino do chamado carro popular. Novas exigências regulatórias de itens de segurança, além de eficiência energética para diminuir consumo de combustível e emissões, tornaram os carros mais caros.

Por outro lado, aumentou a oferta de novos veículos e de marcas chinesas que pressionaram os preços para baixo. Briganti prevê uma concorrência cada vez mais acirrada e até 2030 produtos chineses, importados ou produzidos localmente, poderão aumentar a participação de mercado para 30%.

Também na sua avaliação diferentes tecnologias vão conviver no mínimo em médio prazo. Isso inclui motores flex, semi-híbridos, híbridos plenos e plugáveis, além de veículos apenas elétricos. Assim, o consumidor terá alternativas compatíveis com diferentes perfis de uso.

Em outro evento, o Energy Summit, no Rio de Janeiro, o especialista israelense em eletroquímica Doron Aubarch chamou atenção para as baterias de sódio. “Além de que nunca teremos escassez de sódio, esta é uma alternativa às de lítio. A China representa um grande avanço com o lítio, mas outros países precisam de uma indústria local”, completou.

Baterias de sódio apresentam menor risco de incêndio e operam melhor em temperaturas extremas positivas ou negativas. Todavia entregam menor densidade energética. O seu preço deve igualar-se às de lítio no próximo ano.


Quase 60% já usam I.A. na compra de carros no Brasil


Os dados são do Google e apresentados durante o recente seminário Anfavea Visions 2026. Na pesquisa, 57% informaram que usam ferramentas de inteligência artificial (I.A.) no processo de escolha da marca e tipo de veículo. Isso acaba por alongar o tempo até a decisão final. Organizar informações e comparar opções pelo maior acesso a todo o universo de ofertas incentivam o consumidor a avançar nas pesquisas antes da escolha. Enquanto outros 30% apelam à I.A. para comparar fabricantes e modelos, 13% admitem transferir parte da decisão à própria I.A.

Aqui estamos entre os mercados mundiais mais receptivos a essa mudança. Outra pesquisa, desta vez Google/Ipsos com 21.000 pessoas em 21 países, havia indicado que 54% dos brasileiros usaram I.A. generativa em 2024, acima da média global de 48%. Também se registram 65% de percepção positiva sobre a tecnologia e 60% acreditam em ganhos econômicos associados ao seu avanço.

Especialistas preveem que o próximo passo virá com agentes de I.A. capazes de executar tarefas de forma autônoma para o usuário desde o processo de compra ao pós-venda. Veículos conectados ajudarão, pois enviarão dados de forma direta a fabricantes e concessionárias.

Mas nem tudo são flores. A Ford acaba de contratar 350 engenheiros seniores para seus quadros técnicos nos EUA. Segundo a agência Bloomberg eles chegaram para corrigir problemas ocasionados pela inteligência artificial, que causaram prejuízos bilionários à fabricante.

Quanto ao transporte por aplicativos, a empresa brasileira Machine, especialista em alternativas de mobilidade e entregas, indica que cinco marcas dominam cerca de 80% das viagens: Chevrolet (20,94%), Volkswagen (19,08%), Fiat (18,40%), Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%).


GWM confirma a segunda fábrica no Brasil


Na cidade de Aracruz, a 80 km de Vitória, capital do Espírito Santo, será construída a segunda fábrica da GWM. A empresa chinesa produz aqui desde agosto de 2025 nas instalações adquiridas da Mercedes-Benz, que interrompeu a produção em dezembro de 2020. De lá saem os SUVs H6 e H0 e a picape Poer. A marca não informou o total a investir no estado capixaba, nem todos os produtos escolhidos. Contudo, há a confirmação de pelo menos um modelo: o SUV elétrico Ora 5, lançado no mês passado.

A nova instalação industrial em área de 1,7 milhão de m² prevê a produção de veículos a combustão (certamente com motores flex), híbridos e elétricos. O novo investimento faz parte dos R$ 10 bilhões que a marca reservou ao Brasil ao longo de 10 anos (até 2032) e vai gerar 9.000 empregos diretos e indiretos. Local escolhido é estratégico por estar em um dos maiores polos logísticos e portuários, que abriga a primeira Zona de Processamento de Exportação de capital privado do País, inaugurada em julho de 2023. A GWM terá então condições competitivas de exportar para os principais mercados da América Latina: Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e México.

Em janeiro deste ano a fabricante já havia anunciado tratativas com o governo estadual e agora, apenas seis meses depois, acertou o segundo investimento que poderá superar o total antes previsto de R$ 10 bilhões, a depender do crescimento do mercado brasileiro.

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Ressalva: Na coluna da semana passada, trecho correto da nota de Sérgio Nobre, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), antes da controversa decisão do Gecex, é o seguinte: “Caso aprovada a reversão da medida que impõe a retomada da tributação, com o consequente retorno da importação de veículos SKD e CKD em alto volume, teremos um prolongamento dos impactos claramente negativos ao processo de reindustrialização do País, ameaçando empregos qualificados em toda a cadeia automotiva e afetando gravemente os esforços do País na implementação do programa Nova Indústria Brasil (NIB).”

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