Uma besteira estabelecida pela administração anterior do Contran, que só trouxe vantagens ($$$) para as auto-escolas e que dá margem a corrupções e picaretagens de toda ordem, é o curso de direção defensiva e primeiros socorros, para renovação da carteira de habilitação.
Uma amiga estava num desses cursos e ouviu a professora perguntar a uma ?aluna? como fazer para ligar o motor de um Palio, caso ele se recusasse a pegar, apesar de estar tudo em ordem, tanque cheio, etc. A resposta veio pronta: "Ligo para meu marido, pedindo socorro, pego um táxi e vou para casa"...
Enquanto a turma ria, a professora explicava que o problema estava na chave, pois a maioria dos carros da Fiat tem o sistema de chave codificada. Ou seja, tem um chip interno que, se não for reconhecido pelo sistema de injeção, não deixa o carro funcionar. Excepcional contra furtos, mas uma encrenca, quando sofre interferência magnética ou leva uma pancada. (A solução é usar a chave reserva e levar a original para ser novamente codificada. Ou virar a chave sem dar no arranque, e esperar uns dois minutos, pois o sistema eventualmente se reprograma sozinho.)
Mas a professora, extrapolando suas funções e com o inequívoco pendor brasileiro para o chute científico, deu o ?pulo do gato? para a turma: "Quando isso acontece, tem que bater 12 vezes com a chave contra uma superfície dura para a chave voltar a ligar o motor". Porque não 11 nem 13 vezes para esta autêntica ?macumba do chip? não lhe foi perguntado nem explicado...
Bode expiatório
As montadoras estão preocupadas com as informações da Agencia Nacional de Petróleo (ANP) de que gasolina e álcool estão sendo cada vez menos adulterados. Porque o combustível de má qualidade é o vilão favorito para explicar todos os problemas que afligem os motores dos nossos automóveis. O óleo virou borra? É a gasolina com solvente. O motor travou aos 6.000km? É o combustível adulterado. O consumo do flex é um absurdo? Pudera, com tanta água no álcool...
É claro que o combustível de má qualidade provoca problemas. Mas jamais com a intensidade e freqüência verificadas nos nossos automóveis. A engenharia das fábricas sabe que os motores funcionam com esforços, rotações e pressões de trabalho cada vez maiores, mas, apesar disso, espichou a quilometragem da troca, reduziu o cárter e o óleo passou a trabalhar cada vez em temperaturas mais elevadas.
Ao perceberem o problema, algumas montadoras chegaram a alterar suas recomendações, reduzindo a viscosidade do óleo e o seu prazo de troca, para evitar a borra. Mas devem ter sido proibidas por seus advogados de alertar os proprietários de modelos anteriores para reprogramar seu esquema de manutenção, pois seria um reconhecimento de culpa.
Nos EUA, onde respeito ao consumidor é levado a sério, a Volkswagen comunicou oficialmente aos proprietários de alguns de seus modelos a alteração do prazo de troca de óleo e estendeu a garantia dos motores. No Brasil, bico calado.
Deu para entender por que as montadoras brasileiras estão preocupadas com a crescente qualidade dos combustíveis?
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