A BYD anunciou a encomenda de dez novos navios cargueiros, elevando sua frota própria para 18 embarcações. A medida é parte de uma agressiva estratégia de expansão global, impulsionada pela necessidade de compensar uma retração em seu mercado doméstico. Em agosto de 2026, a gigante chinesa registrou uma queda de 35% nas vendas na China, enquanto suas exportações dispararam 131% no mesmo período, atingindo 184 mil unidades.
Com a nova aquisição, a capacidade total da frota da BYD ultrapassará 130 mil CEUs (Car Equivalent Units). Os dez novos navios cargueiros, do tipo RoRo (Roll-on/Roll-off), terão capacidade individual para 9.200 veículos e permitirão que os carros entrem e saiam rodando, agilizando a operação nos portos. As entregas das novas embarcações estão programadas para ocorrer entre 2027 e 2029.
Estratégia global com impacto indireto no Brasil
Embora a expansão da frota vise principalmente mercados na Europa e Sudeste Asiático, a operação logística fortalecida também beneficia o Brasil. No entanto, o cenário local mudou significativamente, pois a BYD iniciou a produção nacional em sua fábrica de Camaçari (BA) em julho de 2025. Com isso, modelos de grande volume já não dependem da importação, o que reduz o impacto direto de custos de frete e do imposto de importação para o consumidor final.
A fábrica baiana, inclusive, já se tornou um polo de exportação, com planos anunciados de enviar 100 mil veículos para mercados como Argentina e México. A frota própria da BYD, portanto, apoiará não apenas a importação de modelos específicos ou componentes, mas também a exportação de carros “Made in Brazil”.
A iniciativa consolida a posição da BYD, que já detém 35,4% das exportações de veículos eletrificados da China. Ao controlar sua própria logística marítima, a empresa ganha autonomia contra a volatilidade dos preços de frete e garante o escoamento de sua produção para se consolidar como uma potência automotiva global.
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