Teste: Linha 2020 do Fiat Argo 1.0 Drive tem bom desempenho, mas custa caro

Testamos o modelo 2020 do Argo Drive, que tem preço acima dos R$ 50 mil e traz lista de equipamentos que fica devendo conteúdo. O consumo de combustível é o atrativo

Teste: Linha 2020 do Fiat Argo 1.0 Drive tem bom desempenho, mas custa caro Testamos o modelo 2020 do Argo Drive, que tem preço acima dos R$ 50 mil e traz lista de equipamentos que fica devendo conteúdo. O consumo de combustível é o atrativo
Avaliação:

Versão Drive 1.0 é a segunda mais simples e não tem um pacote de equipamentos dos mais completos

 

Quando testamos o Fiat Argo 1.0 Drive em 2017, a versão básica do modelo era vendida por R$ 46.800 e deixava a desejar por não ter em sua lista de equipamentos alguns itens básicos, além de outros oferecidos pela concorrência. Agora, o modelo 2020 do hatch é vendido por R$ 49.590, na versão de entrada, mas se for a 1.0 Drive, o preço sobe para R$ 53.590. Tudo isso por um carro compacto, com roda de aço, sem equipamento de som e com poucos itens de segurança. É presa fácil para a concorrência.

Se considerarmos o conteúdo, o Argo Drive perde feio para o Chevrolet Onix 1.0 LT, que já traz de série seis airbags e controles de tração e estabilidade, além de outros equipamentos, e custa R$ 700 a menos. No quesito conteúdo, o modelo da marca italiana perde também para o Hyundai HB20 1.0 Vision e o VW Polo 1.0, e se equipara com o Renault Sandero 1.0 Zen, mas este custa cerca de R$ 3 mil a menos. E se considerarmos o conjunto mecânico, o motor do Argo é o de menor potência, que é compensada pelo melhor torque. O certo é que, independentemente de conteúdo e mecânica, todos os modelos têm preços salgados para um hatch compacto com motor 1.0.

Modelo tem maçanetas pintadas na cor da carroceria e os retrovisores em preto, com repetidores de seta

Depois da versão 1.0 flex, o Argo Drive 1.0 é a segunda opção mais simples. O modelo traz faróis halógenos, não tem os auxiliares de neblina e nem assinatura de LED. As maçanetas são pintadas na cor da carroceria e os retrovisores em preto, com repetidores de seta. A versão custa quase R$ 54 mil e vem equipada com rodas de aço de 14 polegadas, mas para “compensar” traz defletor de ar na traseira e brake ligth. O porta-malas, que está entre os maiores do segmento (com 300 litros), tem o interior todo revestido e conta com iluminação e puxador na tampa, para facilitar o fechamento.

ESPAÇO O espaço interno do Argo é compatível com o tamanho do carro, mas depois de reestilizados, os concorrentes passaram a oferecer mais neste quesito. Os bancos dianteiros do Argo não apoiam por completo as pernas, mas trazem abas laterais para acomodar melhor o corpo. O banco do motorista conta com ajuste manual de altura, mecanismo que não está presente no assento ao lado. No banco traseiro, o espaço em relação aos dianteiros é até bom, mas o assento não apoia bem as pernas. Mas, apesar do túnel no assoalho ser baixo, três pessoas no banco traseiro viajam apertadas e contam com apenas uma entrada USB. No quesito segurança, tudo certo no banco traseiro.

Na traseira, o defletor de ar na parte superior da tampa do porta-malas se destaca

No acabamento interno predomina o plástico duro, com o detalhe de uma faixa cinza no painel. Os bancos são revestidos em tecido, o mesmo presente no apoio de braço das portas. O painel traz teclas físicas para o comando do controle de tração (ASR), do start/stop e para a trava das portas. Já o painel de instrumentos tem velocímetro e conta-giros analógicos e uma pequena tela no centro com o computador de bordo e o velocímetro digital. O volante tem regulagem apenas de altura, a base suavemente achatada, três raios e comandos só de um lado para acesso ao computador de bordo e ao celular.

Muito plástico duro no acabamento interno e multimídia com tela de nove polegadas

DIRIGINDO O motor 1.0 três-cilindros que equipa o Argo Drive é o menos potente quando comparado com a concorrência, mas tem bom torque, detalhe que contribui muito para o bom desempenho. O propulsor dá conta do recado se você não exigir demais. Com apenas o motorista, ele garante boas arrancadas e retomadas de velocidade compatíveis com a cilindrada. Basta lembrar que você vai precisar de mais tempo e espaço para ultrapassar. Mas com o carro pesado e o ar-condicionado ligado, o desempenho piora, exigindo muitas trocas de marchas, principalmente primeira e segundo. No circuito misto de teste (cidade/estrada), o computador de bordo registrou 12km/l com gasolina e 11km/l com etanol.

Assento do banco traseiro é curto e não apoia bem as pernas

As relações de marchas do câmbio manual poderiam ser um pouco mais curtas, para deixar o carro mais esperto na cidade e na estrada. Além disso, o curso da alavanca é muito longo e os engates não são tão precisos. É um câmbio meio frouxo. As suspensões são mais duras, favorecendo a estabilidade, mas não chega a comprometer tanto o conforto quando o carro trafega sobre pisos irregulares. A direção, com assistência elétrica, tem boa calibragem, garantindo conforto em manobras, com bom diâmetro de giro, e segurança em velocidades elevadas. A câmera de ré com linhas de referência e sensor de estacionamento traseiro facilitam a vida do motorista. O sistema de freios com discos na dianteira e tambores na traseira, com ABBS e EBD, atuaram de forma eficiente.

Porta-malas, com 300 litros de capacidade, é um dos maiores do segmento

CONECTIVIDADE O modelo 2020 do Fiat Argo 1.0 Drive subiu de preço, mas continua saindo de fábrica apenas com a preparação para som. E para equipar o carro com uma central multimídia o cidadão tem que gastar mais. São dois modelos na lista de opcionais: uma com tela de nove polegadas e a Uconnect, com tela de sete polegadas. A unidade testada estava equipada com a primeira opção, com tela tátil, acesso à internet, calculadora, agenda, rádio e fácil conectividade com smartphones, sendo Android via USB e WiFi, e iPhone via Wi-Fi. O sistema permite acessar arquivos de música, vídeos e fotos, com comando de voz para algumas funções. Porém, a navegação é feita por aplicativos. Não é nativa. No console, uma entrada USB e outra auxiliar.

Motor três-cilindros desenvolve 77cv de potência máxima e dá conta do recado, mas sem brilho

FICHA TÉCNICA

MOTOR (*)
Dianteiro, transversal, três-cilindros em linha, seis válvulas, 999cm³ de cilindrada, flex, que desenvolve potências máximas de 72cv (com gasolina) a 6.000rpm e 77cv (com etanol) a 6.250rpm e torques máximos de 10,4kgfm (g) e 10,9kgfm a 3.250rpm

TRANSMISSÃO (*)
Tração dianteira, com câmbio manual de cinco velocidades

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS (*)
Dianteira, independente, Mc Pherson com braços oscilantes inferiores transversais com barra estabilizadora; e traseira tipo eixo de torção, com rodas semi-independentes / de aço de 5,5 x 14 polegadas/175/65 R14

DIREÇÃO (*)
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS (*)
A discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS/EBD

CAPACIDADES (*)
Do tanque, 48 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 400 quilos

DIMENSÕES (*)
Comprimento, 3,99m, largura, 1,72m, altura, 1,50m, e distância entre-eixos, 2,52m

PESO (*)
1.105 quilos

PORTA-MALAS (*)
300 litros

 

PERFORMANCE (*)
Velocidade máxima 157km/h(g)/162km/h(e)
Aceleração até 100km/h em 14,4(g)/13,4(e) segundos

CONSUMO (**)
Cidade 14,2km/l(g)/9,9km/l(e)
Estrada 15,1km/l(g)/10,7km/l(e)

As rodas são de aço de 14 polegadas, com calotas

EQUIPAMENTOS

DE SÉRIE
Aerofólio traseiro, alarme antifurto, alertas de limite de velocidade e manutenção programada, apoia-pé para o motorista, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro rebatível, Brake light, chave canivete com telecomando para abertura das portas, vidros e porta-malas, cintos de segurança traseiros (laterais e central) retráteis de três pontos, computador de bordo, desembaçador do vidro traseiro temporizado, direção elétrica progressiva, Drive by Wire (controle eletrônico da aceleração), ESS (sinalização de frenagem de emergência), encosto de cabeça traseiro central, Follow me home, gancho universal para fixação cadeira de criança (Isofix), ganchos de fixação no porta-malas, HCSS (sistema de partida a frio sem tanque auxiliar de gasolina), airbag duplo, freio ABS com EBD, iluminação do porta-malas, Lane Change (função auxiliar para acionamento das setas indicando trocas de faixa), limpador e lavador do vidro dianteiro com intermitência, limpador e lavador do vidro traseiro com intermitência, predisposição para rádio (dois alto-falantes dianteiros, dois alto-falantes traseiros, dois tweeters e antena), quadro de instrumentos de 3,5 polegadas multifuncional com relógio digital, calendário e informações do veículo em TFT personalizável, rodas de aço estampado 14 polegadas com calotas integrais, pneus "verdes" com baixa resistência a rolagem, tomada 12V, travas elétricas (travamento automático a 20km/h, indicador de portas abertas, luz interna com temporizador e tampa do combustível), vidros elétricos dianteiros com one touch e antiesmagamento e volante com regulagem de altura.

OPCIONAL Kit S-Design (R$ 900), kit multimídia de nove polegadas (R$ 2.300), kit multimídia Uconnect de sete polegadas (R$ 2.990) e kit bicolor (R$ 910).

QUANTO CUSTA
O Fiat Argo 1.0 é vendido na versão de entrada por R$ 49.590. A versão testada, a Drive 1.0 com câmbio manual, tem preço sugerido de R$ 53.590. Com todos os opcionais (multimídia Uconnect) vai a R$ 59.190 mil.

Notas (0 a 10)

Desempenho 7
Espaço interno 7
Porta-malas 7
Suspensão/direção 8
Conforto/ergonomia 8
Itens de série/opcionais 6
Segurança 6
Estilo 7
Consumo 8
Tecnologia 6
Acabamento 7
Custo/benefício 7

FIAT ARGO 1.0 DRIVE x CONCORRENTES

HYUNDAI HB20 1.0 VISION – Tem motor 1.0 três cilindros com potências de 75cv(g)/80cv(e) e torques de 9,4kgfm(g)/10,2kgfm(e), com aceleração até 100km/h em 14,6(e) segundos e velocidade máxima de 158km/h(g)/161km/h(e). O consumo é de 12,5km/l(g)/8,5km/l(e) na cidade e 14,1km/l(g)/9,9km/l(e) na estrada. O hatch tem 3,94m de comprimento, 1,71m de largura, 1,55m de altura e 2,50m de distância entre-eixos. O porta-malas tem 300 litros e o carro pesa 990 quilos. O preço sugerido é de R$ 52.890.

RENAULT SANDERO 1.0 ZEN – O motor 1.0 do hatch da Renault desenvolve 79cv(g)/82cv(e) e torques de 10,2kgfm(g)/10,5kgfm(e), com aceleração até 100km/h em 13,5(g)/13(e) segundos e máximas de 160km/h(g)/163km/h(e). O consumo na cidade é de 14,2km/l(g)/9,5km/l(e), e na estrada, 14,1km/l(g)/9,6km/l(e). As dimensões são: 4,06m de comprimento, 1,73m de largura, 1,53m de altura e 2,59m de distância entre eixos. O modelo tem o maior porta-malas do segmento, com capacidade de 320 litros, e pesa 1.011 quilos. O preço sugerido é de R$ 50.690.

CHEVROLET ONIX LT 1.0 – Com potências de 78cv(g)/82cv(e) e torques de 9,6kgfm(g)/10,6kgfm(e), o motor 1.0 do Onix garante máxima de 167km/h(e), e aceleração até 100km/h em 13,3(e) segundos. O consumo na cidade é de 13,9km/l(g)/9,9km/l(e), e na estrada, 16,7km/l(g)/11,7km/l(e). O hatch tem 4,16m de comprimento, 1,73m de largura, 1,47m de altura e 2,55m de distância entre-eixos. O peso é de 1.049 quilos e o porta-malas é o menor do segmento, com 275 litros. O preço sugerido da versão é de R$ 52.890.

VOLKSWAGEN POLO 1.0 – Modelo da VW tem motor 1.0 com potências de 75cv(g)/84cv(e) e torques de 9,7kgfm(g)/10,4kgfm(e), com máximas de 167km/h(g)/170km/h(e) e aceleração até 100km/h em 12,6(g)/13(e) segundos. O consumo é de 12,9km/l(g)/8,8km/l(e) na cidade, e 14,3km/l(g)/10km/l(e) na estrada. As dimensões são: 4,05m de comprimento, 1,75m de largura, 1,46m de altura e 2,56m de distância entre-eixos. O porta-malas tem 300 litros de capacidade e o peso do carro é de 1.058 quilos. O preço sugerido é de R$ 53.590.

(*) Dados dos fabricantes
(**) Dados do Inmetro
(g) gasolina; (e) etanol