Picape média

Ford Ranger FX4 3.2 AT6: desempenho razoável, mas falta conteúdo

Versão está entre as mais completas da linha da picape média, mas quando comparada à concorrência fica devendo em equipamentos e tecnologia

Avaliação:
6

Ford criou mais uma versão para a Ranger, a FX4, que vem equipada com motor 3.2 litros turbodiesel e câmbio automático de seis velocidades. A ideia é ter mais uma opção 4×4, mas com “acabamento um pouco mais refinado” e lista de equipamentos maior. Na prática o que se vê é uma versão com alguns adereços, como adesivos nas laterais, mas que não traz sequer protetor de caçamba e capota marítima, além de ficar devendo sistemas de auxílio à condução. O conjunto mecânico desempenha seu papel sem comprometer a performance, que está longe de ser empolgante.

Com menos equipamentos de série e acessórios, a Ranger FX4 mantem o mesmo conjunto mecânico de suas outras versões, o 3.2 turbo acoplado ao câmbio automático de 6 marchas, rendendo 200cv e 47,9kgfm de torque. Algumas mancadas são visíveis nesta versão, como a falta de chave presencial, ajuste de profundidade do volante, cobertura de proteção da caçamba e capota marítima. O que faz com que a versão fique bem abaixo de suas concorrentes.

Ford Ranger FX4 aposta no visual

Ranger FX4 tem visual diferenciado

A Ranger FX4 não traz grandes modificações no visual. A grade tem desenho exclusivo, toda em preto brilhante. Os faróis são full LED, com luz diurna também em LED. Já os faróis de neblina usam lâmpadas halógenas. Na parte inferior do para-choque dianteiro o skid plate reforça o aspecto off road. Nas laterais, a versão é identificada pelo adesivo FX4 na base das portas. Retrovisores e maçanetas são pintados em preto. Pesa contra a versão o fato de não ter chave presencial.

Os estribos laterais são providenciais, assim como as alças internas, que ajudam no embarque e desembarque. Traz molduras de plástico nas caixas de rodas, que são de liga leve de 18 polegadas, pintadas em preto brilhante e calçadas com pneus de uso misto Scorpion. Tem opção de pneu All Terrain Plus para rodas de aro 17 polegadas, mas paga-se mais R$ 2 mil pelo conjunto. O santantônio tubular pintado em preto traz duas lanternas para iluminar o interior da caçamba.

A traseira tem lanternas verticais com lâmpadas halógenas, o nome da versão FX4 em vermelho e Ranger em destaque, pintado em preto, assim como o estribo. A versão tem sensor de estacionamento traseiro e o estepe fica debaixo da caçamba. A tampa da caçamba é leve e fácil de manusear. O espaço para carga é grande, com bom volume e capacidade de 1.001 quilos. A pisada de bola ali são as ausências de proteção do assoalho, capota marítima e grade de proteção no vidro traseiro, que também não tem janela. Mas a caçamba tem seis ganchos para amarração de carga.

Interior

Por dentro, a Ranger FX4 segue a proposta de muitos utilitários, com plástico duro no acabamento do painel e portas. Mas tenta passar uma impressão melhor com detalhe em black piano no painel e saídas do ar-condicionado cromadas. Tem ainda revestimento em couro preto e costura vermelha aparente nos bancos, volante, apoios de braço das portas, no console e no câmbio e alavanca do freio de estacionamento.

Na frente, bom espaço para motorista e passageiro, mas os bancos não são muito confortáveis, pois o assento poderia ser um pouco maior, para apoiar as pernas de forma adequada. O do motorista tem ajustes elétricos, mas o lombar é manual. O banco traseiro também tem assento mais curto e encosto com pouca inclinação, quase reto, causando desconforto em viagens mais longas. Não tem apoio de braço central embutido no encosto do banco, mas o túnel no assoalho é largo e alto.

Sentar ali é desconfortável. Conforto ali somente para duas pessoas. Quem senta atrás tem lanterna central no teto e uma tomada de 12V. Porém, não conta com saídas de ar-condicionado na extremidade do console. Os tapetes são de borracha, bem práticos para a limpeza, sendo que atrás é inteiriço.

O painel tem velocímetro analógico e digital, com duas pequenas telas, uma com computador de bordo, com dados de consumo, assistente ao motorista, configurações, modo display, números das viagens e contagiros. Na outra telinha, informações de entretenimento, com acesso ao rádio, búsola e celular. O sistema multimídia é o Sync, com tela tátil de oito polegadas, rádio AM/FM, conectividade com celular por Android Auto e AppleCar Play, comandos do ar-condicionado de duas zonas, aplicativos, Wi-Fi nativo, comando de voz e o FordPass, que permite fazer uma série de comandos pelo celular, como acionar o motor e o ar-condicionado antes de entrar no carro. A assistência de emergência permite fazer chamada em caso de acidente.

No console, duas entradas USB, duas tomadas de 12V e teclas para controle de estabilidade, bloqueio do diferencial traseiro e auxílio de descida em rampa. Tem ainda o seletor de tração 4×4, com as posições 2H, 4H e 4L. O freio de estacionamento é por alavanca tradicional. O volante tem ajuste de altura e não tem o de distância, mas é multifuncional e traz comandos de acesso ao computador de bordo, celular, som, comando de voz e volume do sistema de áudio. Não tem aletas para trocas de marchas, que são feitas somente na alavanca do câmbio.

Motor da Ranger FX4

O motor 3.2 turbodiesel tem bom torque em baixas rotações e proporciona desempenho razoável para a picape, que pesa mais de duas toneladas. O propulsor tem o funcionamento muito ruidoso e para atender o Proconve 7 usa o reagente Arla 32, que ajuda a reduzir as emissões de poluentes. Para isso, conta com tanque de 20 litros que permite rodar de 10 mil a 14 mil quilômetros.

O motor garante boas reações em baixas rotações, com arrancadas ágeis, mas o giro não sobe tão rápido, deixando a performance menos empolgante. As retomadas de velocidade exigem que o motorista pise fundo no acelerador para fazer valer o kick down, proporcionando ultrapassagens com segurança. O câmbio automático de seis velocidades tem bom escalomanento de marchas, se ajustando à forma de dirigir de cada motorista. Às vezes estica mais as marchas, o que prejudica o consumo. Se posicionar a alavanca para a esquerda, aciona-se o modo Sport manual, com trocas no próprio câmbio.

Consumo da Ranger 3.2

Nessa condição, a picape fica um pouco mais esperta, com reações mais rápidas. O consumo médio registrado em nosso teste foi de 8,2km/l na cidade e 9,5km/l na estrada.

A direção com assistência elétrica tem cargas bem definidas, mas o diâmetro de giro grande prejudica manobras em espaços mais apertados. Nessa condição, a câmera de ré e o sensor de estacionamento são fundamentais, já que a picape tem dimensões avantajadas. As suspensões associadas ao controle de estabilidade garantem bom comportamento em curvas, desde que se respeite a velocidade. Mas transfere as irregularidades do solo, pula muito, causando desconforto. Melhora quando trafega sobre asfalto liso.

O sistema de tração 4×4 é eficiente e garante boa performance no fora de estrada, graças à boa altura em relação ao solo e bons ângulos de ataque e saída. Tem o 4×4 e bloqueio de diferencial. O pneu de uso misto que equipa a picape não é o mais apropriado, mas tem opção de outro direcionado ao fora de estrada. Os freios são a discos na dianteira e tambores na traseira, com eletrônica, funcionando de forma segura. E falando em segurança, a Ranger FX4 traz um bom pacote, com sete airbags, controles de tração e estabilidade e outros sistemas.

Concorrentes

A Ranger FX4 encara entre as principais concorrentes a Toyota Hiluz SRX 4×4, que tem motor com um pouco mais de potência e torque, além de lista de equipamentos mais completa, mas custa R$ 323.890. Já a Chevrolet S10 Z71 também tem motor com mais torque, maior capacidade de carga e com pacote de equipamentos de série mais recheado, com preços a partir de R$ 278.310. É concorrência pesada para a Ranger FX4.