Testamos e desmontamos o Jeep Wrangler, um verdadeiro Lego de gente grande

Herdeiro do jipe Willys, em sua versão mais preparada para o fora de estrada, traz como destaque a facilidade de remover partes da carroceria para transformá-lo

Testamos e desmontamos o Jeep Wrangler, um verdadeiro Lego de gente grande Herdeiro do jipe Willys, em sua versão mais preparada para o fora de estrada, traz como destaque a facilidade de remover partes da carroceria para transformá-lo
NOTA DO VRUM:
Nota VRUM

O teste desta semana é com o Jeep Wrangler, que tem uma trajetória tão especial que se tornou um verdadeiro ícone automotivo. O jipão fez sua história a partir da Segunda Guerra Mundial, quando surgiu como Willys MB, fazendo parte da cavalaria mecanizada das tropas americanas. No pós-guerra, o veterano passou a ser vendido como Willys CJ, versão civil usada para o trabalho no campo e transpôr terrenos difíceis. Mais tarde, foi adotado como símbolo de liberdade, por suas características simples, preço acessível e capacidade para chegar a qualquer lugar.

Herdeiro direto do Willys, o jipão só foi batizado de Wrangler em 1987. Atualmente, o modelo está na quarta geração, denominada JL, e a Jeep se orgulha de fabricá-la na planta de Toledo, em Ohio, onde a Willys fabricava seu jipinho desde 1941. A versão testada está disponível no Brasil apenas com a carroceria alongada, de quatro portas, que também encontra um antecessor na família Willys, o Bernardão, como ficou conhecido no Brasil. Apesar de ter mantido o DNA do Willys, incluindo o uso de chassis, o Wrangler atual ganhou melhorias em aerodinâmica e, com uma dieta rica em alumínio, perdeu peso.

A BORDO Logo ao entrar no Wrangler, o painel vertical e as alavancas da transmissão nos remetem ao Willys. Mas a semelhança acaba aí. Mesmo entre os mostradores analógicos, há uma tela configurável de sete polegadas. É que o jipão atual oferece o máximo de conforto possível para um veículo fora de estrada. Além dos bancos, há couro nas portas, painel e apoio de braço. Todo o plástico usado tem toque macio, e as maçanetas são em aço escovado.

O acabamento combina capricho e rusticidade. As barras que formam a gaiola têm iluminação e caixas de som embutidas. As placas de fibra do teto têm acabamento em tecido, mas sem esconder a peça por completo. Os tapetes de borracha tipo bandeja ajudam a não espalhar a terra carregada pelo calçado. Já os painéis de porta trazem redes como porta-trecos.

Devido a altura em relação ao solo, o acesso ao carro é difícil e falta um estribo para ajudar. Nesta versão alongada, o banco traseiro tem espaço para levar com relativo conforto até três pessoas. A boa altura em relação ao assoalho amplia esse conforto. O espaço ainda tem saídas de ar-condicionado, iluminação, tomada padrão americano, além de várias tomadas USB. O porta-malas tem acabamento em carpete, ganchos e tomada 12V. Como o estepe fica do lado de fora, resta bom espaço para bagagem. A porta tem duas secções, a superior, em vidro, abre para cima, enquanto a de baixo se abre para o lado, o que demanda um certo espaço.

TRÊS EM UM A atual geração descomplicou a tarefa de retirar a capota, as portas e escamotear o para-brisa. Com a retirada de apenas 28 parafusos, você pode escolher entre três veículos: um jipão fechado, um conversível despido até das portas ou (por que não?) uma picape. O melhor é que as ferramentas necessárias para a transformação já acompanham o veículo.

Para retirar as duas partes frontais do teto, basta manusear algumas travas. Para remover a parte posterior do teto, peça que também inclui os vidros traseiros, basta tirar oito parafusos, além de desconectar um chicote elétrico e a mangueira do esguicho d'água. Como a peça é grande e relativamente pesada, esta é a única etapa em que é necessário ter um ajudante.

As portas podem ser removidas soltando, em cada uma, três parafusos e a tomada elétrica. Para terminar a transformação, é possível escamotear o para-brisa removendo as hastes dos limpadores e soltando quatro parafusos que o prendem à gaiola. Para obter a “picapinha”, basta rebater o banco traseiro, que se junta ao porta-malas e forma uma superfície plana.

RODANDO O motor 2.0 turbo a gasolina oferece potência de 272cv e torque 40,8kgfm, o que garante um bom fôlego ao Wrangler. O câmbio automático de oito marchas tem boa gestão, ajudando a entregar um consumo de combustível menor que o esperado para um veículo que pesa duas toneladas (mas longe de ser um consumo camarada). Porém, o bom desempenho nas trilhas vai muito além da força. A versão Rubicon traz um extra para encarar as trilhas, a começar pela suspensão 5cm mais alta e eixos reforçados.

O sistema de tração Rock-Track oferece os modos 4×2 (traseira), 4×4 Auto (sob demanda), 4×4 Part-Time (com 50% para cada eixo) e 4×4 reduzida. Pelo sistema Tru-Lok, que atua apenas com a reduzida, o motorista pode bloquear o diferencial traseiro ou simultaneamente o dianteiro e traseiro, com o toque em um botão, levando o torque apenas para as rodas que oferecem tração. Outra função interessante é o sistema que desconecta eletronicamente a barra estabilizadora dianteira, permitindo maior curso da suspensão.

As suspensões são do tipo eixo rígido, que dão bastante robustez ao jipão, mas estão longe de propiciar uma dirigibilidade refinada. Em compensação, a “filtragem” da vibração e o conforto da suspensão surpreendem, mas não chegam a ser suaves. No asfalto, os pneus lameiros de 33 polegadas fazem bastante ruído.A capacidade de transposição de trechos alagados é de 76cm de altura.

EQUIPAMENTOS Entre os equipamentos de série, destaque para a chave presencial, ar-condicionado de dupla zona de temperatura com saídas para o banco traseiro, multimídia com navegação nativa, alerta de ponto cego, controle de descida, assistente de partida em rampa. O sistema multimídia traz o aplicativo Off-Road Pages, com mostradores e várias informações, como o inclinômetro digital. A Jeep só vacilou ao não disponibilizar função “um toque” para fechar os vidros elétricos da frente, o que não está disponível para os vidros traseiros tanto para abrir quanto para fechar.

MERCADO O Wrangler se encaixa na categoria de modelos que se tornaram ícones. Seu simbolismo e atributos fora de estrada não são uma necessidade para ninguém, por isso, não há porque debater sobre seu preço sugerido (R$ 432.590), já que sua compra passa longe da razão. Do ponto de vista da Jeep, trata-se de um modelo importado, que chega ao Brasil com custos de importação e um câmbio extremamente desfavorável. Do ponto de vista do cliente, deve doer saber que esta versão custa US$ 42.390 nos Estados Unidos (sem as taxas, e favor não converter porque por lá eles recebem em dólar e têm o salário-mínimo maior que o nosso).

CONCORRENTES O concorrente perfeito para o Jeep Wrangler – além do Ford Bronco, que deve chegar ao Brasil no próximo ano – é outro ícone: o novo Land Rover Defender 110. O modelo está disponível no Brasil apenas com a carroceria alongada, com motor 2.0 turbo a gasolina de 300cv, câmbio automático, tração integral e caixa com dupla relação. Porém, além dos atributos para o fora de estrada, o jipão inglês é mais tecnológico ao ofertar já na versão de entrada SE (R$ 490.950) uma refinada suspensão a ar com altura ajustável e eletronicamente adaptável, além de assistentes autônomos como frenagem de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, manutenção de faixa de rodagem e sensor de profundidade.

FICHA TÉCNICA

MOTOR (*)
Dianteiro, longitudinal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.995cm³ de cilindrada, a gasolina, que desenvolve potência máxima de 272cv a 5.250rpm e torque máximo de 40,8kgfm a 3.000rpm

TRANSMISSÃO (*)
Tração 4×2 (traseira), 4×4 ou 4×4 reduzida, com câmbio automático de oito velocidades

DIREÇÃO (*)
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência eletro-hidráulica

FREIOS (*)

Com discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS

SUSPENSÕES/RODAS/PNEUS (*)

Com eixo rígido na dianteira e na traseira/17 polegadas, de liga de alumínio/285/70 R17 (Mud)

CAPACIDADES (*)

Do tanque, 81 litros; e de carga (ocupantes e bagagem), 601 quilos, porta-malas, 498 litros

DIMENSÕES (*)
Comprimento, 4,78m; largura, 1,87m; altura, 1,86m; e distância entre-eixos, 3,00m; altura em relação ao solo, 27,4cm

ÂNGULOS (*)
De entrada, 43,9 graus e de saída, 37 graus

PESO (*)

2.043 quilos

DESEMPENHO (*)
Velocidade máxima:195km/h
Aceleração até 100km/h: 9 segundos

CONSUMO (**)
Cidade, 7,3km/l
Estrada, 7,8km/l

Dados do fabricante (*)
(**) Dados do Inmetro

EQUIPAMENTOS
Airbags frontais e de assento suplementar; controle de tração e estabilidade; controle eletrônico anticapotamento; barra de segurança anticapotamento; detector de pontos cegos; barra estabilizadora dianteira com desconexão eletrônica; assistentes de descida e de partida em rampas; controle de oscilação da carroceria; eixo traseiro diferencial antirrotação; faróis e lanternas de neblina; faróis em LED; lâmpada diurna em LED; amortecimento de reboque; diferencial dianteiro e traseiro bloqueáveis Tru-Lok, embalagem para armazenamento do teto removível; entrada de antena GPS; cobertura de pneu sobressalente de capa rígida e na cor do veículo; cobertura do teto em material rígido e na cor do veículo; volante ajustável em altura e distância; banco do motorista com regulagem de altura; banco traseiro rebatível; bancos revestidos em couro; ar-condicionado automático; chave presencial; e câmera traseira.

OPCIONAIS

Não há.

Quanto custa?
O Jeep Wramgler é vendido a partir de R$ 347.990, na versão Sahara, de duas portas. A versão testada, a Rubicon, tem preço sugerido de R$ 432.590.

NOTAS
Desempenho 9
Espaço interno 8
Porta-malas 8
Suspensão/direção 8
Conforto/ergonomia 7
Itens de série/opcionais 8
Segurança 8
Estilo 10
Consumo 7
Tecnologia 8
Acabamento 8
Custo/benefício 7