Testamos a Ford Ranger FX4 3.2 AT6: desempenho razoável, mas falta conteúdo

Versão está entre as mais completas da linha da picape média, mas quando comparada à concorrência fica devendo em equipamentos e tecnologia

Testamos a Ford Ranger FX4 3.2 AT6: desempenho razoável, mas falta conteúdo Versão está entre as mais completas da linha da picape média, mas quando comparada à concorrência fica devendo em equipamentos e tecnologia
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A Ford criou mais uma versão para a Ranger, a FX4, que vem equipada com motor 3.2 litros turbodiesel e câmbio automático de seis velocidades. A ideia é ter mais uma opção 4×4, mas com “acabamento um pouco mais refinado” e lista de equipamentos maior. Na prática o que se vê é uma versão com alguns adereços, como adesivos nas laterais, mas que não traz sequer protetor de caçamba e capota marítima, além de ficar devendo sistemas de auxílio à condução. O conjunto mecânico desempenha seu papel sem comprometer a performance, que está longe de ser empolgante.

Com preço que se aproxima dos R$ 300 mil, a Ranger FX4 perde em alguns quesitos quando comparada às principais concorrentes. A versão tem o mesmo preço da XLT, mas é mais barata que a topo de linha Limited. No mercado brasileiro, a Ranger segue atrás da Toyota Hilux, líder do segmento das picapes médias, e da Chevrolet S10, que oferecem conjuntos mecânicos mais eficientes e pacote de equipamentos mais recheados.

A versão FX4 tem a grade pintada em preto brilhante, faróis full LED e para-choque com skid plate

VISUAL A Ranger FX4 não traz grandes modificações no visual. A grade tem desenho exclusivo, toda em preto brilhante. Os faróis são full LED, com luz diurna também em LED. Já os faróis de neblina usam lâmpadas halógenas. Na parte inferior do para-choque dianteiro o skid plate reforça o aspecto off road. Nas laterais, a versão é identificada pelo adesivo FX4 na base das portas. Retrovisores e maçanetas são pintados em preto. Pesa contra a versão o fato de não ter chave presencial.

Adesivos nas laterais identificam a versão, que tem a pretensão de levar “sofisticação” ao off road

Os estribos laterais são providenciais, assim como as alças internas, que ajudam no embarque e desembarque. Traz molduras de plástico nas caixas de rodas, que são de liga leve de 18 polegadas, pintadas em preto brilhante e calçadas com pneus de uso misto Scorpion. Tem opção de pneu All Terrain Plus para rodas de aro 17 polegadas, mas paga-se mais R$ 2 mil pelo conjunto. O santantônio tubular pintado em preto traz duas lanternas para iluminar o interior da caçamba.

A traseira tem lanternas verticais com lâmpadas halógenas, o nome da versão FX4 em vermelho e Ranger em destaque, pintado em preto, assim como o estribo. A versão tem sensor de estacionamento traseiro e o estepe fica debaixo da caçamba. A tampa da caçamba é leve e fácil de manusear. O espaço para carga é grande, com bom volume e capacidade de 1.001 quilos. A pisada de bola ali são as ausências de proteção do assoalho, capota marítima e grade de proteção no vidro traseiro, que também não tem janela. Mas a caçamba tem seis ganchos para amarração de carga.

Na traseira, lanternas verticais com lâmpadas halógenas e estribo com degrau para facilitar acesso à caçamba

INTERIOR Por dentro, a Ranger FX4 segue a proposta de muitos utilitários, com plástico duro no acabamento do painel e portas. Mas tenta passar uma impressão melhor com detalhe em black piano no painel e saídas do ar-condicionado cromadas. Tem ainda revestimento em couro preto e costura vermelha aparente nos bancos, volante, apoios de braço das portas, no console e no câmbio e alavanca do freio de estacionamento.

Na frente, bom espaço para motorista e passageiro, mas os bancos não são muito confortáveis, pois o assento poderia ser um pouco maior, para apoiar as pernas de forma adequada. O do motorista tem ajustes elétricos, mas o lombar é manual. O banco traseiro também tem assento mais curto e encosto com pouca inclinação, quase reto, causando desconforto em viagens mais longas. Não tem apoio de braço central embutido no encosto do banco, mas o túnel no assoalho é largo e alto.

Sentar ali é desconfortável. Conforto ali somente para duas pessoas. Quem senta atrás tem lanterna central no teto e uma tomada de 12V. Porém, não conta com saídas de ar-condicionado na extremidade do console. Os tapetes são de borracha, bem práticos para a limpeza, sendo que atrás é inteiriço.

Apesar de custar quase R$ 300 mil, a picape vem com a caçamba na lata, sem qualquer proteção

O painel tem velocímetro analógico e digital, com duas pequenas telas, uma com computador de bordo, com dados de consumo, assistente ao motorista, configurações, modo display, números das viagens e contagiros. Na outra telinha, informações de entretenimento, com acesso ao rádio, búsola e celular. O sistema multimídia é o Sync, com tela tátil de oito polegadas, rádio AM/FM, conectividade com celular por Android Auto e AppleCar Play, comandos do ar-condicionado de duas zonas, aplicativos, Wi-Fi nativo, comando de voz e o FordPass, que permite fazer uma série de comandos pelo celular, como acionar o motor e o ar-condicionado antes de entrar no carro. A assistência de emergência permite fazer chamada em caso de acidente.

No console, duas entradas USB, duas tomadas de 12V e teclas para controle de estabilidade, bloqueio do diferencial traseiro e auxílio de descida em rampa. Tem ainda o seletor de tração 4×4, com as posições 2H, 4H e 4L. O freio de estacionamento é por alavanca tradicional. O volante tem ajuste de altura e não tem o de distância, mas é multifuncional e traz comandos de acesso ao computador de bordo, celular, som, comando de voz e volume do sistema de áudio. Não tem aletas para trocas de marchas, que são feitas somente na alavanca do câmbio.

DESEMPENHO O motor 3.2 turbodiesel tem bom torque em baixas rotações e proporciona desempenho razoável para a picape, que pesa mais de duas toneladas. O propulsor tem o funcionamento muito ruidoso e para atender o Proconve 7 usa o reagente Arla 32, que ajuda a reduzir as emissões de poluentes. Para isso, conta com tanque de 20 litros que permite rodar de 10 mil a 14 mil quilômetros.

No acabamento interno, plástico duro no painel e bancos revestidos em couro com costura em vermelho

O motor garante boas reações em baixas rotações, com arrancadas ágeis, mas o giro não sobe tão rápido, deixando a performance menos empolgante. As retomadas de velocidade exigem que o motorista pise fundo no acelerador para fazer valer o kick down, proporcionando ultrapassagens com segurança. O câmbio automático de seis velocidades tem bom escalomanento de marchas, se ajustando à forma de dirigir de cada motorista. Às vezes estica mais as marchas, o que prejudica o consumo. Se posicionar a alavanca para a esquerda, aciona-se o modo Sport manual, com trocas no próprio câmbio. Nessa condição, a picape fica um pouco mais esperta, com reações mais rápidas. O consumo médio registrado em nosso teste foi de 8,2km/l na cidade e 9,5km/l na estrada.

A direção com assistência elétrica tem cargas bem definidas, mas o diâmetro de giro grande prejudica manobras em espaços mais apertados. Nessa condição, a câmera de ré e o sensor de estacionamento são fundamentais, já que a picape tem dimensões avantajadas. As suspensões associadas ao controle de estabilidade garantem bom comportamento em curvas, desde que se respeite a velocidade. Mas transfere as irregularidades do solo, pula muito, causando desconforto. Melhora quando trafega sobre asfalto liso.

A versão FX4 vem equipada com rodas de 18 polegadas e pneus de uso misto, para asfalto e terra

O sistema de tração 4×4 é eficiente e garante boa performance no fora de estrada, graças à boa altura em relação ao solo e bons ângulos de ataque e saída. Tem o 4×4 e bloqueio de diferencial. O pneu de uso misto que equipa a picape não é o mais apropriado, mas tem opção de outro direcionado ao fora de estrada. Os freios são a discos na dianteira e tambores na traseira, com eletrônica, funcionando de forma segura. E falando em segurança, a Ranger FX4 traz um bom pacote, com sete airbags, controles de tração e estabilidade e outros sistemas.

A Ranger FX4 encara entre as principais concorrentes a Toyota Hiluz SRX 4×4, que tem motor com um pouco mais de potência e torque, além de lista de equipamentos mais completa, mas custa R$ 323.890. Já a Chevrolet S10 Z71 também tem motor com mais torque, maior capacidade de carga e com pacote de equipamentos de série mais recheado, com preços a partir de R$ 278.310. É concorrência pesada para a Ranger FX4.

O motor 3.2 tem 200cv de potência e 47,9kgfm de torque, proporcionando performance sem empolgação

FICHA TÉCNICA

MOTOR (*)
Dianteiro, longitudinal, cinco cilindros em linha, 20 válvulas, 3.198cm³ de cilindrada, turbodiesel, que desenvolve potência máxima de 200cv a 3.000rpm e torque máximo de 47,9kgfm a 1.750rpm

TRANSMISSÃO (*)
Tração 4×4 com reduzida e câmbio automático de seis marchas

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS (*)
Dianteira, independente, braços sobrepostos; traseira, eixo rígido, com feixe de molas semielípticas/18 polegadas (liga leve)/265/60 R18

DIREÇÃO (*)
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS (*)
A disco ventilados na frente e tambores na traseira, com ABS e EBD

CAPACIDADES (*)
Tanque, 80 litros; capacidade de carga (passageiro e carga), 1.001kg

DIMENSÕES (*)
Comprimento, 5,35m; largura, 1,86m; altura, 1,84m; distância entre-eixos, 3,22m; altura em relação ao solo, 23,2cm; e capacidade de imersão, 80cm

VOLUME DA CAÇAMBA (*)
1.180 litros

ÂNGULOS (*)
De ataque, 28 graus; de saída, 26 graus; central, 25 graus

PESO (*)
2.247 quilos

PERFORMANCE (*)
Velocidade máxima de 180km/h
Aceleração até 100km/h em 11,6 segundos

CONSUMO (**)
Cidade, 8,4km/l
Estrada, 9,4km/l

(*) Dados do fabricante
(**) Dados do Imnetro

A Ford Ranger FX4 tem boa estabilidade tanto na terra quanto no asfalto, com boa altura em relação ao solo

EQUIPAMENTOS:
De série – Controle eletrônico de estabilidade, controle eletrônico de tração, assistente de partida em rampas, controle automático em descidas, controle eletrônico anti-capotamento, assistência em frenagem de emergência, controle adaptativo de carga e controle de oscilação de reboque, ajuste de altura do volante, capô com molas a gás, computador de bordo, desembaçador do vidro traseiro, gancho para reboque, para-barro dianteiro e traseiro, porta-luvas com chave, provisão elétrica de reboque, tapetes de borracha, trava elétrica das portas, travamento automático das portas, conectividade via aplicativo FordPass, ajuste de altura e lombar manual do banco do motorista, ar-condicionado automático e digital, bancos revestidos em couro, seis ganchos na caçamba, limpador do para-brisa com sensor de chuva, retrovisores externos com ajuste elétrico, indicador de direção e rebatimento elétrico, Sync Media System III com My Ford Touch, Android Auto e Apple CarPlay, AppLink, Bluetooth, USB/Ipod, comando de voz em português, comandos de áudio no volante, sistema de navegação, tela tátil de oito polegadas, tampa traseira com assistente de abertura e fechamento, quadro de instrumentos com tela de 4,2 polegadas configurável, volante com revestimento em couro, estribos laterais, faróis com acabamento escurecido, rodas de liga leve de 18 polegadas, santantônio tubular, sete airbags, câmera de ré, diferencial traseiro blocante, faróis full LED, faróis de neblina, Isofix, limitador de velocidade, luzes de condução diurna em LED, piloto automático, sensor de estacionamento traseiro, trava da tampa da caçamba com chave.

OPCIONAIS

Pintura sólida (branco ártico – R$ 850), metálica ou perolizada (R$ 1.900), conjunto de rodas aro 17 polegadas e pneus Storm (R$ 2 mil)

Quanto custa?
A Ford Ranger FX4 com tração 4×4 e câmbio automático tem preço sugerido de R$ 292.890 e com todos os opcionais chega a R$ 296.790