Novo Chevrolet Tracker 1.2 turbo promete incomodar a concorrência

Testamos a versão topo de linha do SUV compacto que chegou com visual modificado, conjunto mecânico eficiente e bom pacote de itens de série. Peca apenas em detalhes

NOTA DO VRUM:
Nota VRUM

Se a história do Chevrolet Tracker nunca foi de muito sucesso no mercado brasileiro, tem tudo para começar a mudar agora. A linha 2021 do modelo já está à venda e chega com a responsabilidade de bagunçar o coreto do segmento de SUVs compactos, oferecendo design atualizado, conjunto mecânico eficiente e um pacote de equipamentos de série de deixar incomodada a concorrência. Realmente, o Tracker mudou pra melhor e, com o novo motor 1.2 turbo, ficou tão bom que ninguém vai sentir saudade do 1.4 turbo anterior. A Chevrolet caprichou na lista de equipamentos de série, mas, estranhamente, deixou de fora alguns itens que deveriam estar presentes, como ajuste lombar no banco do motorista e aletas para trocas de marchas no volante.

O novo Tracker tem aspecto mais robusto, com para-choque de linhas recortadas e capô vincado, além das laterais musculosas

Para quem não lembra, a história do Tracker começou no Brasil no início dos anos 2000, quando o modelo passou a ser conhecido com esse nome. Sim, porque, antes disso, ele era o Suzuki Grand Vitara, graças a uma parceria entre a GM e a marca japonesa. As primeiras gerações do Tracker por aqui tiveram uma carroceria com desenho de gosto questionável e mecânica pouco eficiente. Com a gravata dourada da Chevrolet, foi passando por mutações ao longo dos anos até chegar à nova geração, que usa a plataforma Global Emerging Markets (GEM), ou seja, feita para mercados emergentes. No Brasil, o Tracker nunca teve um desempenho de destaque no mercado, sendo que em 2019 encerrou o ano na 11º posição geral no ranking de SUVs, com 16.333 unidades emplacadas, enquanto o líder Jeep Renegade vendeu 68.726, de acordo com dados da Fenabrave.

Antes mal resolvida, a traseira ganhou desenho mais horizontalizado que deu outro aspecto para o modelo, deixando o conjunto mais equilibrado

O Chevrolet Tracker 2021 chega com o visual modernizado, trazendo modificações na dianteira, com detalhe cromado entre as grades, sendo a inferior tipo bocão, e faróis afilados com projetor, além de luzes diurnas de LED. O carro ganhou aspecto mais robusto, com para-choque de linhas recortadas e capô vincado. As laterais também têm formas musculosas, com detalhe cromado nas maçanetas. Na traseira, que era bem mal resolvida, as lanternas de LED com desenho mais horizontalizado deu outro aspecto para o modelo, deixando o conjunto mais equilibrado. Completam o visual do SUV as rodas de liga leve de 17 polegadas e o rack de teto.

Em relação às dimensões, o novo Chevrolet Tracker tem praticamente o mesmo comprimento e a mesma largura, tendo crescido apenas 2cm nos dois quesitos. Já na altura, o modelo ficou quase 6cm mais baixo, enquanto ganhou 2cm na distância entre-eixos. E nesse estica e puxa, o SUV teve um ganho no volume do porta-malas, que foi de 306 para 393 litros. Mas com um porém: são 357 litros acima do piso do compartimento e mais 36 litros abaixo. De qualquer forma, é um volume que está acima da média dos principais concorrentes do segmento.

O espaço interno do novo Tracker é bom, sendo que motorista e passageiro da frente conseguem se acomodar com conforto em bancos com desenho anatômico, com abas laterais no encosto e no assento, que apoia bem as pernas. O banco do motorista tem ajuste manual longitudinal e de altura, mas não conta com a regulagem lombar, imprescindível para proporcionar maior conforto. Mas a posição de dirigir elevada é interessante, sendo que é possível regular o volante em altura e distância. No banco traseiro, o espaço para as pernas é generoso, e mesmo quem senta no meio vai relativamente bem, já que o túnel no assoalho é mais baixo. De qualquer forma, o espaço atrás é ideal para dois, apesar de ter cintos de segurança de três pontos e apoios de cabeça para três. Tem também Isofix e Top Tether para fixação de cadeiras infantis. Só não tem saídas de ar-condicionado para quem senta atrás.

O plástico duro está presente no acabamento interno, que tem boa qualidade tanto nos materiais quanto na montagem; o painel tem desenho mais limpo

O plástico duro está presente no acabamento interno, que tem boa qualidade tanto nos materiais quanto na montagem. O painel tem desenho mais limpo e traz um detalhe com outra textura que lembra um emborrachado. Os bancos e o volante são revestidos em couro, material que aparece também no detalhe de acabamento nos painéis das portas. O quadro de instrumentos traz conta-giros e velocímetro analógicos, mas conta com tela digital que traz as informações do computador de bordo, do sistema de monitoramento dos pneus e ainda mostra o alerta do sistema que mede a distância em relação ao carro da frente. E se for desejo do motorista, a tela pode exibir também o velocímetro digital, com números grandes.

CONECTIVIDADE O sistema multimídia que equipa o novo Tracker é o MyLink de última geração, com tela LCD sensível ao toque de oito polegadas, por meio da qual se vê as imagens da câmera de ré. O sistema interage com smartphones por Android Auto e Apple CarPlay, por meio dos quais é possível acessar aplicativos de navegação e outros. Traz ainda rádio AM-FM, com seis alto-falantes, função áudio streaming, Bluetooth para até dois celulares simultaneamente e três entradas USB, sendo uma no console dianteiro e duas para os passageiros do banco traseiro. Além do OnStar, o Tracker tem Wi-Fi nativo, que permite a conexão de até sete dispositivos simultaneamente, com preços de pacotes de dados que vão de R$ 29,90 (2GB) a R$ 84,90 (20GB).

Volume do porta-malas foi de 306 para 393 litros, sendo 357 litros acima do piso do compartimento e mais 36 litros abaixo

A versão testada, a topo de linha Premier, é equipada com o motor três-cilindros, 1.2 litro, turbo, que tem potência máxima de 133cv e torque de 21,4kgfm quando abastecido com etanol. Se você acha que o SUV perdeu em relação ao motor 1.4 turbo anterior, saiba que não é bem assim. Em termos numéricos hou perda sim, de 30cv na potência e cerca de 3kgfm no torque. Mas na prática você não nota essa diferença. O motor 1.2 tem bom torque já em baixas rotações, fazendo com que o SUV apresente respostas rápidas ao comando do acelerador. Ele é ágil na cidade, com arrancadas vigorosas, e na estrada proporciona total segurança nas retomadas de velocidade em ultrapassagens.

O motor é associado ao câmbio automático de seis velocidades, que não tem a posição S para uma relação de marchas mais esportiva, mas tem a L, que mantém mais reduzido e evita trocas desnecessárias. Para um carro que passa da casa dos R$ 100 mil, o novo Tracker ficou devendo as aletas atrás do volante para as mudanças de marchas, que só podem ser feitas por meio de uma tecla na lateral do pomo da alavanca do câmbio. Não é a opção mais funcional. Em nosso circuito de teste, com o carro abastecido com gasolina, o computador de bordo registrou consumo na cidade de 9km/l, e na estrada, 14km/l.

O modelo é equipado com direção elétrica progressiva, que vai dosando as cargas de acordo com a velocidade, ou seja, mais leve em manobras de estacionamento e mais pesada quando se acelera fundo. As suspensões também receberam uma calibragem correta, com equilíbrio entre o conforto de rodagem e a boa estabilidade em curvas. O sistema de freios traz discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS e distribuição eletrônica de frenagem. Tem concorrente que oferece discos nas quatro rodas.

No banco traseiro, o espaço para as pernas é generoso, e mesmo quem senta no meio vai relativamente bem, já que o túnel no assoalho é mais baixo

COMPLETINHO O novo Tracker traz desde a primeira versão, equipada com motor 1.0 turbo de 116cv, seis airbags, controle eletrônico de estabilidade e tração, Isofix e Top Tether, assistente de partida em aclive, controlador de velocidade, Wi-Fi nativo e o sistema multimídia MyLink com tela de oito polegadas. Já a versão 1.2 Premier acrescenta alerta de colisão frontal com frenagem de emergência, alerta de ponto cego, faróis dianteiros tipo projetor em LED, indicador de distância em relação ao veículo da frente, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, carregador de celular Wireless, chave com sensor de aproximação, sistema de estacionamento Easy Park, sensores de estacionamento, start/stop e teto solar panorâmico, entre outros.

CONCORRENTES Considerando que o novo Tracker é um SUV compacto com motor de baixa cilindrada e turbo, com câmbio automático, procuramos compará-lo com modelos que têm características semelhantes e situam na mesma faixa de preço. O concorrente que mais se aproxima em preço é o Volkswagen T-Cross Highline 250 TSI, com motor 1.4 turbo de 150cv e câmbio automático de seis marchas, por R$ 118.690. Ele tem uma lista de equipamentos parecida, mas traz apenas quatro airbags e não tem Wi-Fi nativo, item exclusivo do Tracker no segmento. A lista do T-Cross traz a mais ajuste lombar no banco do motorista, bloqueio eletrônico do diferencial, seletor de modo de condução, sistema de navegação nativo, detector de fadiga do motorista e shift paddles no volante para trocas de marchas. Mas teto solar e Park Assist são opcionais, elevando o preço para R$ 129.980.

O concorrente mais barato é o Caoa Chery Tiggo 5X, que tem motor 1.5 turbo de 150cv (etanol) e câmbio automatizado de dupla embreagem. Na versão de topo TXS traz teto solar panorâmico, airbags frontais, laterais e de cortina, rodas de liga leve de 18 polegadas, banco do motorista com ajustes elétricos e regulagem lombar, e câmera 360 graus, por R$ 102.990. O segundo mais em conta é o Peugeot 2008 1.6 THP Griffe de 173cv e câmbio automático sequencial de seis marchas com modos ECO e Sport, por R$ 108.990. Ele traz teto de vidro panorâmico, seis airbags e ar-condicionado digital automático de duas zonas, mas também não tem sistemas de auxílio à condução.

Para quem quer gastar um pouco mais, o concorrente mais caro do Tracker é o Honda HR-V na versão Touring, com motor 1.5 turbo de 173cv e câmbio automático do tipo CVT, que simula sete marchas, por R$ 139.900. O modelo traz seis airbags, sistema de alerta de frenagem emergencial ESS, assistente de partidas em aclives, assistente de dirigibilidade ágil, alerta de ponto cego, freio de estacionamento eletrônico e sistema exclusivo de configuração dos bancos. Ou seja, o novo Tracker traz uma boa relação custo/benefício, apesar de ficar devendo alguns itens básicos na lista de equipamentos. Mas certamente vai incomodar a concorrência e deve aumentar sua participação no segmento.

FICHA TÉCNICA

MOTOR (*)
Dianteiro, transversal, três-cilindros em linha, 12 válvulas, turbo, injeção eletrônica de combustível, 1.199cm³ de cilindrada, flex, que desenvolve potências de 132cv (gasolina) e 133cv (etanol) a 5.500rpm, e torques de 19,4kgfm (g) e 21,4kgfm (e) a 2.000rpm

TRANSMISSÃO (*)
Tração dianteira, com câmbio automático de seis marchas

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS (*)
Dianteira, independente, tipo Mc Pherson, com barra estabilizadora; e traseira semi-independente, com eixo de torção/de liga leve de 7×17 polegadas/215/55 R17

DIREÇÃO (*)
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva

FREIOS (*)
A discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS e EBD

CAPACIDADES (*)

Do tanque, 44 litros; porta-malas, 393 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 410 quilos

DIMENSÕES (*)
Comprimento, 4,27m; largura, 1,79m; altura, 1,62m; e distância entre-eixos, 2,57m; altura em relação ao solo, 15,7cm

ÂNGULOS (*)
De entrada, 17 graus; de saída, 28 graus

PESO (*)
1.271 quilos

PERFORMANCE (*)
Velocidade máxima de 185km/h (e)

Aceleração até 100km/h em 9,4 segundos (e)

CONSUMO (**)
Cidade: 11,2km/l (g)/7,7km/l (e)

Estrada: 13,5km/l (g)/9,4kml (e)

(*) Dados dos fabricantes

(**) Dados do Inmetro

(g) gasolina (e) etanol

EQUIPAMENTOS

DE SÉRIE
Seis airbags (frontais, laterais e de cortina), alarme antifurto, assistente de partida em aclive, controle de estabilidade e tração, faróis dianteiros tipo projetor e lanterna traseira em LED, luz de condução diurna em LED, regulagem de altura dos faróis, sistema de fixação de cadeiras para crianças (Isofix e Top Tether), freios ABS e sistema de distribuição de frenagem (EBD), coluna de direção com regulagem em altura e distância, computador de bordo, direção elétrica progressiva, trava elétrica das portas com acionamento na chave, vidro elétrico nas portas com acionamento por um toque, antiesmagamento e fechamento/abertura automática pela chave, cobertura do porta-malas, banco traseiro bipartido e rebatível, multimídia MyLink com tela LCD sensível ao toque de oito polegadas, integração com smartphones por meio de Android Auto e Apple CarPlay, rádio AM-FM, função áudio streaming, Bluetooth para até dois celulares simultaneamente e três entradas USB (duas atrás), seis alto-falantes, OnStar, conectividade Chevrolet, Wi-Fi, controlador de velocidade de cruzeiro, sistema stop-start, rack de teto na cor prata, câmera de ré, Easy Entry (abertura das portas e alarme antifurto por meio de sensor de aproximação na chave), Easy Start (partida sem chave), alerta de ponto cego, rodas de alumínio de 17 polegadas, sensor crepuscular, sensor de chuva, volante esportivo com revestimento premium e controles de rádio e do celular, retrovisores externos elétricos na cor do veículo, painel de Instrumentos com tela de 3,5 polegadas digital TFT colorido, alerta de colisão frontal, ar-condicionado digital, carregador Wireless, Easy Park (sistema de estacionamento automático), retrovisor interno eletrocrômico, teto solar elétrico panorâmico, frenagem automática de emergência em baixa velocidade e bancos com revestimento em couro.

OPCIONAIS
Pintura sólida (branco – R$ 750) e metálica (R$ 1.600)

QUANTO CUSTA
O Chevrolet Tracker 1.2 é vendido nas versões Turbo AT (R$ 94.090), LTZ (R$ 103.890) e a Premier, que tem preço de R$ 116.490, que tem como único opcional a pintura metálica (R$ 1.600).

Notas (0 a 10)

Desempenho 9

Espaço interno 8

Porta-malas 8

Suspensão/direção 8

Conforto/ergonomia 8

Itens de série/opcionais 9

Segurança 9

Estilo 9

Consumo 8

Tecnologia 8

Acabamento 8

Custo/benefício 8