A nova Nissan Frontier foi lançada na Europa no início de 2005 e na Espanha e Tailândia é vendida como Navara. O modelo passou a ser importado para o Brasil no fim de 2007, sendo comercializado juntamente com a geração nacional da picape, que deixou de ser produzida no Paraná este mês. É que a Nissan já começou a fabricar a nova Frontier em São José dos Pinhais e, enquanto o modelo não chega ao mercado, a montadora disponibiliza a versão SEL 2.5 turbodiesel 4x4, cabine dupla, importada da Tailândia.
Estilo
Para aqueles que apreciam uma picape média robusta, pode-se dizer que a Nissan Frontier tem estilo. Com dimensões avantajadas, o modelo tem desenho agressivo, com grade tipo colméia pintada em preto e moldura cromada larga se destacando na frente. Os faróis de formas retas invadem as laterais, dando um toque de esportividade. A falha está na entrada de ar na parte inferior do pára-choque dianteiro, que não tem tela protetora e deixa o radiador exposto a pedras e outros objetos. As laterais são mais limpas e as portas dianteiras bem maiores que as traseiras. Estribos tubulares com borracha antiderrapante ajudam a compor o visual. Os retrovisores externos grandes e cromados ajudam a melhorar ainda mais a visibilidade.
Caçamba
Um dos atrativos da Nissan Frontier SEL é a caçamba, que tem boa capacidade de carga e quatro argolas para amarração. O detalhe negativo é que não tem como itens de série a proteção de plástico no assoalho, que evita arranhões. Não tem também vidro traseiro com janela corrediça e grade protetora, itens indispensáveis. Falha grave para uma picape que custa mais de R$ 120 mil. A montadora parece ter optado por investir mais no visual, equipando a picape com rodas de liga leve aro 16 polegadas.
Cabine
Grande por fora e generosa por dentro. A picape cabine dupla tem bom espaço interno para cinco pessoas, mas o banco traseiro não é dos mais confortáveis, pois não apóia bem as pernas e tem o encosto muito reto, além de não contar com terceiro apoio de cabeça. Já o banco do motorista tem ajuste de altura, facilitando bom posicionamento para dirigir. O volante tem aro fino, mas conta com ajuste de altura e comandos do limitador de velocidade (piloto automático).
Acabamento
O interior da cabine tem bom acabamento, com plástico de boa qualidade no painel e console. Os bancos são revestidos em couro cinza. O painel principal tem instrumentos analógicos de fundo preto, de fácil visualização, e pequenos visores digitais, com hodômetro e indicador da marcha engatada.
Conjunto mecânico
O principal destaque da Frontier é seu conjunto mecânico. O motor 2.5 16V turbodiesel eletrônico esbanja eficiência, com muito torque mesmo em baixas rotações. É tanta força que é preciso dosar a aceleração, para evitar arrancadas muito bruscas. O câmbio automático de cinco velocidades pode não ser dos mais modernos, porém cumpre bem o seu papel, com marchas bem escalonadas, proporcionando retomadas seguras. Basta pisar fundo no acelerador que o sistema reduz a marcha e o motor enche rapidinho, respondendo ao comando do motorista.
Ruim de jogo
Já o sistema de direção da picape não é bom. A assistência hidráulica foi bem calibrada, mas o diâmetro de giro não contribui. A picape vira pouco e, como é muito grande, torna as operações de manobra verdadeiro suplício. Em locais muito apertados é melhor nem tentar. O sistema de freios, com ABS, distribuição e assistência de frenagem (EBD e BA), mostrou-se eficiente. As suspensões proporcionam à Frontier uma característica que não é muito comum a esse tipo de veículo: boa estabilidade em curvas. Por outro lado, ainda são muito ásperas e fazem a picape pular, causando desconforto em pisos irregulares.
Tracionada
A picape tem boa altura em relação ao solo e bons ângulos de ataque e saída, trafegando com facilidade sobre pisos irregulares e situações mais difíceis. O sistema 4x4 pode ser facilmente acionado por uma chave no painel, mesmo com o veículo em movimento. Já para engatar a reduzida é preciso que a picape esteja parada. A picape vai bem no fora-de-estrada, onde se nota pouca torção da carroceria. Só merecia pneus mais adequados para tal situação.
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