Alguns analistas automotivos acreditam que o fato de disponibilizar o motor 1.0 para o Prisma é uma estratégia da General Motors para preparar a aposentadoria do Classic, sedã derivado da primeira geração do Corsa no Brasil. Outros acreditam que se trata de mais uma opção do fabricante para o segmento dos compactos populares e fundamentam sua opinião na força que o Classic ainda tem: é o quinto modelo mais vendido no mercado brasileiro, com quase 10 mil unidades mensais. Seja qual for a estratégia, a mistura do Prisma, que é derivado de um projeto mais moderno (o hatch Celta) e foi lançado em 2006, com o novo motor 1.0 VHCE, a um preço atraente, é uma boa sacada.
Linhas
Por fora, o Prisma 1.0 não tem nenhuma diferença em relação ao 1.4, sendo comercializado também nas versões Joy (básica) e Maxx (um pouco mais equipada). A frente do sedã compacto segue o mesmo estilo adotado nos outros modelos da marca, com faróis grandes, capô com vinco em forma de V e grade com barra cromada. De perfil, não existem frisos nem retrovisores pintados na cor da carroceria (somente as maçanetas são da mesma cor). Também não há rodas de liga leve, nem como opcionais, e as calotas têm desenho de bom gosto. Na traseira, que tem lanternas grandes, com lentes vermelhas e transparentes, a única novidade é o logo VHCE (com a letra E em verde) do novo motor 1.0.
Interior
É por dentro que o Prisma revela seu principal ponto fraco: o acabamento. A começar pelo plástico do painel, de aspecto ruim e baixa qualidade; passando pelos apoios de cabeça dianteiros fixos, sem regulagem de altura; e chegando ao volante torto, que é muito baixo e limita o conforto de motoristas mais altos, já que não existe regulagem de altura da coluna de direção nem do banco do motorista. Por outro lado, o tecido de tear do revestimento dos bancos é de bom gosto e toque agradável e o interior tem bom número de porta-trecos. O espaço interno é limitado. Só existe conforto para quatro adultos de estatura mediana. A capacidade do porta-malas (de 439 litros) é boa, embora não chegue a ser uma referência entre os sedãs compactos.
Letra E
O motor 1.0 é o mesmo que já equipa o Celta e o Classic e que foi lançado no início deste ano. As letras VHC vêm do inglês very high compression, que significa que o motor tem alta taxa de compressão (12,6:1), e o E refere-se, segundo a GM, a três motivos: ecológico, econômico e energético. O primeiro foi devido às alterações feitas para se enquadrar à nova resolução 315/02 do Conama, que reduz os níveis de emissões veiculares e entrou em vigor este ano. Os outros dois podem ser sentidos no bolso e no pé direito do motorista, tanto no trânsito urbano quanto na estrada. O Prisma 1.0 bebe pouco e anda bem em qualquer situação: arrancadas, retomadas de velocidade e, mesmo com ar ligado (claro que o desempenho cai bastante nessa situação), consegue ser bem razoável. Mas é preciso saber dosar o acelerador, aproveitando bem os embalos e as retas planas, senão o consumo realmente se equipara com o de modelos 1.4 ou 1.6.
Balanço
A calibragem da suspensão favorece nitidamente o conforto, pois absorve razoavelmente bem as imperfeições do piso para um carro dessa categoria, mas inclina demais a carroceria e exige uma certa precaução em curvas mais fechadas e de piso irregular. O câmbio tem relações de marchas bem dimensionadas e os engates são precisos e macios. O Prisma 1.0 tem um uma boa relação custo/benefício, pois os preços são bem atraentes, mas o pacote de segurança é tão despojado que não inclui nem apoio de cabeça com regulagem de altura nos bancos dianteiros, que dirá opção de freios ABS e airbag.
NOTAS
Escala de 0 a 10
Desempenho 7
Espaço interno 5
Porta-malas 7
Suspensão/direção 6
Conforto/ergonomia 4
Itens de série/opcionais
(custo/benefício) 5
Segurança 4
Estilo 7
Consumo 7
Tecnologia 5
Acabamento 4
Foto: